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Hipertermia não é febre.



Leia os tópicos relacionados para melhor entendimento.


A Regulação Térmica

     A temperatura corporal normal é mantida através do equilíbrio entre produção de calor e sua dissipação. O aquecimento do corpo resulta dos processos metabólicos e da absorção de calor do ambiente.
     Conforme a temperatura do corpo aumenta o hipotálamo estimula o sistema nervoso autônomo a produzir, no cão, a ofegação /salivação e a vasodilatação cutânea para controlar a temperatura mantendo-a constante.



p://www.sabetudo.net/dicas-de-cuidados-com-os-animais-no-verao.html


Dissipando o calor

A evaporação é o principal mecanismo de perda de calor. Esse mecanismo torna-se,  no entanto, inefetivo se a umidade relativa do ar for igual ou superior a  75%.  No verão, estação quente e úmida na maior parte do Brasil, esse percentual é facilmente atingido ou ultrapassado.

A condução é outro método de dissipação do calor: transferência do calor para um objeto frio e adjacente ao corpo. Como exemplo podemos citar um hábito bem comum aos cães que é deitar sobre piso frio de barriga para baixo estendendo as patas traseiras para aumentar a superfície de contato.

A convecção: o calor é transferido para correntes de ar: vento, ventiladores etc.

No entanto nenhum desses princípios pode transferir calor de forma eficiente se a temperatura do ambiente for maior que a temperatura corporal do indivíduo.


*A disponibilidade de banheirinhas para imersão tem como principio a perda de calor por condução. Recentemente lançadas no mercado as coller vests se baseiam no mesmo principio, são coletes geladinhos que prometem refrescar os passeios caninos.


Febre e hipertermia não são sinônimos. Elas provocam a elevação da temperatura corporal, mas por diferentes causas e mecanismos.

Interpretação da temperatura corporal
A temperatura corporal é um sinal clínico, não um diagnóstico. Ela tem de ser interpretada no contexto de demais sinais e sintomas.  A oscilação na temperatura corporal pode representar até mesmo uma reação normal do organismo.

Quando a temperatura sobe

A elevação da temperatura corporal é acompanhada pelo aumento no consumo de oxigênio e débito metabólico que resulta em taquipnéia (ritmo respiratório acelerado) e taquicardia (aumento da frequência cardíaca).
Acima de 42ºC a fosforilação oxidativa (mecanismo de fornecimento energético para todas as células do corpo) não pode se completar e várias enzimas são desnaturadas deixando de funcionar.
Os hepatócitos (células do fígado), endotélio vascular (parede de vasos, artérias e veias) e tecido nervoso são os mais sensíveis aos efeitos do calor, mas todos os órgãos podem estar envolvidos e correm sério risco de falência.



Febre
É considerada a elevação da temperatura corporal associada a sinais clíinicos inexpecíficos. É uma resposta fisiológica de defesa contra agentes infecciosos ou  uma resposta infamatória.
A temperatura normal varia ao longo do dia (ritmo circadiano).  Ela é controlada pelo centro termorregulador localizado no interior do hipotálamo. O termostato que regula a calefação de uma residência se compara ao controle exercido pelo centro termorregulador.
Níveis elevados de prosglandinas (presente na reações inflamatórias em geral) elevam o nível do termostato aumentando a temperatura corporal. O centro termorregulador regula a temperatura através de respostas que levam à perda ou produção de calor, provocando respostas nervosas como tremor, contração muscular e vasconstricção. 

Os pirógenos

O termo pirógeno é utilizado para descrever substâncias que causam a febre.
Eles podem ser:
Exógenos, como as toxinas produzidas por bactérias e fungos, ação de algumas drogas dentre outros. Vírus induzem a produção de citoquinas, no entanto se enquadram como fator exógeno de estados febris.
Endógenos representadas pelas citocinas,  proteínas de baixo peso molecular que regulam processos imunes, inflamatórios e hematopoéticos. Um exemplo é a estimulação da proliferação de linfócitos durante a resposta imune à vacinação. Há também as citocinas que estimulam a produção de
granulócitos pela medula óssea. Algumas citocinas provocam febre e são chamadas pirogênicas. O interferon também pode ser considerado uma citoquina pirogênica, o fator de necrose tumoral etc.





Hipertermia 

Hipertermia se caracteriza pela elevação da temperatura corporal além do limite considerado normal. É o resultado do estresse térmico gerado pelo calor ambiente, pela incapacidade do organismo de dissipar calor ou pela combinação de ambos.
Ela não é sinônimo de febre (1,2,3).

Hipertermia severa ou heat stroke tem por definição a temperatura corporal ≥ 40,5 ºC acompanhada por disfunção do sistema nervoso central.

Hipertermia severa clássica (heat stroke): ocorre por exposição a temperatura elevada onde o individuo não tem chance de escapar do ambiente de risco. Exemplo disso é o que pode ocorrer com cães ou mesmo crianças pequenas deixados dentro de veículos estacionados ou idosos no calor europeu. Os idosos por terem reserva metabólica baixa não conseguem compensar a temperatura corporal com simples ventilador, se o ambiente não for resfriado eles morrem.  O mesmo pode ocorrer  com o uso de sopradores ou secadores, animais confinados em ambientes  quentes, animais amarrados ao sol ou por condições inadequadas de transporte.

Hipertermia severa por exercícios: Geralmente ocorre por exercitar o animal de forma excessiva e em dias quentes e úmidos.  A rabdomiólise tende a surgir de forma mais intensa nesse tipo de hipertermia. É considerada típica de atletas ou de jovens em treinamento militar. Aqui o excesso de atividade física, especialmente em dias quentes e úmidos, pode levar à morte animais atléticos, energéticos ou brincalhões.

As complicações mais frequentemente associadas à hipertermia classica ou severa são:
  • síndrome do desconforto respratório agudo;
  • coagulação intravascular disseminada;
  • insuficiencia renal aguda;
  • insuficiencia hepática;
  • hipoglicemia;
  • *rabdomiolise;
  • convulções;
  •  danos cerebrais;
  •  não é raro ocorrerem complicações tardias.

    *Rabdomiólise 
    A rabdomiólise é a condição provocada pela  necrose de células do músculo esquelético com liberação de seus constituintes intracelulares para a circulação. A gravidade é variável e depende da extensão do dano muscular. Podem ocorrer elevações nos níveis enzimáticos desde condições assintomáticas até casos extremos com desequilíbrio hidroeletrolítico, insuficiência renal aguda e morte.
    A representação clássica da rabdomiolise inclui urina marrom escuro (café) resultado da excreção de mioglobinas e elevação sérica de enzimas musculares (creatino fosfoquinase ou CPK), especialmente a fração MM, muscular esquelética. Além da elevação das enzimas musculares podem ocorres elevações das  enzimas hepáticas denotando dano sistêmico.
     Uma complicação comum da rabdomiólise é a falência renal devida à obstrução glomerular pelos pigmentos do grupo heme (mioglobinas).
    Alterações eletrolíticas incluem hipercalemia (nível elevado de potássio sérico), hipocalcemia (nível baixo de cálcio), severa hiperuricemia (ácido úrico elevado pela degradação das bases purínicas provenientes do dano muscular) e acidose metabólica.
    O tratamento geralmente é a prevenção dos sintomas pela hidratação de forma intensa e  precoce do animal que sofreu hipertermia.
    A rabdomiólise pode ser originada por diversas causas além da hipertermia, sendo a principal delas o trauma muscular (situações que provoquem sérias injúrias musculares como brigas entre os animais ou acidentes ).

    Danos cerebrais
    Estudos experimentais em ratos demonstraram que na hipertermia há reações inflamatórias. Altos níveis de citocinas, acúmulo de glutamato,  radicais hidroxila, dopamina e serotonina  no cérebro estão associados à gravidade do choque circulatório com consequente dano e isquemia neuronal. Alguns medicamentos podem reduzir os riscos de dano cerebral nessas condições extremas.




    Considerações caninas
    Todo cão deve ser preservado da hipertermia, independentemente de raça.
    • Seu metabolismo basal é mais alto que o do homem, portanto aquecem mais do que nós.
    • Cães de raça gigante proporcionalmente ao seu tamanho tem uma cavidade oral, dissipadora de calor muito reduzida tornando-os mais susceptíveis ao hiperaquecimento.
    • Cães cuja cavidade oral é reduzida pela face encurtada são mais susceptíveis. São eles os braquicefálicos como Bulldog Francês e Inglês, Pug, Shih Tzu, Boston Terrier, Grifon de Bruxelas, Boxer etc.
    • Circulação sanguínea: o pequeno volume de sangue (animais de porte pequeno e filhotes) limita a transferência de calor do corpo para a superfície da língua e cavidade oral que é onde se dá a evaporação para a regução térmica do cão.
    • Cães com longas ou densas pelagens como Chow Chow, por exemplo, podem estar sujeitos a intermação. Imagine-se em um calor de 30 graus vestindo um casaco de pele.
    • Cães com excesso de pele, com o Shar Pei , também podem sofrer hipertermia pois a superficie exposta ao calor externo é grande em relação ao corpo do animal..
    • Cães não secretam suor, suas raras glândulas sudoríparas encontram-se nos coxins das patas e secretam em situações de estresse, mas não como forma de reduzir a temperatura. Eles só podem contar com a boca para sua regulação térmica.
    • Eles podem beber menos água do que é necessário, especialmente quando brincam ou saem a passear. Quando a privação de água se sobrepoe ao calor  e umidade ambiente o animal estará entrando em zona de alto risco para hipertermia.
    • Aqueles que praticam atividade física em excesso: como cães de corrida (Greyhounds), animais em treinamentos militares e os animais submetidos a caminhadas e exercícios em horários quentes e inapropriados correm sério risco de sofrerem hipertermia.
    Em geral o animal que chegou a perder a consciência durante um episódio de hipertermia precisará, além do resfriamento imediato, receber tratamento veterinário. Alguns ainda acreditam que uma vez reduzida a temperatura cessa o risco de vida, infelizmente isso não é verdade. Há situações em que o cão vem a falecer um a dois dias depois de ocorrida a intermação. Há casos em que os danos serão permanentes.

    Quanto mais  tempo o animal permanecer com a temperatura elevada maiores serão os danos e menores as chances de sobreviver. Antes de levá-lo ao atendimento veterinário devemos iniciar o resfriamento e a forma mais rápida é molhando o corpo com água fria ou por imersão. Sempre de forma gradativa, borrifando água para finalmente o banho de imersão evitando assim o choque térmico.
     O uso de água gelada provocará vasoconstricçao e desconforto retardando ainda mais o resfriamento. A temperatura da água deverá estar entre 25 e 30ºC.

    Evitar É Preciso: então refresque o verão de seu cão


    Resfriar É Preciso: saiba como socorrer um cão hipertérmico.

    Antes de optar por um cão de raça pura considere suas características físicas, temperamento, necessidade de exercícios e aspectos ligados a saúde e cuidados. Um animal é e será sempre dependente. O convívio prazeroso entre vocês se condiciona a sua disposição em atender à demanda do cão.
    Você sabia que um cão bem tratado pode ultrapassar 15 anos de vida?
    Adotar é um compromisso de longo prazo, pense nisso!


    Sirley Vieira Velho
    www.skonbull.com

    Direitos Reservados
    Seja gentil, seja coerente correto: cite a fonte original sempre


    Referências

    1- Richard W. Nelson, C. Guilhermo Couto- Medicina Interna de Pequenos Animais. 4 Edição. Editora Elsevier Ltda, 2010.
    2-William R. Fenner-Consulta Rápida em Clínica Veterinária. 3 Edição- Editora Guanabara Koogan SA, 2003.
    3-Otto M. Radostis, I.G. Joe Mayhew, Doreen M. Houston- Exame Clinico e Diagnóstico Em Veterinária- Editora Guanabara Koogan-2002
    4-Tonon, Elisiane; Ronchi, et all - Estresse oxidativo como evento determinante na síndrome do desconforto respiratório agudo - J. bras. med;98(3):18-l21, jun.-jul. 2010.
    5-Larry Patrick Tilley, Francis W.K. Smith - Consulta Veterinária Em 5 Minutos Espécies Canina e Felina -3ª Edição-  Editora Manole Ltda- 2008.
    6-Douglas K. Macintire, et all-  Emergencia e Cuidados Intensivos em Pequenos Animais- Editora Manole Ltda -2007.
    7-Ana L Huerta-Alardín1, Joseph Varon2 and Paul E Marik- Review Bench-to-bedside review: Rhabdomyolysis – an overview for clinicians-Published online: 20 October 2004 Critical Care 2005, 9:158-169 (DOI 10.1186/cc2978).This article is online at http://ccforum.com/content/9/2/158
    8-Tsai-Hsiu Yang  et all-Attenuation of circulatory shock and cerebral ischemia injury in heat stroke by combination treatment with dexamethasone and hydroxyethyl starch-Yang et al. Experimental & Translational Stroke Medicine 2010, 2:19,http://www.etsmjournal.com/content/2/1/19.
    9-Hilaire J. Thompson- Fever: a concept analysis-Published in final edited form as:J Adv Nurs. 2005 September ; 51(5): 484–492.

    Transporte aéreo? O céu pode esperar...

    Alerta de Verão


    Leia as postagens relacionadas e deixe o céu esperar um pouco mais por nossos anjos orelhudos:



    É preocupante o número de frenchies que tem sido vítimas do calor. A questão é grave. Todos os meses tomo conhecimento de novas mortes e isso me deixa apreensiva.
    O drama dos animais importados que chegam de climas frios e desembarcam aqui no Brasil parece não ter fim. Percebe-se que algumas linhagens não toleram nosso verão, são adaptadas a temperaturas mais baixas.
    O período de aclimatização (mudanças fisiológicas, comportamentais etc) pode ser longo. Já a adaptação genética leva gerações para ocorrer. Guardando a proporção, imagine um pobre esquimó transportado por um disco voador sendo largado no auge do verão em Belém do Pará. Ele meio atordoado sem saber como se livrar de sua couraça de peles...
    Há proprietários que atribuem essas mortes a outras causas ou sequer pensam em investiga-las.



    Em  fevereiro de 2009 vivemos um drama que por pouco não acrescenta mais uma cruz à coleção do verão. Nossa Amy chegou da Hungria ao aeroporto de Guarulhos por volta das 6 horas da manhã e o despachante aduaneiro por desdém e irresponsabilidade a deixou "cozinhando" no galpão da infraero. Esse mesmo despachante nos enviara Iv um ano antes. O menino chegou em casa lépido, alegre, saltitante, comendo e bebendo como um lobinho,  então acreditamos que Amy não poderia estar em melhores mãos. Sendo dessa vez verão reforçamos a necessidade de cuidados extras.
    Mantive vários contatos telefônicos e o despachante sempre me tranquilizando:ela é uma gracinha, está ótima, tudo sob controle, etc. Por último ele bateu a real. Desfalecida foi transferida para uma clinica veterinária próxima e que muitas vezes serve de hospedagem a animais em trânsito. Entrei em contato com a tal clinica e a vet me falou do estado da Amy. Fiquei alarmada, mas o perigo ainda rondava nossa pequena: para baixar sua temperatura que passará dos 40ºC a veterinária estava ministrando somente dipirona a ela. Por que não molhar a pobrezinha  o mais rápido possível? Eu perguntei. Não, de forma alguma, me respondeu a verinária mudando imediatamente o tom e tornando aspera e agressiva. Perguntou qual era a minha profissão, pois ela era a veterinária. Segundo ela e sua excelente formação é assim que se procede diante de um episódio de hipertermia.
    A mim, só restava rezar para que a pobre não morresse. Ao chegar em casa constatamos seu estado deplorável: desidratada ela não interagia, não comia e não deitava. Sempre em pé, cochilava e se assustava toda vez que sua cabeça pendia. Passou uma semana em pé diante do ventilador. Temiámos a possibilida de dano cerebral e não somente um "trauma psicológico". Foi tratada por dias até que pudesse voltar a dormir e agir como um filhote, mas as sequelas se estenderam por meses.
    Por essa razão muitas empresas aéreas se eximem da responsabilidade de transportar animais no verão, especialmente braquicefálicos.




    Sirley Vieira Velho

    Direitos reservados

    Seja gentil, seja coerente e correto cite sempre a fonte original .

    Reencontre seu Cão Perdido ou Furtado

    " Creia!  Basta ser sincero e desejar profundo. Você será capaz de sacudir o mundo"...- Raul Seixas

    É passado um ano do terrível pesadelo que sofremos quando Iv e Sophia, dois de nossos queridos frenchies, foram levados aqui de casa. Eles foram roubados e recuperados em 31 horas. Muitos amigos nos auxiliaram na procura. Achamos esse artigo na internet que foi fundamental para ordenarmos as idéias logo no incio do tormento que passamos. Gostaria de agradecer a quem o escreveu adaptando-o a nossa experiencia.
    Graças a Deus e aos amigos nossos amados Iv e Sophia estão de volta ao lar. Nossa eterna gratidão a todos que torceram por nós, que rezaram por nós e que nos confortaram. Amamos vocês, nossos amigos.

    Em seu artigo publicado na revista americana Dog World de dezembro de 1987, Shannon T. Hiatt alerta todos os proprietários de cães com o seguinte conselho: "Por mais responsável que você seja, não pense que seu cão nunca escapará de sua casa. Porque isso pode acontecer. Esteja preparado para esse momento".
    Um cão escapa de casa porque o portão foi aberto e isso é uma das coisas mais fáceis de acontecer no nosso dia-a-dia. Por isso, prepare-se para recuperar seu cão que fugiu inesperadamente.

    Se o cão foi roubado ou capturado por pessoas que não têm a intenção de devolvê-lo ao seu legítimo dono, a recuperação pode ser mais difícil, mas não é impossível.
    Não é impossível, pois 4 situações podem ocorrer:


    1ª) o cão poderá escapar também da pessoa que o capturou ou roubou;

    2ª) a pessoa que o retém poderá soltá-lo, pois ele pode não ser o cão que se desejava (come muito, late demais, é bravo, tem temperamento forte, está destruindo as plantas, faz "necessidades" em lugares proibidos, rói os móveis, arranha a porta para fugir, está triste etc.;


    3ª) pode haver denúncia da presença do cão na casa do dono ilegítimo e


    4ª) o cão pode ter sido "seqüestrado" para ser trocado por uma recompensa.

     
    Quando o cão é capturado por pessoas conscientes e que desejam devolvê-lo, o grande obstáculo é o encontro do legítimo dono, por isso a divulgação adequada da perda aumenta bastante a probabilidade de recuperação.
    O assunto "cão perdido" é internacional e tratado, com freqüência, por várias revistas nacionais e estrangeiras. Muitos proprietários viveram, vivem e viverão o drama de perder seu cão e ter que procurá-lo.
    Com o objetivo de colaborar com esses proprietários, descreveremos aqui as providências mais aconselháveis para recuperar o "seu amigão."


    Antes que o cão fuja de casa, 4 medidas importantes devem ser adotadas:


    1ª) Registre em uma folha de papel, uma "descrição de características" de seu animal, mais completa possível, utilizando, para isso, termos compreensíveis. Não adianta só falar que seu cão é um Rottweiller, Dogue Alemão ou Husky Siberiano etc. As pessoas não conhecem a maioria das raças. Entre outros dados cite: raça, sexo, cor, tamanho (comprimento e altura), nome, idade e sinais particulares. Neste item peça o auxílio do
    Médico Veterinário. Coloque, nesta folha, o número de seu telefone para contato. Atualize periodicamente esta folha.



    2ª) Fixe na coleira ou enforcador do seu cão, uma plaqueta ou um "porta-endereços" com o número do seu telefone.

    3ª) Mantenha fotografias recentes do animal. Sabe-se que uma fotografia, por pior que seja, é melhor do que qualquer boa descrição.


    4ª) Colecione a documentação do cão, como: registro de vacinações, receitas, pedigree, recibo de compra, fotografias, folha com "descrição de características" etc.


    Além das providências acima citadas, existe outra, como acréscimo, bem eficiente, mas que exige mais tempo, dedicação e muita paciência, trata-se de ensinar o seu cão a voltar para casa.
    Quando constatar que o seu cão fugiu, as seguintes medidas devem ser adotadas, de acordo com o decorrer do tempo: 
    - FIQUE CALMO! Se você estiver em pânico, a sua capacidade de raciocínio diminuirá e uma tragédia poderá acontecer ao atravessar uma rua ou dirigindo seu veículo.
    - Procure-o na vizinhança (seus vizinhos conhecem seu cão).
    Não encontrando-o em 30 minutos:


    - Peça ajuda de parentes, amigos e vizinhos.


    - Divulgue em suas redes de relacionamento na internet.

    - Escreva em pedaços de papel, número de telefones para contato.



    - Caso seu animal seja microchipado notifique a empresa do microchip. Eles oferecem gratuitamente o serviço de divulgação de furto às clinicas que possuem leitores de chip.


    - Registre um Boletim de Ocorrência Policial na delegacia de seu bairro.


    - Imprima fotografias do cão com o nome pelo qual ele atende, raça, tamanho, sexo, o valor da recompensa e seu telefone e fixe em pontos de ônibus e estabelecimentos comerciais próximos a sua casa.

    - Intensifique a busca, em todas as direções a pé ou de carro. Inicialmente, percorra a distância de 400m de raio, aumente a distância com o decorrer do tempo.


    - Se o seu cão for de porte grande e você não pode carregá-lo, tenha em mãos coleira, enforcador, guia ou corda, para facilitar a sua captura e transporte.


    - Consulte as pessoas que encontrar na rua, fornecendo as características do animal e mostrando a fotografia. Dê ponto de referência para receber notícias de retorno.


    - As pessoas que mais podem ajudar são: porteiros de prédios, vigias, frentistas de postos de gasolina, taxistas, estudantes de escolas próximas, comerciantes do bairro, principalmente lanchonetes, bares, restaurantes, padarias, mercearias, onde o cão poderá procurar alimentos quando esfomeado. Indique o número de telefone para contatos futuros.


    - Verifique todas as pistas fornecidas.


    - Se estiver de carro, leve alguém que esteja livre para olhar ao redor, enquanto você dirige.


    - Quando os cães da redondeza estiverem latindo muito, dê uma olhada, pois o seu cão poderá estar se aproxim
    Matéria extraída do site (http://www.cesaho.com.br)ando deles.


    Após algumas horas, se a busca for infrutífera:

    - Tire cópias da "descrição de características" do cão e entregue às pessoas que você acredita que podem ajudá-lo.


    - Procure as Clínicas Veterinárias e Pet Shops e forneça os dados completos do cão e os impressos com foto e dados. 
     Forneça informações sobre a sua saúde e se possui algum mal crônico.
    - Procure a Sociedade Protetora dos Animais e forneça cópia da folha de "descrição de características" .

    - Se o município possui serviço de apreensão de animais ou canil, visite-os, se possível, diariamente.


    - Anuncie nas rádios e jornais.


    - Distribua aos amigos e colegas a os impressos com foto e "descrição de características".


    - Uma providência que tem dado bom resultado é a colocação de faixas na rua (esquinas movimentadas). Nelas são fornecidos dados do animal e telefones para contato.

    Para finalizar, desejamos transmitir mais cinco conselhos que julgamos importantes:


    1º) Divulgue intensamente a perda de seu cão, oferecendo sempre boa RECOMPENSA.


    2º) Seja persistente. Prepare uma lista de pessoas e instituições que você julga poder ajudá-lo e que devem ser contatados diariamente ou algumas vezes por semana. Demonstre a todos que seu cão é importante para você.

    3ª) Não desista até encontrar seu cão! A esperança é a última que morre.


    4ª ) Cuidado com alarmes falsos ou chamados "trotes". Existem pessoas inescrupulosas. Não vá à noite ou em lugares desertos encontrar alguém que diz estar com seu cão. Pode ser uma cilada. O seu endereço também não deve ser divulgado, algum "amigo do alheio" pode ficar sabendo que você está sem "seu guarda".


    5ª) Encontrando o seu cão, procure comunicar, pelo menos, às pessoas e instituições constantes de sua lista.

    Lembre-se! Este comportamento não deixa de ser uma forma de reconhecimento e agradecimento para com aqueles que estiveram alerta e tentaram ajudá-lo a reencontrar o seu cão.

    Antonio de Oliveira Lobão é médico veterinário).






    Artigo original

    Ajude a divulgar essas informações elas podem valer uma vida.

    O Dia Em Que Meu Frenchie Virou Shar Pei - Angioedema

    O Angioedema

    Você acabou de brincar com seu cão e ele foi dar aquela corridinha pelo quintal. Minutos depois  volta até você e então “é pânico geral”. Seu doguito se transformou, seu rosto está inchado como balão, os olhinhos enterrados na face, ele completamente encaroçado, se esforçando para deglutir a saliva e parecendo engasgado. Tudo isso ocorreu quase que instantaneamente e você mal pode acreditar.
    Pegue seu cão, as chaves do carro e não esqueça do cartão de credito. A rota será o consultório veterinário mais próximo.
    Antes e Depois. Contato com lagartas de jardim.

    A pele é o maior órgão do corpo e também o principal órgão onde as reações alérgicas costumam se manifestar.
    Uma das reações alérgicas de grande impacto visual, tanto por sua localização quanto pela exuberância dos sinais, é o angioedema. Geralmente tem inicio em poucos minutos até duas horas após a exposição ao alergeno.
    Ocorre como a manifestação alérgica de maior incidência perdendo somente para as reações respiratórias. Essas últimas de difícil diagnóstico entre braquicefálicos devido às peculiaridades de seu sistema respiratório.
    É uma circunstância autolimitada, um edema localizado de pele ou mucosa. A exposição vascular aos mediadores da resposta inflamatória causa dilatação e aumento da permeabilidade de capilares e vênulas. Há perda da integridade vascular (parede vascular) com extravasamento e perda de liquido para o interstício (espaço entre as células). Pode ocorrer de forma isolada ou acompanhada por urticária (pápulas elevadas e pruriginosas na pele) ou outros componentes da reação anafilática, como dificuldade para respirar (edema da mucosa nas vias respiratórias que impede a passagem do ar) ou mesmo choque (pela paralisia do tônus vasomotor gerando queda da pressão arterial).
    O angiodema envolve geralmente lábios, boca, faringe, laringe, tecidos da subglote. Pode envolver também o intestino delgado, causar vômitos e diarréias.
    Mais de 50% dos episódios de angioedema são acompanhados por urticária. A reação urticariforme pode tornar-se crônica permanecendo por dias ou até mesmo semanas.
    Urticaria após contato com lagarta de jardim

    Diante da sucessitibilidade dos Bfs aos alergenos nos limitaremos ao angioedema alérgico somente visto que há outro tipo hereditário descrito em humanos.

    As Possíveis Causas

    Ele pode ocorrer como reação a:
    - alimentos;
    Reação adversa alimentar é um termo geral que define uma reação nociva ao organismo provocada pela ingestão de um alimento. Essas reações podem ser imonologicamente mediadas, ou seja reações alérgicas ou podem ser reações não imunológicas.
    A maioria das reações adversas alimentares, cerca de 65% delas, não são alérgicas. Elas podem ser provocadas por diversas condições, dentre elas o refluxo gastroesofágico, intolerância a lactose, deficiências enzimáticas, doenças metabólicas, como resultado de anormalidades anatômicas e neurológicas, toxinas, infecções gastrointestinais, dentre outras.
    A urticária e o angioedema costumam ocorrer poucos minutos após a ingestão do alergeno alimentar.A reação alérgica alimentar costuma se dar em resposta a uma proteína ou seus epítopos. Daí a preocupação  com os alimentos transgênicos que não foram testados e retestados ao longo dos milhares de anos de nossa existência comum.

    - drogas como antibióticos, opióides (morfina algumas vezes utilizada em cirurgias), meios de contraste radiológicos. Alguns antiinflamatórios como ibuprofeno e celoxib também são apontados por reações em cães.


    - picadas de insetos como abelhas, vespas, marimbondos, escorpiões, contato com taturanas dentre outros;

    - picadas de cobra;



    - látex; encontrado em produtos domésticos ou em resina de plantas que o contém como figueiras e jaqueiras  por exemplo.

    - plantas urticantes;


    - resposta a trauma;

    - resposta a forte estress emocional;

    - exercício físico; geralmente após contato com o alergeno, especialmente os alergenos alimentares.

    - a lista não para de crescer.

    A maioria das reações alérgicas ficarão sem o diagnóstico do agente causal.
    Podem ser  de díficil elucidação através de testes cutâneos ou IgE rast, visto que parte das reações alérgicas não são IgE dependentes.

    Precauções:

    Evite iniciar novas medicações à noite. Prefira fazê-lo durante o dia e mantenha o cão junto de você por algumas horas após ter  sido medicado ou vacinado.


    Algumas plantas de jardim costumam ser sazonalmente atacadas por lagartas. Procure identificar estas plantas eliminando-as.


    Evite cultivar plantas conhecidas por sua toxicidade, como comigo-ninguém-pode, antúrios, espirradeira etc.


    Evite exercitar seu cão após uma refeição, medicação ou vacinação. Vale aqui o conselho que nossas mães e avós sempre nos deram: nunca corram, brinquem ou nadem após comer; dá "congestão". 


    Prefira comedouros e bedouros em aço inoxidável ao invés de bacias de plástico baratas (multirreciclados).


    A temperatura da água do banho deverá ser morna ou fria. Evite esfregar o cão em demasia, bem como, shampoos que prometem "realçar" a cor da pelagem ou clareadores de pelagem de marcas pouco conhecidas. Após o banho com cosméticos mantenha seu cão por perto.


    Se seu cão já apresentou um episódio de urticária e angioedema há grande chance que ocorra novamente
    Há grande risco de que as manifestações alérgicas se tornem mais severas caso haja novos contatos com o mesmo alergeno.


    Sirley Vieira Velho
    Canil Skonbull

    Direitos reservados

    Seja delicado, seja coerente e correto, cite a fonte original sempre.


    Referências

    1- Ring J; Belloni B; Behrendt H. Looking ahead in dermatology: skin and allergy, Actas Dermosifiliogr;100 Suppl 2:32-9, 2009 Dec. 
    2 -Administration of 5% human serum albumin in critically ill small animal patients with hypoalbuminemia: 418 dogs and 1.70 cats (1994-2008),Viganó F, Perissinotto L, Bosco VR. 
    3-Clinical manifestations of food allergy: An overview, Wesley Burks- Maio 2010 www.uptodate.com 
    4- An overview of angioedema: Pathogenesis and causes,  Clifton O Bighan. Maio 2010 www.uptodate.com

    Bulldog Francês em: Segredos do Padrão

    "Quero ter um Bulldog Francês. É meu sonho, mas gostaria de um filhote de valor mais em conta. Não me importo com o padrão."

    Afinal de contas o que é esse tal "Padrão Oficial da Raça"? 

    Cães de raça pura foram selecionados pela beleza e funcionalidade. Cães do grupo  9, como nossos queridos frenchies, são considerados não esportivos, são cães de companhia.
    Sim, mas onde está a funcionalidade?
    Apesar de não serem cães de trabalho eles possuem funcionalidade - SIM. Animais de companhia devem ser sociáveis, carinhosos, calmos, agradáveis, ter pelagem suave, face encantadora, olhar meigo, talhe compatível com o espaço doméstico  etc.

    "Então é disso que eu preciso. Embrulha um frenchie para viagem!"

    Será mesmo?

    BULDOGUE FRANCÊS

    O que chamam Padrão
    Confira na íntegra acessando o link abaixo.
    http://www.cbkc.com.br/padroes/pdf/grupo9/buldoguefr.pdf

    O padrão é formalizado no momento em que a raça é reconhecida por uma organização oficial de cinofilia. No Brasil estamos filiados a FCI (Fédération Cynologique Internationale). Existem outras entidades com padrões próprios que divergem muito pouco entre si.
    Leva muito tempo para que uma raça seja construída. Só em 1898 foi redigido o perfil oficial dos primeiros Bulldogues Franceses. Fixando algumas características e eliminando as indesejáveis chegou-se ao padrão atual, revisado pela última vez em 1998. Foram anos de árduo sacrifício. Criadores devem ter tido muito trabalho e os pobres cães com características preteridas foram descartados, sacrificados ou mesmo viraram ração, quem sabe? Em todos esses anos as mais variadas características devem ter sido observadas. Alguns traços foram relacionados a faltas graves, defeitos ou doenças, incompatibilidades com o meio ambiente etc. Os gostos pessoais de cada criador também devem ter sido relevantes na escolha da compleição física. A associação desses fatores e gostos particulares contribuiu para a formação do Padrão da Raça.
    Esse padrão foi sendo modificado de tempos em tempos para se adequar às características que as linhagens foram tomando ao longo desses cruzamentos tanto criteriosos como desastrados.

    Lembrei de uma velha citação alemã: "Male den Teufel nicht an die Wand, er kommt von selber" (Não pinte o diabo na parede, ele vem por si só). Talvez seja melhor não deixar tão explícito o que é ruim.

    Nas faltas graves e desqualificantes ao Padrão do Bulldog Francês algumas condições não tão explicitas podem ser enumeradas:

    FALTAS GRAVES
    - incisivos à mostra com a boca fechada; 
    http://www.frenchbulldogrescue.org/htdocs/available/bristolrose.html


    O Bulldog Francês é prognata. O padrão não descreve a intensidade do prognatismo. A mordida deve ser em tesoura invertida e os incisivos inferiores deverão apresentar-se diante dos superiores, mesmo que discretamente. Havendo prognatismo excessivo o cisalhamento oferecido pelos dentes torna-se ineficaz. Fêmeas durante o parto poderão eviscerar o filhote, expondo suas entranhas, ao tentarem cortar o cordão umbilical. É bom lembrar que cerca de 20% das fêmeas de BF são capazes de ter parto vaginal. O prognatismo excessivo é prejudicial ao cão podendo dificultar até mesmo o ato de comer.

    - língua à mostra com a boca fechada; 

    A macroglossia em BFs é alerta para um dos maiores males da raça que é o palato mole alongado, um dos principais componentes da síndrome braquicefálica. A necessidade de abrir espaço para ventilação pode exigir um esforço extra da musculatura sublingual tornando o posicionamento da língua mais anterior dificultando até a mesmo a mastigação. As dificuldades de ventilação que o palato mole alongado causa não são exclusivas dos cães de focinho curto, podendo ocorrer inclusive no Beagle.
    O hipotireoidismo, de considerável incidência entre os frenchies, também pode causar macroglossia.
    A torção de mandíbula também pode levar à exposição da língua com a boca fechada.
    Vale lembrar que em cães muito idosos pode ocorrer a exposição permanente da língua, mas sem nenhuma relação com as causas apontadas acima.

    - andadura com movimentos rígidos nos anteriores (cão batendo tambor);
    O hipotireoidismo, de considerável prevalência na raça, tem como um dos sinais a rigidez muscular que dificulta o controle fino dos movimentos. Essa circunstância confere um andar “durinho”, como se as pernas fossem de pau. É muito fácil reconhecer um frenchie com hipotireoidismo congênito. 

    - despigmentação na cabeça, exceto no caso previsto no padrão dos fulvos tigrados com manchas brancas médias e dos fulvos com manchas limitadas ou predominantes;
    A falta de pigmentação na trufa e pálpebras pode estar intimamente ligada à sensibilidade cutânea que favorece queimaduras solares e tumores de pele.

    - peso excessivo ou insuficiente.

    http://www.frenchbulldogrescue.org/htdocs/foster/sadiebug.html

    Peso insuficiente. Um BF adulto deve ter no mínimo 8 quilos, o que já significa um frenchie bem pequeno. Fatores nutricionais e hormonais podem estar associados a um desenvolvimento ponderal reduzido: ingestão calórico-protéica inadequada ou insuficiente, doenças intestinais disabsortivas, hipotireoidismo dentre outras causas.
    Clique (Frenchie Bulldog Mini Ashley.) e veja como os maus tratos e o desdém limitam o crescimento de um cão. Essa bulldoguinha foi resgatada e sua história e video foram lançados no YouTube.

    Fique atento ao buscar um filhote pequeno, ele pode ter ficado assim por privação de comida e cuidados.
    Peso excessivo.Frenchies pesando mais de 14 quilos podem ser considerados obesos ou mesmo grandes demais para uma raça que gosta e precisa de colo. Esses cães podem estar mais sujeitos ao trauma raquimedular bem como sofrerem de artrose em conseqüência da sobrecarga.


    DESQUALIFICAÇÕES
    - olhos de cores diferentes;
    http://www.flickr.com/photos/canineddogpictures/3385454927/in/set-72157615817010149/
    Pode ser uma característica geneticamente determinada e que muitas vezes se faz acompanhar por surdez.
    A heterocromia da íris também pode ser herdada como uma característica autossômica dominante simples, isto é, não associada a outras características fenotípicas. Esta é uma das características preocupantes em outras raças onde a seleção dos melhores exemplares se baseou predominantemente na ausência de surdez. É o que ocorre nos cães de pelagem azul merle como o Pastor de Shetland, Dachshund etc.

    - trufa de outra cor que não a preta
    Especialmente penalizada em cães de coloração mais escura, uma trufa clara denota diluição de cores. O cão pode carrear consigo o gene da diluição, embora ele próprio não apresente este fenótipo. A trufa clara está presente nos BFs chocolate e blue, por exemplo.
    Os BFs de cor creme (diluição do fulvo aceita pelo padrão da raça) também tendem a apresentar trufa um pouco mais clara, no entanto a palidez só ocorre no caso da pele estar muito bem hidratada. Em cães de pelagem clara quando a trufinha resseca a cor costuma estar entre o chumbo e o negro.

    - lábios leporinos


    Andy Mathis Art Co.: Bella- The interesting Case of the Week

    Na grande maioria dos casos ocorre como defeito congênito multifatorial e pode ou não acometer também o palato.
    São descritos como fatores envolvidos os componentes do cigarro inalados pelas fêmeas prenhes (fumantes passivas), alguns medicamentos e deficiência vitamínica, principalmente, no período mais precoce da gestação.
    A formação crânio facial é um evento complexo na embriogênese que envolve interação celular, migração e proliferação. Partes das células envolvidas no fechamento do crânio migram da crista neural do embrião. Essa intima ligação com o fechamento do tubo neural leva a pensar numa possível falha também nesse evento como a espinha bífida, por exemplo.
    Gera facilidade de broncoaspiração e pneumonias. É também penalizado pela falta estética.



    - incisivos inferiores em articulação atrás dos superiores;
    O micrognatismo é transmissível geneticamente nos seres humanos e pode estar associado a outras síndromes graves.

    - exemplares com os caninos à mostra com a boca fechada;

    Motivos estéticos? Além da carinha de morcego dentinhos de vampiro deixariam os pobres BFs com aspecto assustador.

    - orelhas não portadas empinadas;
    Fenotípo que pode sugerir a presença de genes conferidos por exemplares não puros inadvertidamente incluídos na linha de sangue.

    - mutilação das orelhas, da cauda ou dos ergôs;
    Segue a mesma justificativa aplicada às orelhas não eretas, pecando aqui a tentativa explícita de farsa.
    Nenhum tipo de mutilação vem sendo permitido em nenhuma raça, felizmente.


    - ergôs nos posteriores;
    Denomina-se ergô o quinto dedo nas patas traseiras. Embora possa ser considerado um órgão vestigial, alguns canídeos não os possuem como é o caso do lobo. O exemplo aguçou a curiosidade de pesquisadores que chegaram às alarmantes bases moleculares envolvidas nesse “inocente dedinho extra”.
    Assim como no homem a polidactilia é herdada genéticamente e mostra-se acompanhada de outros achados em mais de 50% dos casos.
    No São Bernardo a polidactilia é associada à agenesia de palato, vértebra torácica extra e costela supranumerária, ausência congênita de pavilhão auricular (anotia) e língua bífida.

    Em algumas raças de cães montanhezes acredita-se que o ergo simples ou duplo poderia auxiliar em escaladas. Nessas mesmas raças é alta a taxa de mortalidade precoce bem como prevalência de doenças articulares. Em algumas raças também se associa a polidactilia à gastrite e a linfangiecstasia.

    - pelagem preta e castanho, cinza rato ou marrom;




    A pelagem black and tan é característica de algumas raças, dentre elas o Pincher. Esse tipo de marcação também pode ser alcançado propositalmente pela seleção de cruzamentos.






    http://www.forum.rogerlebouledogue.com/le-type-bouledogue-bleu-vt1128-945.html
    A pelagem cinza rato ou azul é a expressão do gene diluído do preto (dd). A diluição do preto (azul ou cinza) traz conseqüências diversas em outras raças. Algumas tem essa cor em seu padrão, como é o caso do Weimaraner ou a cor isabela nos Greyhounds. Essa condição favorece de modo especial às doenças de pele tais como alergias, alopecia de flanco dentre outras. A Alopecia de flanco ocorre por displasia dos foliculos pilosos azuis e inicia-se entre os 6 meses até os dois anos de idade. Possivelmente essa correlação tenha levado à penalização da cor azul entre os frenchies.

    Link original não localizado





    A pelagem marrom ou fígado, também é indesejada uma vez que os exemplares nesta coloração apresentam olhos claros (tendendo ao amarelo), nariz, contorno dos olhos, lábios e orelhas pink, vermelhos ou marrons ao invés de pretos.


      - anurismo-
    Ausência de cauda (anurismo) é um defeito genético que geralmente associa-se a outros defeitos como atresia anorretal e múltiplas alterações vertebrais. Mesmo em raças que apresentam o anurismo em seu padrão já pode se observar a seleção dos cães com pequenas caudas pelos criadores.


    Tais apontamentos não são todos os possíveis e estão sujeitos a modificações. Esse texto foi elaborado a partir do estudo, observação e troca de experiências com outros criadores. Nosso objetivo, como o de todo criador conciencioso, é fortalecer a raça pela promoção de acasalamentos não tão díspares.
    Infelizmente  no Brasil a liberdade de informar as características de cada linhagem torna a pesquisa e avaliação do pedigree extensiva a poucas gerações.

    Sirley V Velho
    www.skonbull.com

    Referências:
    1-CBKC Padrão da raça Bulldo Francês. www.cbkc.com.br/padroes/pdf/grupo9/buldoguefr.pdf
    2- Marjo K. Hyto¨ Nen*, Anai¨S Grall*, BenoiˆT He´ Dan, et al. - Ancestral T-Box Mutation Is Present In
    Many, but Not All, Short-Tailed Dog
    Breeds. Journal of Heredity 2009:100(2):236–240
    doi:10.1093/jhered/esn085
    3-M. Welle, U. Philipp, S. Ru¨ Fenacht, et al. - Genotype Melanin Phenotype
    Correlation In Dilute Dogs. Journal Of Heredity 2009:100(Supplement 1):S75–S79
    Doi:10.1093/Jhered/Esp010.
    4- Sheila M. Schmutz, Tom G. Berryere, And Dayna L. Dreger.  - Mitf And White Spotting In Dogs:
    A Population Study. Journal of Heredity 2009:100(Supplement 1):S66–S74
    doi:10.1093/jhered/esp029
    5-Kiyun Park, a Joohyun Kang,a Sangjin Park,a Jihong Ha,et al.  - Linkage of the locus for canine dewclaw to chromosome 16. Genomics 83 (2004) 216–224, www.elsevier.com/locate/ygeno
    6-Louise Wilkins-Haug,  - Prenatal diagnosis of orofacial clefts. Last literature review version 18.2: Maio 2010, http://www.uptodate.com/home/store.do
    7- Priscila Guimarães  Otto,- Genética Básica Para Veterinária.  4ª Edição Roca, 2006.

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    Frenchie Bulldog, nem sempre querer é poder. Ele pode ser perfeito para você, mas será que você é adequado a ele?

    Somos buldogues franceses lindos, queridos, amigos, brincalhões, chicletinhos de nossos humanos, curiosos, carinhosos e chegadíssimos num colinho. Amamos a vida, as pessoas e os outros animais. Acreditamos na bondade, no amor, na aceitação do próximo do jeito que ele é. Sempre oferecemos a outra face porque temos certeza de que se nos machucaram só pode ter sido sem querer.


    Entender as peculiaridades da raça é algo para poucos. Por essa razão temos número de ninhadas extremamente reduzido. O Bulldog Francês definitivamente não é pra qualquer um, ou melhor, são poucas as pessoas adequadas a ele.
    Skonbull Luka

    O candidato a proprietário precisa:

    - Amar cães;
    - Não se importar com pêlos pela casa;
    - Ter em mente que está adquirindo um animal de companhia e que quem precisa de companhia é o animal;
    - Ter uma conta bancária adequada às necessidades de um animal exigênte. Ele precisa de excelênte alimentação, excelênte veterinário (por vezes até mais de dois diferentes e ao mesmo tempo);
    - Ter tempo disponível para correr com seu BF ao vet a qualquer hora e lugar. Eles são frágeis e uma simples picada de abelha pode mata-los.
    - Ter paciência para treina-los. Eles são muito inteligentes mas também bastante voluntariosos, ou seja, precisam de dono por perto SEMPRE.
    - Não se importar com móveis roídos. O BF pode conservar o hábito de roer por mais tempo que a maioria das raças, são adoráveis cão-pins.
    - Entender sua sensibilidade extrema ao calor e ser capaz de socorre-lo em face ao hiperaquecimento.
    - Entender que o BF, apesar de pequeno, é um cão que não se enxerga e por vezes pode desafiar cães bem maiores que ele.
    - Entender que trata-se de um cão extremamente inteligente e sensível e que necessita de um ambiente calmo e amoroso para poder viver mais e melhor.
    - Entender que o banho do cão deve ser dado preferencialmente em casa e pelo proprietário. Esse é um momento de intimidade e a hora em que o cão é "examinado" minuciosamente. É durante o banho que observamos de perto cada dobrinha e cada detalhe do cão. É nessa hora que podemos perceber alterações que durante os afagos do dia-a-dia não podemos notar.
    - Entender que não existe vet perfeito e buscar o conhecimento da raça por conta própria. Ler artigos técnicos, perguntar a veterinários e criadores, ter sede de informação. Compreender que essa é uma grande forma de você demonstrar o quanto ama seu cão.
    - Ter disponibilidade para os cuidados diários de que o BF necessita.
    - Lembrar-se de que assim como você, o BF também necessita ter sua higiene feita logo pela manhã ao acordar. Você não deixa para lavar o rosto só após o almoço, então por que seu cão deveria esperar até à noite pra ter suas pregas faciais limpas?

    E então? Ainda se habilita?

    Antes de optar por um cão de raça pura considere suas características físicas, temperamento, necessidade de exercícios e aspectos ligados a saúde e cuidados. Um animal é e será sempre totalmente dependente. O  convívio prazeiroso entre vocês se condiciona a sua disposição em atender à demanda do cão.

    Você sabia que um cão bem tratado pode ultrapassar 15  anos de vida?
    Adotar é um compromisso de longo prazo, pense nisso!

    Sirley Vieira Velho
    Canil Skonbull

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