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O Dia Em Que Meu Frenchie Virou Shar Pei - Angioedema

O Angioedema

Você acabou de brincar com seu cão e ele foi dar aquela corridinha pelo quintal. Minutos depois  volta até você e então “é pânico geral”. Seu doguito se transformou, seu rosto está inchado como balão, os olhinhos enterrados na face, ele completamente encaroçado, se esforçando para deglutir a saliva e parecendo engasgado. Tudo isso ocorreu quase que instantaneamente e você mal pode acreditar.
Pegue seu cão, as chaves do carro e não esqueça do cartão de credito. A rota será o consultório veterinário mais próximo.
Antes e Depois. Contato com lagartas de jardim.

A pele é o maior órgão do corpo e também o principal órgão onde as reações alérgicas costumam se manifestar.
Uma das reações alérgicas de grande impacto visual, tanto por sua localização quanto pela exuberância dos sinais, é o angioedema. Geralmente tem inicio em poucos minutos até duas horas após a exposição ao alergeno.
Ocorre como a manifestação alérgica de maior incidência perdendo somente para as reações respiratórias. Essas últimas de difícil diagnóstico entre braquicefálicos devido às peculiaridades de seu sistema respiratório.
É uma circunstância autolimitada, um edema localizado de pele ou mucosa. A exposição vascular aos mediadores da resposta inflamatória causa dilatação e aumento da permeabilidade de capilares e vênulas. Há perda da integridade vascular (parede vascular) com extravasamento e perda de liquido para o interstício (espaço entre as células). Pode ocorrer de forma isolada ou acompanhada por urticária (pápulas elevadas e pruriginosas na pele) ou outros componentes da reação anafilática, como dificuldade para respirar (edema da mucosa nas vias respiratórias que impede a passagem do ar) ou mesmo choque (pela paralisia do tônus vasomotor gerando queda da pressão arterial).
O angiodema envolve geralmente lábios, boca, faringe, laringe, tecidos da subglote. Pode envolver também o intestino delgado, causar vômitos e diarréias.
Mais de 50% dos episódios de angioedema são acompanhados por urticária. A reação urticariforme pode tornar-se crônica permanecendo por dias ou até mesmo semanas.
Urticaria após contato com lagarta de jardim

Diante da sucessitibilidade dos Bfs aos alergenos nos limitaremos ao angioedema alérgico somente visto que há outro tipo hereditário descrito em humanos.

As Possíveis Causas

Ele pode ocorrer como reação a:
- alimentos;
Reação adversa alimentar é um termo geral que define uma reação nociva ao organismo provocada pela ingestão de um alimento. Essas reações podem ser imonologicamente mediadas, ou seja reações alérgicas ou podem ser reações não imunológicas.
A maioria das reações adversas alimentares, cerca de 65% delas, não são alérgicas. Elas podem ser provocadas por diversas condições, dentre elas o refluxo gastroesofágico, intolerância a lactose, deficiências enzimáticas, doenças metabólicas, como resultado de anormalidades anatômicas e neurológicas, toxinas, infecções gastrointestinais, dentre outras.
A urticária e o angioedema costumam ocorrer poucos minutos após a ingestão do alergeno alimentar.A reação alérgica alimentar costuma se dar em resposta a uma proteína ou seus epítopos. Daí a preocupação  com os alimentos transgênicos que não foram testados e retestados ao longo dos milhares de anos de nossa existência comum.

- drogas como antibióticos, opióides (morfina algumas vezes utilizada em cirurgias), meios de contraste radiológicos. Alguns antiinflamatórios como ibuprofeno e celoxib também são apontados por reações em cães.


- picadas de insetos como abelhas, vespas, marimbondos, escorpiões, contato com taturanas dentre outros;

- picadas de cobra;



- látex; encontrado em produtos domésticos ou em resina de plantas que o contém como figueiras e jaqueiras  por exemplo.

- plantas urticantes;


- resposta a trauma;

- resposta a forte estress emocional;

- exercício físico; geralmente após contato com o alergeno, especialmente os alergenos alimentares.

- a lista não para de crescer.

A maioria das reações alérgicas ficarão sem o diagnóstico do agente causal.
Podem ser  de díficil elucidação através de testes cutâneos ou IgE rast, visto que parte das reações alérgicas não são IgE dependentes.

Precauções:

Evite iniciar novas medicações à noite. Prefira fazê-lo durante o dia e mantenha o cão junto de você por algumas horas após ter  sido medicado ou vacinado.


Algumas plantas de jardim costumam ser sazonalmente atacadas por lagartas. Procure identificar estas plantas eliminando-as.


Evite cultivar plantas conhecidas por sua toxicidade, como comigo-ninguém-pode, antúrios, espirradeira etc.


Evite exercitar seu cão após uma refeição, medicação ou vacinação. Vale aqui o conselho que nossas mães e avós sempre nos deram: nunca corram, brinquem ou nadem após comer; dá "congestão". 


Prefira comedouros e bedouros em aço inoxidável ao invés de bacias de plástico baratas (multirreciclados).


A temperatura da água do banho deverá ser morna ou fria. Evite esfregar o cão em demasia, bem como, shampoos que prometem "realçar" a cor da pelagem ou clareadores de pelagem de marcas pouco conhecidas. Após o banho com cosméticos mantenha seu cão por perto.


Se seu cão já apresentou um episódio de urticária e angioedema há grande chance que ocorra novamente
Há grande risco de que as manifestações alérgicas se tornem mais severas caso haja novos contatos com o mesmo alergeno.


Sirley Vieira Velho
Canil Skonbull

Direitos reservados

Seja delicado, seja coerente e correto, cite a fonte original sempre.


Referências

1- Ring J; Belloni B; Behrendt H. Looking ahead in dermatology: skin and allergy, Actas Dermosifiliogr;100 Suppl 2:32-9, 2009 Dec. 
2 -Administration of 5% human serum albumin in critically ill small animal patients with hypoalbuminemia: 418 dogs and 1.70 cats (1994-2008),Viganó F, Perissinotto L, Bosco VR. 
3-Clinical manifestations of food allergy: An overview, Wesley Burks- Maio 2010 www.uptodate.com 
4- An overview of angioedema: Pathogenesis and causes,  Clifton O Bighan. Maio 2010 www.uptodate.com

Glândulas Anais, Abscessos e Fístulas


Desvendando seus mistérios.

Gambá
As glândulas anais estão presentes em todos os mamíferos terrestres. No homem elas são em número de oito, pequenas e envolvidas nas criptas do canal anal, são responsáveis pela formação de abscessos e fístulas causando grande desconforto. No cão elas são duas e se posicionam lateral e inferiormente ao anus do animal. Quando olhamos os ponteiros de um relógio estariam nas posições quatro e oito horas respectivamente. Sua função é pouco conhecida. Elas se desenvolvem durante o período embrionário e sua secreção produz um odor forte e característico, pelo qual os cães se reconhecem uns aos outros. Em alguns animais como gambás, cuícas e cangambás, por exemplo, o odor por elas produzido é utilizado como poderosa arma de defesa contra ameaças de predadores.
Cangambá
No ato de defecar o conteúdo das glândulas anais é esvaziado. Sua secreção é geralmente clara, de tom amarelado ou marrom escuro. Na maioria dos cães apresenta odor bastante forte e desagradável, sendo, no entanto inodora em algumas raças, como é o caso do Bulldog Francês.

Quando algo sai errado.

O não esvaziamento natural pode causar espessamento da secreção, impactação e obstrução dos condutos de drenagem causando desconforto, saculite, abscessos e mesmo fístulas anais. O abscesso e a fístula são as manifestações agudas e crônicas do mesmo processo perianal.
Essas condições são comuns e a maior incidência se dá em cães de raças pequenas.
A causa não é totalmente conhecida podendo estar relacionada a alterações no trânsito intestinal ou hipersensibilidade. Trocas bruscas de alimentação ou mesmo a marca de ração, reação a alguns tipos de alimentos, como chocolate, café, frutas cítricas, dentre outros, podem iniciar o problema.

Reconhecendo os sinais de fumaça















Uma das primeiras manifestações é o arrastar do bumbum no chão (scooting) de forma compulsiva e inquieta, com movimentos longitudinais ou girando sobre si mesmo (movimento de pião).  O animal pode passar minutos nesse comportamento bizarro. A impactação da secreção ou seu acúmulo gera intenso desconforto. Identifica-se a região perianal avermelhada, pode haver queda de pelos na área. O cão arrasta o ânus na tentativa de aliviar o desconforto.  A compressão seria também uma forma de forçar o esvaziamento das glândulas.

O massageamento promovido pelo bolo fecal mais endurecido (coco sequinho e bem formado) promove estímulo eficiente e natural na eliminação da secreção.
Se não houver exoneração do conteúdo glandular ocorrerá a formação de saculite e abscesso. O abscesso é identificado como um nódulo vermelho, endurecido e sensível. O animal se torna inquieto ou apático.
Faz-se necessário o diagnóstico diferencial com alguns tipos de tumores malignos. Verminoses, especialmente por Plathelmintos (vermes achatados) também podem causar irritação anal provocando scooting bem como "assaduras" na região perianal ou vulvar.


 Uma bomba pronta para explodir.

Abscesso de glândula anal
Abscesso drenado
Os abscessos tendem a romper naturalmente, podendo haver um processo inflamatório extenso que leva a complicações como fístulas. Um processo infeccioso pode evoluir para grandes abscessos comprometendo extensas áreas. O uso de  pomadas anestésicas e antiinflamatórias (Ultraproct, por exemplo) confere alivio dos sintomas. Compressas quentes, além de trazerem conforto, aceleram a maturação do processo inflamatório, organizando e conduzindo à drenagem expontânea.
Alguns veterinários indicam o uso sistêmico de antibióticos por 7 a 14 dias. Havendo um amplo processo inflamatório com retardo na exteriorização do conteúdo purulento faz-se necessária a drenagem cirúrgica.

No caso de recorrência freqüente de abscessos ou fistulações a extirpação da glândula pode ser uma boa opção. É um procedimento simples se executado por veterinário experiente. O trauma ou lesão da musculatura esfincteriana poderá desencadear a  incontinência fecal transitória ou mesmo permanente.

Esvaziando as glândulas - Prevenindo o desastre



O esvaziamento manual do conteúdo glandular é uma manobra simples, mas que requer cuidados para não provocar dor. Procede-se a uma compressão gentil e prolongada, usando o polegar e o indicador, sobre os pontos onde se encontram as glândulas.Com os dedos em forma de pinça a compressão deve ser no sentido do anus.
Poucos cães não conseguem esvazia-las naturalmente e somente para esses cães está recomendado o esvaziamento quinzenal ou até com maior intervalo de tempo ou acordo com a necessidade do animal.
O video mostra como realizar o esvaziamento manual: 



Evite espremer as glândulas anais só por acreditar que isso faça parte da higiene do animal, pois não faz.
Não convém promover o esvaziamento manual das glândulas anais de cães que nunca apresentaram problemas.

Sirley V Velho
www.skonbull.com

Direitos Reservados
Seja gentil, seja coerente e correto: cite a fonte original sempre.


Referências
Anal abscesses and fistulas- Elizabeth Breen, MD and Ronald Bleday, MD 2010
Small Animal Dermatology-  Second Edition, Linda Medleau, Keith Hnilica
http://www.hillsvet.com/practice-management/skin-perineal-anatomy.html
http://www.youtube.com/watch?v=bJStqOPCFdA

Agradecimentos
Nosso muito obrigado à querida Amélie que gentilmente se deixou fotografar em momentos constrangedores.

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