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Segundo Capítulo da Série Zoonoses- Leptospirose

Estamos na primavera, época mais chuvosa do ano na região sul do país. Esse é o momento de estarmos atentos aos riscos da Leptospirose.
Vamos acordar!
 

Eles dormem alheios aos riscos, mas seus donos não.
Leptospirose
É um termo genérico que engloba uma série de doenças agudas e febris causadas por espiroquetas patogênicos do gênero Leptospira. As duas principais espécies são a L. interrogans (patogênica) e a L. biflexa (não patogênica). Outras leptospiras: L. inadai, L. borgpeterseni, L. noguchii, L. santarosai, L. weilii, L. kirshneri, L. meyeri, L. wolbachii.
A doença  existe de forma endêmica em todos os continentes e em condições específicas pode assumir características de surtos epidêmicos. Acomete o homem, animais domésticos e silvestres.
É uma zoonose de ocorrência elevada em nível similar ao da toxoplasmose.
A L. interrogans (patogênica) possui 23 sorogrupos e mais de 250 serovars (refere-se a variações distintas dentro de uma subespécie de bactéria baseada em associações de antígenos de superfície celular) que determinam a severidade da doença juntamente com a susceptibilidade do indivíduo. Os exames para determinação dos serovars se fazem por painéis de soros e não por biologia molecular. No entanto sabe-se que os diversos serovars diferem entre si pela genética e também pela virulência. 


Hospedeiro
O homem é um hospedeiro transitório e casual de leptospiras por um curto período da doença. Nele a cadeia epidemiológica é finalizada. Somente em casos excepcionais ocorre a transmissão inter hominis.
Os animais domésticos e silvestres podem ser portadores assintomáticos,  apresentar manifestações discretas, severas ou mesmo fatais. Dessa forma eles podem se tornar reservatórios de Leptospira.(1)
 
Hospedeiros ou Reservatórios?
Animais domésticos
- cão;
- rato;
- bovinos;
- suínos;
- ovinos;
- caprinos;
- equinos
Animais silvestres
- roedores;
- muitos carnívoros;
- marsupiais;
- coatis e racuns (na América do Norte).

Vacas, porcas, ovelhas, cabras, cadelas e mulheres podem abortar em consequência à infecção por leptospiras. Não costuma haver indicação para o abortamento terapeutico se a gravidez evoluir. Não é comum a ocorrencia de fetos mal formados. Desaconselha-se o aleitamento quando a lactante é exposta ou apresenta sinais da doença, pois o leite pode transmitir a leptospiras.


O rato de esgoto é o maior portador “são” universal, com taxa superior a 60%. Ele se infecta ainda filhote e torna-se reservatório de forma intermitente ou contínua por toda sua vida. Assim ele contamina o ambiente, particularmente a água. Exemplares muito jovens também podem sucumbir por leptospiras.
Na América do Norte o guaxinim urbano é considerado importante reservatório.

Contaminação

http://arcadenoe.ning.com/photo?sort=highestRated
Se dá pelo contato direto ou indireto com a urina de animais infectados. Geralmente a porta de entrada são cortes ou escoriações na pele, mucosas ou conjuntiva. Há controversias sobre a capacidade das leptospiras atravessarem a pele íntegra.

A água exerce papel primordial na transmissão das leptospiras já que a maior parte das contaminações ocorre através dela.  Em toda a parte onde a leptospirose é endêmica há um elo hídrico entre homem e animal. 


 A Doença
Após a exposição ao agente da  leptospirose o organismo pode responder com sintomas pouco específicos semelhantes a um resfriados comum. Nessa fase a adoção de medidas profiláticas , como o uso empírico de antibióticos, pode reduzir a agressividade da fase seguinte da doença. À fase de infecção inicial se sucede outra onde os anticorpos produzidos contra a leptospira passam a agredir também o organismo que os produziu: é a chamada fase autoimune. Ela pode cursar com manifestções de comprometimento hepático, meníngeo, pulmonar ou com coagulopatia e morte. Nesse período o tratamento visa a tomada de medidas de suporte como manutenção de sinais vitais com hidratação, oxigenação adequada, hemodiálise, tratatando as complicações que se sucedem. Não há medicamentos específicos. 
  • A lepstospirose tem apresentação súbita e inespecífica. As manifestações variam desde uma infecção subclínica, seguida por soroconversão (formação de anticorpos).O quadro inicial pode se assemelhar ao de um simples resfriado com coriza, febre, tosse e dores pelo corpo, mialgia importante que impossibilita a deambulação inclusive com elevação de CPK (marcador bioquímico de dano muscular).
  • Evolui como doença febril anictérica que pode ser autolimitada ou evoluir para complicações:  meningite, vasculopatia, falência renal, choque, hemorragia pulmonar e morte.
Estudos recentes mostram que a leptospirose é causa comum de doença febril indiferenciada. O tratamento precoce é essencial uma vez que a antibiótico terapia é de grande ajuda quando adotada no curso incicial da doençal. A opção do médico ou veterinário de iniciar o tratamento empiricamente pode ser a única chance do individuo.
O curso da infecção tem características semelhantes no animal e no homem. O cão pode ser acometido pela forma hemorrágica, grave e não raro fatal. O gato dificilmente adoece. Pessoas ou animais portadores de doença hepática correm mais risco de morte diante da leptospirose.

O tempo de incubação é em média de 10 dias (entre 2 a 26 dias)

No homem a mortalidade por leptospirose caiu um pouco depois que se passou a empregar diálise diária dos doentes graves até remissão total dos sintomas renais. Antes dessa, relativamente, recente mudança de conduta médica a mortalidade variava de 15 a 30%, mas ainda é bastante alta.

Ela pode matar de 10 a 20% dos cães contaminados (5)

São poucos os centros que dispõem de diálise para animais domésticos. Raros são os veterinários que reconhecem na diálise uma poderosa ferramenta para o tratamento dos animais doentes.

Curiosamente as manifestações da leptospirose em doentes infectados pelo HIV são as mesmas evidenciadas nos imunocompetentes.

Diagnóstico laboratorial
Testes sorológicos incluem:
  • teste de aglutinação microscópica (MAT), geralmente títulos superiores a 1:800 são indicativos de infecção atual ou recente por leptospiras (em soro humano podem ocorrer reações cruzadas com outras doenças como sifilis, doença de Lyme e legionella)
  • teste de aglutinação macroscópica;
  • hemaglutinação indireta;
  • ELISA;
  •  Novas técnicas como a reação em cadeia da polimerase (PCR) estão sendo utilizadas contribuindo para a celeridade no diagnóstico.

Vacinar contra leptospirose ou não, eis a questão.
A grande variedade de serovars que podem infectar o homem dificulta a produção de uma vacina para humanos. Já a vacinação para animais, especialmente gado é possível, mas a imunidade dura poucos meses. Até o ano 2000 as vacinas para cães cobriam os serovars canicola e icterohaemorrhagiae, cuja incidência vem diminuindo. Outros serovars também podem infectar os cães como  grippotyphosa, pomona e bratislava. Novas vacinas imunizam também contra os serovars grippotyphosa e pomona.
A vacina contra leptospirose é uma das que mais causa reações adversas, pelo fato de utilizar bactérias inativadas. Sua proteção dura entre 6 e 8 meses. Alguns veterinários recomendam a vacinação de cães  no mínimo após a 12 ou 16 semanas de vida devido aos riscos de reações importantes.
Converse com seu veterinário a respeito do custo beneficio da vacinação para seu animal. Animais que vivam sob condições de risco poderiam se beneficiar pela vacina.

A importância dos animais portadores depende de diferentes fatores, sendo o pH um deles. As leptospiras, apesar de agressivas, são muito sensíveis e no geral não resistem à acidez (pH menor que 7) sendo justamente as patogênicas as mais susceptíveis. A urina do homem, por exemplo, é bastante ácida  não conferindo perigo de contaminação por matar as leptospiras.
Outro fator importante é o ambiente onde vive o animal portador. Os animais que eliminam leptospiras em ambientes desfavoráveis, onde elas sejam rapidamente destruídas, tem pouca importância na transmissão. Portanto um cão, ainda que portador, mas que viva em ambiente limpo, seco e arejado, em tese, não ofereceria riscos. 

 Ambientes de risco: os locais sujeitos a alagamentos, terrenos lamacentos, plantações de arroz. O pH neutro ou ligeiramente básico destes solos e a presença de água contribuem para a sobrevida das leptospiras por dias ou mesmo meses.
Cães que costumam caçar estão mais expostos ao risco de contrair leptospirose.
Assim como acontece com o homem, os animais também se contaminam pelo contato com água infectada.


Desintectando o ambiente:
 
Hipoclorito de sódio (água sanitária) diluído a 10% é a forma prática, barata e eficaz de limpar pisos e calçadas eliminado leptospiras. 
 
Sob o ponto de vista prático
Salvar uma vida depende da identificação precoce da doença e inicio imediato de tratamento. Se houver exposição a riscos, como enchentes, vazamento de esgotos etc, solicite ao veterinário que medique profilaticamente, com antibióticos, o seu cão. O médico provavelmente faria o mesmo por você.
Lembre-se de que seu bichinho só pode contar com você.


É bom saber:
Embora cães estejam relacionadados a algumas zoonoses os riscos de infectarem seus donos são pequenos e podem ser ainda mais reduzidos se adotarmos  simples precauções.

 Leia também: Quem tem medo de Zoonoses? Primeira Parte.

Antes de optar por um cão de raça pura considere suas características físicas, temperamento, necessidade de exercícios e aspectos ligados a saúde e cuidados. Um animal é e será sempre totalmente dependente. O convívio prazeroso entre vocês se condiciona a sua disposição em atender à demanda do cão.

Você sabia que um cão bem tratado pode ultrapassar 15 anos de vida?

Adotar é um compromisso de longo prazo, pense nisso!
Sirley Vieira Velho
http://www.skonbull.com/

Direitos Reservados 
Seja gentil, seja coerente e correto, cite a fonte original sempre! :) 

 
Referências
1- Ricardo Veronesi - Doenças Infecciosas e Parasitárias ; Ed Guanabara Koogan, Rio de Janeiro- RJ
2- Glasser CA - Animal-associated opportunistic infections among persons infected with the human immunodeficiency virus ; Angulo FJ; Rooney JAs;Program in AIDS Prevention Studies, University of California, San Francisco 94105.
3-Yupin Suputtamongkol et all- Strategies for Diagnosis and Threatment of Supected Lepospirosis: A Cost- Benfit Analysis-. Bankok Thailand ; February 2010.
4-Camille N Kotton- Zoonoses From Dogs; http://www.uptodate.com/home/store.do. Maio 2010
5-Gillian D. et all - Increase in seroprevalence of canine leptospirosis and its risks factors; Ontario, Canada 2008.
6 -Kaplan JE; Masur H; Holmes KK- Guidelines for preventing opportunistic infections among HIV-infected persons--2002. Recommendations of the U.S. Public Health Service and the Infectious Diseases Society of America.
7- Centers for Disease Control and Prevention USA http://www.cdc.gov/healthypets/health_prof.htm#petscription
8- Setúbal, Sérgio - Lepospirose,  Faculdade de Medicina, Universidade Federal Fluminense 2004 http://labutes.vilabol.uol.com.br/lepto.htm

Quem tem medo de zoonose? Primeira Parte

Tanguy ama seu pet


Entre cães e gatos

Os animais representam importante papel em nossas vidas. Mais do que simples pets eles ocupam espaço em nossas famílias e em nossos corações. São entes mais do que queridos, nós os mimamos e os tratamos como bebes. Eles melhoram a saúde física, mental e emocional das pessoas. Reduzem o estresse, aumentam os níveis do bom colesterol, reduzem a pressão arterial, reforçam a imunidade, curam depressão dentre outros benefícios. No entanto para que o convívio permaneça salutar para animal e dono devemos estar atentos aos cuidados indispensáveis.


 Zoonose, que bicho é esse?
Sabe-se que temos muito mais semelhanças com os animais do que diferenças. São essas semelhanças que nos aproximam tanto de nossos bichinhos de estimação. Essas mesmas semelhanças podem fazer com que patógenos de animais sejam capazes de agredir também o homem e vice-versa.
As zoonoses resultam de uma complexa interação entre patógeno, hospedeiro e ambiente. Podem ser transmitidas por animais domésticos, silvestres ou parasitas desses animais.
Novas técnicas de biologia molecular vem sendo criadas e são de grande auxilio no diagnóstico dessas doenças.
Então zoonoses nada mais são do que doenças dos animais que podem ser transmissíveis ao homem.


A despeito dos inúmeros pontos positivos dos pets as zoonoses podem representar riscos especialmente para pessoas imunocomprometidas:

- esplenectomizados (quem sofreu a remoção cirúrgica do baço, um importante órgão no sistema imunológico)(2);
- doentes com Aids. Para os que desejam um bichinho de estimação é aconselhável cães com mais de 6 meses de idade ou gatos com mais de um ano. Precauções extras devem ser tomadas ao optar por animais oriundos de abrigos, pet shops, feiras de animais ou de criadores que ofereçam  muitas "facilidades". Os cuidados sanitários podem não ser muito padronizados nesses locais e isso os expõe  a maiores riscos.
Atualmente é de entendimento geral que os pets oferecem mais benefícios do que riscos ao portador do vírus HIV(2), contudo é desencorajada a aquisição de répteis, ferrets e outros animais exóticos.
- pessoas que estejam utilizando medicamentos imunossupressores: transplantados, em uso de quimioterapia para câncer, atrite reumatóide, lupus e outras doenças do colágeno. Esses doentes deveriam evitar o contato com animais, seus dejetos ou mesmo seu ambiente(2). Travesseiros de penas não deveriam ser usados(4).


Saiba como reduzir e eliminar riscos adotando precauções muito simples.

A  chave no combate às zoonoses está na saúde de seu pet e nos cuidados que você dispensa a ele. 
 
- Visitas regulares ao veterinário para exame cuidadoso de seu animalzinho;

- Escolha de vacinas de boa qualidade e em estabelecimentos confiáveis. A temperatura de armazenamento das vacinas é fundamental. Certifique-se de que é feito controle de temperatura das geladeiras. Algumas clínicas ficam fechadas à noite ou durante o fim de semana. É preciso que haja dispositivos que registrem a variação da temperatura das geladeiras onde as vacinas são armazenadas. Assim se houver queda de energia a ponto de comprometer sua eficácia deverão ser desprezadas. Você acredita que sua clínica favorita adotaria essa postura?
Há sensores eletrônicos (temperature and humidity data loggers), amplamente disponíveis no mercado, menores que um pendrive, que registram toda e qualquer oscilação de temperatura dentro de caixas de transporte de vacina ou hemocomponentes. Até o presente momento eles são que há de mais seguro, preciso e, ao menos por enquanto, "imunes" a adulteração de registros. Servem como controle de qualidade de empresas que realmente se responsabilizam pelo produto que fornecem.

- Controle sistemático de parasitas externos e internos dos animais (carrapatos, pulgas, piolhos, ácaros e verminoses) bem como o controle dessas pragas no ambiente.


- Controle de parasitas internos das pessoas que convivem diretamente com os animais. SIM, dos humanos, é isso mesmo! Faça exame parasitológico de fezes, pois você também poderá infectar seu cão. Para quem ainda não digeriu o fato lá vai : somos todos animais!

- Alimentação adequada. Se você oferece alimentação natural crua a seu cão ou gato esteja atento quanto à procedência das carnes que utiliza bem como aos cuidados no preparo.


Selecione os alimentos. Não compre cão por lebre.
- Combate sistemático a moscas, mosquitos, baratas e roedores.

- Lave as mãos depois de brincar com seu animal ou limpar suas caquinhas.

- Cães e gatos são muito fofos, mas procure não beijá-los. Evite também as lambidas, especialmente, nas  crianças. 


- Crianças e animais são naturalmente atraídos. O contato entre eles é extremamente benéfico para a saúde e desenvolvimento psicomotor. Crianças muitos pequenas costumam brincar de morder e levam tudo à boca. Evite que elas lambam ou mordam seu cão.


- Se você tem crianças e deseja adotar um cão é aconselhavél um exemplar já adulto. Eles não brincam de morder e arranham menos que os filhotes. São mais adequados ao convívio com crianças e  menos vulneráveis a brincadeiras "infantís" que possam feri-los ou mesmo mata-los. Nunca permita que crianças brinquem com  filhotes sem a supervisão de um adulto. Animais não são briquedos, a vida é frágil!

-Tenha cuidado ao selecionar seu pet. 


Zoonoses mais comumente associadas aos cães
 
Elas podem ser causadas por bactérias ou parasitas e apresentam diferentes formas de transmissão:
1- Transmissão Através da Saliva Fluidos ou Aerosois  contaminação por mordida, ou mesmo saliva sobre uma lesão já existente na pele,  mocosas ou vias aereas;
1.1 Virais
- Raiva, doença cusada por vírus e transmitida através da saliva (geralmente pela mordida), somente animais contaminados são transmissores. A maioria dos mamíferos é sucetível a ela, sendo equinos e bovinos os mais vulneráveis devido aos ataques por morcegos hematófagos. Não existe portador são. Não existe cura. O reservatório na natureza é o morcego.
É bom lembrar:
*morcegos insetívoros e frugívoros não transmitem a raiva. Esses animais controlam pragas e promovem a polinização.
1.2 Bacterianas
1.2.1- Pasteurella spp (P. canis e P. dogmatis) coco bacilo gram negativo que tanto pode ser um comensal ou patógeno na cavidade oral dos cães. Pode causar artrite séptica e osteomielite.  Outras espécies são apontadas por causarem infecções no homem e com maior prevalencia. 

1.2.2- Capnocytophaga canimorsus e C. cynodegmi, bactérias que fazem parte flora oral de cães e gatos saudáveis e são transmitidas pela mordida ou arranhadura desses animais. O C. canimorsus pode causar sepsis e meningite fulminante especialmente em pacientes esplenectomizados e etilistas.C. cynodegmi pode causar uma infecção menos severa, geralmente restrita a pele e tecidos moles. 
1.2.3- Brucella: transmissão por aerosois. A Brucella canis tem distribuição mundial, mas não costuma infectar o homem, sendo incomum notificações de infecções humanas por ela.  Os raros casos estão ligados a contato com placenta.
A brucelose humana está geralmente associada à B.melitensis, B. suis e B. abortus
1.2.4- Bordetella bronchiseptica -  Causa a tosse dos canis em cães, coriza em coelhos e rinite afrófica em leitões. A contaminação se dá por aerosois. Cães que habitam portos podem carregar pequenos números dessa bactéria em sua orafaringe.
Embora a infecção seja rara em humanos ela tem sido reportada em individuos imunocomprometidos.
                                                                                 
2-Transmissão Fecal no simples ato levar a mão suja à boca ou pelo consumo de hortaliças contaminadas você poderá ingerir, bactérias,  cistos ou ovos presentes nas fezes de animais contaminados;
2.1 Bacteriana
- Samonella spp sendo o sorotipo Typhimurium um dos mais reportados. Pode causar gastroenterites severas ou ser assintomática. Sua importancia decorre justamente dos portadores sãos, assintomáticos.

- Campylobacter spp: a infecção pode ser transmitida por cães adultos e filhotes e merece atenção  de criadores, especilamente porque humanos também podem transmiti-la aos cães. Essa infecção resulta em  sepsis e morte em filhotinhos rescem nascidos.
2.2 Por Protozoários
 
- Giardia spp ( G. lamblia, G. duodenalis ou G. intestinalis)
É um protozoário flagelado que parasita o sistema gastrointestinal causando diarréias. A forma contaminante é o cisto, forma bastante resistente que é eliminada junto com as fezes do animal. Os portadores, tanto animais quanto humanos, podem ser também assintomáticos. Merece especial atenção dos criadores pois essa infecção é capaz de dizimar ninhadas inteiras de cães ou gatos. 

2.3 Por parasitas intestinais 
2.3.1 Toxocara canis
 É um nemathelminto (verme redondo, lembrando espagueti) e causa a larva migrans viceral e a larva migrans ocular no homem. Os vermes adultos habitam o intestino delgado de cães não desverminados e ali liberam seus ovos. A contaminação do homem se dá pela ingestão dos ovos através das mãos contaminadas com dejetos do animal, solo contaminado ou vegetais crus não higienizados. É possível encontrar ovos do parasita nos pelos da região perianal dos animais infectados(8).
A infestação severa de filhotes pode leva-los a morte e requer tratamento especial a base de vermifugos e óleo mineral. A toxocaríase produz eosinofilia maciça tanto no cão quanto no homem.

2.3.2 Ancilostoma caninum e Ancilostoma braziliensis
Esses pequenos parasitas medem cerca de 10mm e habitam o intestino delgado de cães e gatos. São os agentes etiológicos da larva migrans cutânea, o "bicho geográfico". O ovos são eliminados nas fezes e em 24 a 48 horas eclodirão as larvas que se movimentam ativamente permanecendo no solo. Elas rompem a barreira cutânea intacta do homem e também do cão e cavam túneis sob a pele formando lesões serpinginosas e pruriticas.

2.3.3 Echinococus granulosos
Cães e outros mamíferos carnívoros sãos os hospedeiros definitivos desse pequeno verme achatado, cestódeo. Os vermes adultos habitam o intestino delgado desses animais e ali liberam seus ovos.
Na fase larvária os hospedeiros são ovinos, suinos, bovinos e muitos outros mamíferos, inclusive o homem. Os ovos ingeridos liberam o embrião hexacanto que alcança a corrente sanguínea. O embrião irá atingir um órgão: fígado, pulmão, rins ou cérebro e ali a larva irá assumir forma cistica e fixa formando o cisto hidático. A hidatidose assume importância e consequencias de acordo com sua localização.
 Os hospedeiros definitivos se infectam ao ingerirem carnes cruas contendo o cisto hidático.

2.3.4 Dipylidium caninum
Cestódeo frequente em cães e gatos de todas as partes do mundo, raramente é encontrado no homem. Uma tenia longa que mede entre 25 a 35com de comprimento sendo que alguns autores chegam a afirmar que possa atingir até 70cm. Tem como característica principal o fato de os proglotes grávidos eliminados com as fezes apresentarem movimento ativo, diferentemente de outras tenias.
Os hospedeiros intermediários são a pulga do cão (Ctenocephalides canis) e do gato (Ctenocephalides felis) e ocasionalmente a Pulex irritans (ataca mais o homem e ocasionalmente o cão) e o malófago, "piolho" do cão (Trichodectes canis). O homem se infesta circunstancialmente ao ingerir o inseto que abriga a forma larvária do verme.
A dipilidose humana é relativamente rara, sendo em geral observada em crianças. As infestações humanas costumam ser por pequeno número de parasitas e assintomáticas.

3- Transmissão através da água contaminada com urina de animais;

3.1 Leptospirose. Doenca transmitida por uma bactéria espiroqueta tanto pode ser assintomática como provocar reações exacerbadas que podem levar  a morte. Por ser tema extenso e de importancia será abordado posteriormente.


Algumas zoonoses conhecidas:


•Antrax
•Febre Amarela
•Doença de Lyme
•Leishmaniose
•Criptococose
•Toxoplasmose
•Anaplamose
•Babesiose
•Erlichiose
•Tifo
•Tuberculose
•Tétano
•Sporotricose
•Yersiniose
•Fasciolase
•Cisticercose
•Balantidíase
•Influenza
•Malária
•Hanseníase
•Peste
•Dermatofitoses
•Richetsioses
•Nocardiose
•Pscitacose
•Ornitose
•Doença de Chagas
•Listeriose
•Hantavirus
•H1N1
•Gripe aviária
•Dirofilariose
•Miiase
•Esquistossomose
•Encefalite de St. Louis


É bom saber:
Embora cães estejam relacionadados a algumas zoonoses os riscos de infectarem seus donos são pequenos e podem ser ainda mais reduzidos se adotarmos as simples precauções acima descritas.

Falaremos de algumas zoonoses ligadas a cães e gatos e suas principais manifestações em postagens subsequentes.


Antes de optar por um cão de raça pura considere suas características físicas, temperamento, necessidade de exercícios e aspectos ligados a saúde e cuidados. Um animal é e será sempre totalmente dependente. O convívio prazeiroso entre vocês se condiciona a sua disposição em atender à demanda do cão.


Você sabia que um cão bem tratado pode ultrapassar 15 anos de vida?


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Sirley Vieira Velho
http://www.skonbull.com/

Direitos Reservados

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Referências
1- Ricardo Veronesi - Doenças Infecciosas e Parasitárias ; Ed Guanabara Koogan, Rio de Janeiro- RJ
2- Glasser CA - Animal-associated opportunistic infections among persons infected with the human immunodeficiency virus ; Angulo FJ; Rooney JAs;Program in AIDS Prevention Studies, University of California, San Francisco 94105.
4-Camille N Kotton- Zoonoses From Dogs; http://www.uptodate.com/home/store.do. Maio 2010
5-Gillian D. et all - Increase in seroprevalence of canine leptospirosis and its risks factors; Ontario, Canada 2008.
6 -Kaplan JE; Masur H; Holmes KK- Guidelines for preventing opportunistic infections among HIV-infected persons--2002. Recommendations of the U.S. Public Health Service and the Infectious Diseases Society of America.
7- Centers for Disease Control and Prevention USA http://www.cdc.gov/healthypets/health_prof.htm#petscription
8- Amaral HL et all- Presença de ovos de Toxocara canis sobre pelo de cães: Um fator de risco para a larva migrans visceral. Universidade Federal de Pelotas, Capão do Leão, Rio Grande do Sul.

Imagens próprias e protegidas por direitos autorais.

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