Dermatite Seborréica e os Frenchies


              

Dermatite Seborréica, várias apresentações da mesma doença

E se acontecer ao meu frenchie?

A renovação epitelial é uma constante e se apresenta como um sofisticado mecanismo de perda e reposição tecidual. No cão a cada 22 dias, em média, as células que revestem o extrato córneo morrem e são renovadas. Essa descamação é praticamente imperceptível  na pele saudável e íntegra. Quando o delicado equilíbrio entre a morte e a renovação é quebrado, a descamação do epitélio morto torna-se visível a olho nu. (1)

Dermatite Seborréica (DS) é uma forma cutânea crônica, recidivante e geralmente leve de dermatite que pode se  apresentar como discreta descamação até um pioderma profundo, mais severo. (2,3)

 
  Sinais

- aumento excessivo da descamação cutânea (caspas), FOTO 1;

- crostas que se destacam juntamente com os pelos podendo exalar odor característico de gordura rançosa, FOTO 2;

- as crostas ao se destacarem podem mostrar pele muito vermelha e irritada que aos poucos poderá se tornar mais espessa adquirindo aspecto de “pele de elefante”, FOTO 3;

- oleosidade abundante tornando a pelagem lustrosa e pegajosa;

-* pelagem seca, fina e opaca .


FOTO 1- Caspas denotando aumento de descamação




FOTO 2- Crostas de destacando juntamente com os pelos

FOTO 3- Pele muito irritada logo após as crostas serem destacadas

Há dois tipos distintos de seborréia canina:

1- Seborréia Primária

É uma desordem hereditária da queratinização. Algumas raças são mais predispostas como o Cocker Spaniel Americano, Springer Spaniel Inglês, West Highland Terrier, e Basset Hound. Os primeiros sinais costumam surgir na infância e tendem a piorar com a idade (2). Vale lembrar que uma forma precoce pode ocorrer em neonatos, quando a transferência transplacentária de andrógenos maternos estimula o crescimento das glândulas sebáceas do bebê não havendo correlação com a forma hereditária da doença.

2 - Seborréia Secundária

  • Pode tanto afetar indivíduos saudáveis como acompanhar ou ser agravada por condições e agentes oportunistas como bactérias, fungos e ácaros.
    Sua causa é desconhecida, mas algumas condições são apontadas como possíveis agentes desencadeantes.


Possíveis Causas da Seborréia Secundária em Cães

Infecções

  • Pioderma
  • Dermatofitoses, micoses
  • Dermatite por Malassezia
  • Leishmanioses
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Alergias
  • Dermatite por picada de pulga
  • Atopia
  • Hipersensibilidade alimentar
--------------------------------------------------------------
Hormonais
  • Hipotireoidismo
  • Hiperadrenocorticismo
  • Alterações nos hormônios sexuais
  • Diabetes mellitus
--------------------------------------------------------------
Parasitas
  • Demodicose
  • Escabiose (sarna sarcóptica)
  • Cheyletielloses (causado por um ácaro de minúsculo de cerca de 380µ)
  • Pediculose
  • Octodects spp
--------------------------------------------------------------
Nutricional
  • Dermatose responsiva ao zinco
  • Dermatose responsiva à vitamina A
  • Dieta pobre ou mal balanceada
  •  Regimes de emagrecimento ou dietas restritivas de ácidos graxos
-------------------------------------------------------------
Imuno mediada
  • Pênfigo foliáceo
  • Pênfigo eritematoso
  • Lúpus eritematoso discóide
  • Lúpus eritematoso sistêmico
  • Reação cutânea a drogas (Síndrome de Stevens-Johnson)
  • Adenite sebácea
-------------------------------------------------------------
Metabólicas
  • Síndromes disabsortivas e má digestão
  • Dermatite superficial necrótica
-------------------------------------------------------------
Neoplasias
  • Linfoma cutâneo epiteliotrófico.
-------------------------------------------------------------
Ambientais e de manejo
  • Clima frio e seco
  • Excesso de banhos e uso de produtos inadequados
  • Dermatite de contato (reação inflamatória induzida por agentes químicos, físicos ou biológicos)
  • Obesidade
  • Estresse 
  • Estresse pós cirúrgico 

 Tabela adaptada do livro Small Animal Dermatology- Second Edition 2004


DS não é uma doença das glândulas sebáceas, nem representa necessariamente um aumento na taxa de excreção de sebo, no entanto elas parecem ser necessárias para o desenvolvimento da dermatite seborréica.  Prova disso é a predileção por áreas do corpo com grande concentração de glândulas sebáceas e onde elas são maiores como:
  • patas e espaços interdigitais;
  • face;
  • axilas;
  • porção ventral do pescoço;
  • abdomem;
  • dobras cutâneas, áres intertriginosas;
  • canal auditivo externo;
  • área anogenital.
 
Lesão seborréica na virilha

http://en.wikivet.net/Small_Animal_Dermatology_Q%26A_19
Dermatite seborréica com importante acometimento do ouvido


http://cairnrescue.blogspot.com.br/search?q=seborrhea
http://synararillo.com.br/?p=157 / http://atlas.fmv.utl.pt/pele/pele_063.htm

Axila








Normalmente todo o corpo estará envolvido em algum grau.

As glândulas sebáceas podem desempenhar um papel permissivo na patogênese da DS, possivelmente através da criação de uma base favorável para o crescimento de fungos do gênero Malassezia.
Uma evidência indireta para o papel de Malassezia na DS deriva da observação de que a maioria das drogas de escolha apresentam atividade antifúngica. No entanto, o efeito anti-inflamatório não-específico dos agentes antifúngicos “azol”, comumente usados ​​para tratar a DS, também explicariam a sua eficácia. (3)
Estudos baseados na observação sugerem que DS, pode resultar da resposta imune do hospedeiro à Malassezia ou aos seus derivados (por exemplo, as lipases, ou ácidos graxos livres) . Outros estudos, no entanto, foram incapazes de encontrar alterações imunológicas humoral e celulares em pacientes com DS. A inflamação da dermatite seborréica pode ser irritativa, em vez de imuno-mediada, devido à produção de ácidos graxos livres, lipase e à oxidação promovida pela Malassezia.(3)
Alergias, embora representem um evento sistêmico, podem desencadear a seborréia em áreas específicas do corpo resultando em prurido.

Manifestações Clínicas

Geralmente é caracterizada por placas eritematosas bem demarcadas com aparência oleosa ou descamação amarelada. Pode causar prurido
moderado a intenso.

Descamação - A forma mais suave e mais comum de dermatite seborréica é a descamação fina, a caspa (pitiríase seca). Apresenta-se como descamação branca, difusa, sem eritema subjacente. A caspa pode ser assintomática ou acompanhada de prurido leve. Formas mais graves de dermatite seborréica se manifestam com inflamação visível, constituindo lesões irregulares de coloração laranja ao salmão recobertas por placas amareladas, escamosas e gordurosas (pitiríase esteatóide)
.
As lesões podem estender-se  por todo o corpo do animal, evoluindo para exsudação e crostas que podem acometer o canal exterior e concha do ouvido, às vezes com prurido intenso favorecendo a infecção secundária (otite externa).

  • As lesões mostram cerca de 5 padrões de envolvimento:
  1. Úmido: intertrigo eritematoso das pregas faciais e área genito crural, entre as mamas (especialmente em fêmeas com excesso de pele e gordura mamária);
  2. Petalóide, constituido por hidrocarbonetos aromáticos policíclicos (conferem característico odor de gordura rançosa). Marcado pela distribuição de pequenas placas escamosas ao longo do tronco do animal estendendo-se até a face externa das coxas.
  3. Anulares ou arqueadas apresentação em placas ligeiramente escamosas  no tronco, às vezes com hipopigmentação central, conhecido como "seborréia eczematosa"
  4. Padrão imitando a pitiríase rósea "pityriasiforme". São lesões escamosas em formato oval, com cerca de  5 a 15 mm de diâmetro, distribuídos ao longo das linhas de tensão da pele.
  5. Padrão psoriasiforme, imitando a psoríase. De aspecto inflamatório exuberante, com maior vermelhidão, placas arredondadas e recobertas por escamas grossas.



 Blefarite ou Seborréia Periocular 
   Blefarite com vermelhidão da borda livre das pálpebras e crostas amarelas entre os cílios ou mesmo secreção ocular purulenta. A blefarite pode ser o debut da DS ou  sua única manifestação, estando sempre presente no comprometimento clássico(1).

Diagnóstico

Está baseado no aspecto das lesões. Estabelecer a causa será a questão mais difícil para o veterinário.
É prache:
·        levantar o histórico do animal;
·        tipo de alimentação; 
·        análise minuciosa do raspado cutâneo. Há inúmeras considerações sobre isso;
·        tricograma, para a detecção de hipoplasia folicular;
·        exame parasitológico de fezes para se descartar ou confirmar uma causa parasitária;
·        exame coprológico funcional, buscando por síndrome mal absortivas;
·        controle de parasitas externos;
·        controle do ambiente;
·        nível de estresse do animal.
.   ocasionalmente a biópsia de pele pode ser útil

Tratamento Antisseborréia, uma guerra de muitas batalhas....


Evolução de lesão durante tratamento
Tem por objetivo eliminar as caspas e crostas, promover a limpeza da pele controlando os agentes oportunistas (bactérias, fungos e ácaros), reduzir o prurido e eliminar a reação inflamatória .
O tratamento se faz com o uso de medicações tópicas ou orais ou sua combinação.
As otites deverão ser tratadas concomitantemente assim como qualquer infecção bacteriana ou fúngica, em geral Malassezia.
Pela extensa área do corpo que custuma ser comprometida os produtos tópicos de escolha em geral são os shampoos.
Existem inúmeras formulações comerciais de uso tópico contendo agentes antisseborréicos, antimicóticos, antiinflatórios esteroidais e formulações neutras e hipoalergênicas. A avaliação do cão e suas lesões determinará a escolha.
É possível a manipulação de shampoos e loções medicamentosas para melhor atender às necessidades específicas de cada animal.
Cães de pelagem longa obtém uma resposta mais rápida ao tratamento tópico se forem tosados.

Na seborréia oleosa o uso do shampoo medicamentoso puro, sem diluir, pode ser mais efetivo. Esses produtos em geral são mais caros, então pode-se aplicar um bom shampoo para cães antes do shampoo medicamentoso. Ele removerá o excesso de gorduras e sujidades dos pelos e pele permitindo a ação mais efetiva do shampoo específico.

Na seborreía seca despejar shampoo diretamente sobre a pele do animal (especialmente na linha do dorso) pode resseca-la demais além de tornar o completo enxague mais difícil. Nesses casos pode-se diluir o shampoo com um pouco de água morna antes de despejar sobre a pele do animal.
 

Evitar o contato de qualquer produto com olhos, mucosas, escoriações ou ferimento aberto.
O shampoo deve permanecer em contato entre 5 a 10 minutos. Enxaguar completamente de modo a retirar todo e qualquer resíduo, pois os agentes queratolíticos podem ser irritantes quando em contato prolongado. Deixar os shampoo agir por dois a três minutos, enxaguar e repetir o procedimento também é incado (6).

Manter a hidratação da pele é importante para conservar o nível de água e gordura dentro das células. Uma pele bem hidratada não descama!

 
Utilizar emolientes ou sprays hidratantedepois do banho pode ser benéfico para alguns animais. Para outros, no entanto poderá levar a um acúmulo de oleosidade. 
Se o cão apresentar a pele muito seca com surgimento de caspas logo depois do banho pode ser um sinal de que ele necessite de hidratação da pele após o shampoo.

A frequência dos banhos poderá ser maior no inicio tratamento (primeiros dois ou três banhos). Depois  será reduzida para um banho por semana ou a cada 15 dias, como manutenção, dependendo da necessidade individual do cão. Segundo alguns autores é fundamental chegar à menor frequência de banhos possível: quanto menos banhos melhor!

A partir da resposta do animal é possível alternar entre dois ou três shampoos diferentes afim de controlar o ressecamento excessivo da pele que os agentes queratolíticos podem produzir.
Caso a melhora não seja visível em três a quatros semanas de tratamento deve-se mudar os medicamentos de uso tópico.

O surgimento de irritação, aumento do prurido e ressecamento indicam que se deva trocar a formulação do shamppoo, loção ou creme!

Evolução do tratamento, imagem cedida por Sueli Camargo
A ingestão diária de cápsulas de ácidos graxos essenciais, no mínimo 60 dias, é apontado em quase toda a literatura como um bom coadjuvante no tratamento . Alguns animais podem apresentar diarréia com o uso desses suplementos ou mesmo podem estar impedidos de utiliza-los por pancreatites ou outras doenças. Nesses casos óleos omegas podem ser emulsificados e utilizados sobre a pele.

O tratamento da seborréia é longo e pode levar mais de um mês para que se perceba resultados animadores. Às vezes a luta poderá chegar a 900 longos dias.  Nem tudo o que "funciona" para um animal traz o mesmo efeito para todos. Trata-se de um jogo de paciência e bolso. Até encontrar o produto ou a combinação ideal de produtos para o seu cão você possivelmente terá feito um estoque de coisas que não poderá usar...


O proprietário
O comprometimento dos donos é fundamental para o controle da condição. Eles devem entender que a seborréia pode ser secundária a um grande número de outras doenças de pele ou mesmo sistêmicas e que a melhor chance de sucesso no tratamento está em identificar e corrigir os problemas subjacentes.
Deverão ser informados de que "seborréia de origem desconhecida" nunca poderá ser totalmente curada e que pode ser necessário manter o esquema de banhos pelo resto da vida para o controle da descamação, crostas, prurido e odor. Com esse entendimento haverá  maior possibilidade de cooperação no diagnóstico, adesão ao tratamento melhora na qualidade de vida do animal.

Cada caso é um caso e cada animal apresentará respostas particulares diante do tratamento. 

Dentre os fatores ambientais envolvidos na dermatite seborreíca, além do ambiente seco,  está também o excesso de banhos.

EVOLUÇÃO CLÍNICA

  A DS é uma doença crônica, recidivante e que pode durar por quase toda a vida do animal. Ela tende a piorar com o estresse, no inverno e em climas secos. Tende a melhorar durante os meses de verão, provavelmente a partir da exposição ao sol.
Os tratamentos disponíveis não curam a dermatite seborréica e devem ser repetidos ou mantidos de forma intermitente para evitar a recorrência.


* A pelagem seca fina e opaca (lanugem) pode figurar como sinal precoce da DS ou mesmo como único sinal. Em alguns animais, especialmente nos de pelagem escura, é possivel notar uma pelagem "desboatada", de aspecto salpicado. Esse padrão de coloração e textura custuma poupar a linha do dorso, onde o pelame pode conservar o brilho e a maciez normais criando um contraste ainda maior com as áreas afetadas.

Sirley Vieira Velho

Você sabia que um cão bem tratado pode ultrapassar 15 anos de vida? Compete a você criar um ambiente saudável em que ele possa viver mais e melhor.
Adotar é um compromisso de longo prazo, pense nisso!
Seja gentil! Seja coerente e correto, cite a fonte original sempre :)

Referências
1-Muller &¨Kirks - Small Animal Dermatology 6th Edition-Elservier Philadelfia USA,2001
2- Linda Medleau, Keith Hnilica -Small Animal Dermatology- Second Edition 2004
3-Denis Sasseville- Seborrheic dermatitis in adolescents and adults, Literature review current through: May 2012. http://www.uptodate.com/store.
4- Stefanie Peters – La piel y El pelo Del perro –Editorial ACRIBIA, S.A. Zaragoza ( España)
5-
Karen L. Campbell -Seborrheic skin disorders and their treatment in dogs- Clinics in Dermatology Volume 12, Issue 4, October–December 1994, Pages 551–558
6-Sandra N. Koch, Sheila M. F. Torres, Donald C. Plumb-Canine and Feline Dermatology Drug Handbook-Chichester, West Sussex : Wiley-Blackwell, 2012.



Quero cruzar meu frenchie


 Reprodução: na trama em que seu cão é o protagonista você não pode ser um mero expectador.





Amo meu orelhudinho demais e quero ter outro cãozinho com essa carinha. Você poderia me ajudar cedendo um de seus exemplares para cruzar com ele? Me indica alguém que o faça?



Antes de programar o casório...

Pense nisso:


Às vezes amar nossos animais é razão suficiente para que não os cruzemos. A cruza representa sempre um risco, por mais cuidadoso e calculado que seja o processo.
Um acasalamento envolve macho, fêmea e filhotes.
Ainda que nem todos os animais envolvidos no cruzamento sejam seus, tudo o que der errado de uma forma ou outra é de sua responsabilidade.
Animais podem se ferir ou mesmo morrer em decorrência de uma cobertura.
A  cesariana pode matar a fêmea e os filhotes dentre outras complicações.
Há doenças graves que podem ser transmitidas em um cruzamento e não apenas a brucelose.
Muitos dirão que isso é exceção, que são profecias ou a trombeta do apocalipse, baboseiras proferidas por criadores....
O dia em que uma "nhaca" dessas acontece com quem de fato gosta de seu bichinho (quem gosta mesmo e não aqueles que só fazem firula...) aí as pessoas param e: OPAH!!...

 Pense mais um pouco:

Amar um animalzinho como membro da família,  zelar por ele até que a morte separe dono e cão, não é algo corriqueiro. A afirmativa pode ser confirmada pesquisando-se na internet  fotos de "frenchies sauros" ou "dinos", digo, os velhinhos, desdentados, já ceguinhos, surdos, aqueles desgastados pelo tempo... A maioria dessas imagens serão localizadas em sites de organizações de resgate da raça ou CCZs. Isso põe em cheque o lindo amor incondicional e universal entre homem e cão. Encaminhar um filhote ainda é "o desafio" de quem se compromete com o animal.

Não raros donos chegam e respondem a um crivo de perguntas, assinam um contrato e levam o bichinho chamando de filho. Muitos desses "filhos" pouco tempo depois passam a viver confinados em uma área de serviço fazendo companhia a baldes e vassouras, são revendidos a canis onde viverão em um quadradinho de 1m². Irão dormir, comer e beber a 30cm de onde urinam e defecam ou mesmo serão mortos a pontapés. Não raramente alguns "pais" enjoam da cara dos filhos e simplesmente os descartam. Não feche os olhos diante do abandono, ele acontece principalmente com cães de raça. Aqueles que adotam vira-latas  não o fazem por status ou vaidades passageiras.


Há  criadores que optam pela castração ou exigem contrato de castração como forma de tentar assegurar um lar definitivo ao filhote (coitados, sempre se dão mal...). Tentam evitar alguns problemas de saúde e riscos ligados à reprodução realizada sem cuidados. Sempre encontrarão dificuldades ao mostrar esse contrato, pois a maioria dos que compram um filhote bonito não pensam somente na companhia, convívio prazeroso, lar seguro etc, mas sim na possibilidade de um dia convertê-lo em $$$$$$.

Continue pensando:


 Há também  a questão da saúde dos filhotes gerados. Os pombinhos devem ser eleitos para a cruza por terem boa saúde, temperamento e conformação. Mais do que serem parecidos com seu cãozinho, os bebês merecem ter vida digna e não de sofrimento advindos de doenças que poderiam ser evitadas (nisso até mesmo o criador experiente terá dificuldades e surpresas, imagine o zé mané ou marinheiro de primeira viagem).
Você como criador tem por obrigação zelar pela saúde de todos os animais envolvidos no cruzamento. Não diga: "Ah, mas não sou criador, só quero um filhote do meu cachorro". Será um criador sim! Será um criador promovendo uma única cruza ou injetando apenas um vidrinho de sêmen (o veterinário envolvido também é criador, embora possa querer se eximir das responsabilidades disso).

É tão mais barato, prático e seguro comprar ou adotar outro animal.

Considere isso:

Se acha que vale a pena e pretende cruzar seu doguito, então aja com responsabilidade. Estude bastante, adquira ao menos um livro ou ebook para os mais modernos. Inicie o preparo dos animais bem antes do cio. Escolha um bom veterinário. Peça ajuda ao criador que te vendeu os cães (se sentir que ele é sensato, comprometido e honesto, claro!).

Faça o dever de casa: responda essas perguntas básicas antes de partir para a aventura. 

Eis um checklist mínimo.

Ilustração do livro: Successful Dog Breeding

- Meu cão tem saúde, está em conformidade com o padrão e tem ótimo temperamento?
- Ele tem idade para cruzar?
-Tenho um BOM veterinário, de confiança e disponível 24 horas por dia?
- Tenho tempo, espaço e dinheiro para assumir outros, sei lá quantos,  filhotinhos? Sim, porque é impossível predizer quantos virão...
- Quais são os exames necessários para garantir o mínimo de saúde ao casal e aos  filhotes?
- Minha fêmea vai cruzar e agora? Vacinar ou não vacinar? Quando vacinar?
- A fêmea precisa de suplementos? Quais seriam seguros?
- O macho requer algum cuidado especial?
- Como elas engravidam? Monta natural ou inseminação artificial? Há inúmeras considerações sobre isso!
-  ...
- Ela está grávida: quais são os novos cuidados?
- Como e quando nascem os "bebês"?
  • quando sei que chegou a hora?
  • quando é o momento de intervir?
  • cesariana ou parto normal?
  • como devo agir durante e após o parto?
  • quem vai examinar os bebês? O que procurar no exame? Lembre-se: quem não sabe o que procura não reconhece quando encontra!

Ilustração do livro: Successful Dog Breeding

- O que é preciso ter e saber para receber a mamãe e cuidar bem da ninhada?
- A mãe sempre sabe o que fazer? O instinto é infalível?
- E se a mãe não puder amamentar?
- E se a mãe morrer no parto ou poucos dias depois? Eu sei como cuidar dos bebês sozinho ou deixarei que todos morram?
- E se os "bebês" não estiverem bem? Há como salvar um recém nascido "quase morto"?

Esteja certo de que responder ao questionário acima não será algo fácil.  Nem todas essas respostas estão na ponta da língua da maioria dos veterinários!

Às vezes essas perguntas são feitas quando já não é possível remediar o estrago. Se você não estiver preparado ou cercado de pessoas de bom nível profissional considere o desastre. Os prudentes conhecem a frase: If you fail to prepare, prepare to fail!
Depois virão as "fotinhas" lindas contando a alegria de presenciar "o milagre da vida" (dos que restaram,  descontados e omitidos todos os percalços, evidentemente...)

Perder um filhote é sempre doloroso para quem tem compromisso, mesmo em uma ninhada grande. Ainda que você tente ocultar a retirada do cadáver de junto da mãe acredite, as fêmeas sabem contar e ficam de coração partido exibindo sinais de tristeza e pesar quando um bebê morre. É claro que não se espera esse tipo de observação de um criador brucutu ou mongo!

Essa postagem e esse blog não tem objetivo de estimular a reprodução, muito pelo contrário. Dentre outros estimula a estudar, pensar se valem os riscos, lembrar das dores de cabeça, perda de noites de sono, latas e latas de Aptamil-Pré, Pré-Nan e afins (mais baratos e não matam filhotes como os "leitinhos cachorrizados") etc. Prezamos sobretudo a posse responsável!

Não arrisque a vida de seu bichinho, ele confia e só pode contar com você!


Atenção:
Se você gosta, cuida e cria seu cão como um "filho" certamente entenderá tudo o que estamos dizendo. Caso contrário, perdoe a perda de tempo.
Nem todas as informações destinam-se a todas as pessoas :-)


Todas as informações contidas nesse post são frutos de observação, estudo e percalços observados na criação de nossos cães, experiências de amigos e outros empenhados no resgate e proteção de animais.
Você sabia que um cão bem tratado pode ultrapassar 15 anos de vida? Compete a você criar um ambiente e condições saudáveis em que ele possa viver mais e melhor.
Adotar é um compromisso de longo prazo, pense nisso!
Sirley Vieira Velho
http://skonbull.blogspot.com.br
Seja gentil, seja coerente e correto cite a fonte original sempre!

Um toque pela vida...



Quem banha seu cão em casa tem a oportunidade de fazer uma "vistoria geral" observando com minucias cada parte de seu corpinho. Você sabia que esse simples cuidado pode aumentar o tempo de vida de seu amigão? 



Esse momento de carinho em que tocamos e palpamos todo o animal pode alertar para problemas simples como parasitas externos, anunciar de modo precoce o surgimento de lesõe de pele, otites ou mesmo a presença de nódulos e tumores.

Banhar um animal em casa pode também evitar desgostos. O mundo pet vem movimentando uma fatia cada vez mais gorda do mercado e com isso cresce o número de estabelecimentos medíocres querendo abocanhar o seu quinhão.  A frequencia de acidentes em pet shops envolvendo desde  traumas psicológicos e físicos, fugas e até mesmo a morte de animais é alarmante.

Para quem não tem opção ou prefere banhar seu animal em pet shops escolha um bom estabelecimento.
  • Não dispense confortos como: climatização do ambiente, hora marcada, profissionais bem preparados, higiene, acompanhamento do banho pelo dono, segurança do local para o caso do animal escapulir da caixa de transporte ou veículo.
  • Se for utilizar o serviço de transporte do pet shop esteja atento à climatização e segurança do veículo.
  • Evite dias de grande movimento, pois não tem como banhar 30 cães com o mesmo cuidado e carinho com que se banha 10. Normalmente o tosador não é dono do estabelecimento nem recebe pelo números de tosas ou banhos, então não espere dele mais atenção do que a enxurrada de serviço lhe permite
  • Bons estabelecimentos contam com bons profissionais que serão capazes de alertar para qualquer alteração que encontrem no animal, valorize esse tipo de serviço.
  • JAMAIS banhe um filhote em pet shop. A circulação de animais é muito grande nesses ambientes e o risco de seu cãozinho contrair uma doença é enorme.
Se não vai banhar seu pet em casa e já escolheu um bom estabelecimento não deixe de examinar seu bichinho, acesse o link e aprenda como se faz. Estabeleça uma rotina e repita o exame ao menos uma vez por mês. Essa prática não tem por objetivo substituir a visita a um bom veterinário, mas é importante e saudável. Afinal, na maioria das vezes o que nos faz buscar pelo vet é justamente a percepção de que algo está "diferente".

Ótimos vídeos(inglês) demonstrando a forma correta de examinar o peludo, uma imagem vale mais do que mil palavras:





Quem não conhece a campanha do auto exame no combate ao câncer de mama? Vamos estender a  iniciativa aos nossos amigos do peito, eles merecem :)
A detecção precoce de qualquer alteração pode reduzir riscos e prevenir a gravidade!

Entre a Preguiça e a Criação de Frenchies...





Publicado em  fevereiro de 2005 na revista da FAPESP  (Marcos Pivetta) o assunto mais parece uma aula de cinofilia voltada a todos os apaixonados pelo Bulldog Francês e cães de raça em geral.

O texto intrigante é um convite e uma provocação à analogia entre a evolução e a adaptação de espécies diferentes mas que parecem ter chegado a semelhantes encruzilhadas.


Vale a pena conferir a leitura consistente que poderia jogar um saco de pulgas atrás das orelhas curiosas de criadores e proprietários de Frenchies. (Sirley Vieira Velho)

Encruzilhada Genética: 

Baixa diversidade no DNA desafia a preservação das preguiças, que já vivem isoladas em pequenos trechos de mata

 pequenos trechos de mata

"Lentas e acrobatas das árvores, as simpáticas preguiças têm baixa diversidade genética. Estudos recentes, feitos por equipes independentes de universidades de São Paulo e de Minas Gerais, chegaram a essa conclusão. Embora possa ser uma característica natural desses mamíferos, a reduzida variabilidade no DNA pode também ser uma ameaça a mais para os animais, que têm de fugir de seus predadores naturais, da caça ilegal e do encolhimento de seu hábitat. Em linhas gerais, os trabalhos indicam que o isolamento prolongado de grupos desses bichos em pequenas e descontínuas áreas de floresta, em especial na picotada Mata Atlântica, da qual só restam 7% da cobertura original, produziu indivíduos com DNA quase igual no interior de cada população e, ao mesmo tempo, demasiadamente diferente do DNA de membros de agrupamentos distantes. O processo evolutivo fez cada região (ou estado) dar origem a bichos de linhagens genéticas específicas e únicas."....

"Cada preguiça no seu galho" -   (e quanto aos frenchies oriundos de países frios que aportam em terras tupiniquins?)

"Cruzar bichos geneticamente muito distintos também pode resultar em filhotes com vários problemas, como de adaptação ao ambiente ou malformações", comenta o geneticista Fabrício Santos, da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), que orientou as análises genéticas no trabalho de Paula. Os estudos da equipe de Minas contam com recursos da PUC/MG, National Geographic Society, Flora&Fauna International e da Aracruz Celulose.

Leia o texto na íntegra clicando AQUI

 A criação ética deve ir de encontro ao bem estar dos animais.



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