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Braquicefalia,acondroplasia e nanismo. Tecla SAP por favor...

“Feliz aquele que transfere o que sabe e aprende o que ensina” Cora Coralina

 Muitas raças são frutos da fixação de discretas, ou nem tão discretas,  mutações através de intensa seleção artificial.
Cada raça é definida por um conjunto de características especificas
  • Tamanho; 
  • Comportamento; 
  • Comprimento, textura e coloração da pelagem;
  • Forma do corpo, crânio e face. 
  • Algumas peculiaridades fenotípicas e mesmo mutações genéticas são compartilhadas por diferentes raças. (1).


Frenchies são apaixonantes ao primeiro olhar. Sua graça irresistível tem explicação: eles lembram os bebês humanos: cabeça grande, olhinhos enormes e alertas, bochechas fofas, baixinhos e parrudinhos. O conjunto de características se deve à sobreposição de duas condições geneticamente herdadas:

Note que sutura coronal é uma das últimas a consolidar em um cão não braquicefálico . Crânio de chiuaua                                  
  • Braquicefalia: essa característica confere a famosa “cara chata”. O crânio se mostra encurtado longitudinalmente. Isso é devido à ossificação precoce da sutura coronal às demais linhas de ossificação do crânio que irá permitir o crescimento lateral conferindo a forma larga e curta. Raças como Boxer, Bulldog Campeiro, Old English Bulldog etc são exemplos de braquicefálicos não acondroplásicos.
  • Acondroplasia: forma mais freqüente do nanismo. Sua principal característica é a desproporcionalidade da cabeça e membros em relação ao tronco. 
  • Existem cerca de 100 diferentes tipos de nanismo. A acondroplasia é a forma mais comum dessa rara manifestação. Estudos histológicos mostram indiscutível semelhança entre os tecidos ósseos de raças caninas acondroplásicas e humanos também afetados. As características físicas são muito semelhantes entre os acometidos das duas espécies. Por essa razão cães com a compleição física do Bulldog Francês, Bulldog Inglês, Shih Tzu, Pequinês são classificados como acondroplásicos. Contudo as bases genéticas do nanismo canino não estão completamente elucidadas como acontece na raça humana.
·        Em raças caninas as seleções de cruzamentos fixaram a condição que é geneticamente transmitida por herança autossômica recessiva. Ela determina desenvolvimento anormal das cartilagens ósseas resultando em tronco e membros encurtados.


Crescimento ósseo e acondroplasia

O esqueleto é formado por dois tecidos: cartilagem e osso. Eles se originam de células específicas: - condrócitos que formam a cartilagem, um precursor do osso
- osteoblastos que formam o osso.
Durante o desenvolvimento embrionário esses dois tecidos se originam a partir das células do mesênquima. Os ossos longos são formados pela ossificação do tecido endoncondrial. As células do mesenquima se diferenciam em condrócitos, os quais proliferam tornando-se hipertróficos. A matriz em torno das células se calcifica, e o espaço entre elas é invadido por vasos sanguíneos. O advento da vascularização permite a chegada dos osteoblastos que produzirão tecido ósseo nessa matriz ou molde cartilaginoso. O processo é finalizado pela substituição da cartilagem por tecido ósseo.
Ao nascimento a substituição da cartilagem por osso ainda não se completou e há uma placa de cartilagem entre as epífises (cabeças dos ossos longos) e metáfises (porção medial dos ossos longos). Essa porção cartilaginosa é chamada placa de crescimento. Ela permite o crescimento longitudinal dos ossos longos (ossos das pernas e braços). Ao final da puberdade a placa de crescimento terá sido completamente substituída por osso, encerrando assim o crescimento em estatura do individuo. 
A placa de crescimento é formada por três camadas de condrócitos: 
  • Camada de repouso: logo abaixo da epífise óssea contém condrócitos em relativa quiescência. Essas células apresentam-se sozinhas ou aos pares e encontram-se dispersas em leito rico em matriz cartilaginosa. 
  • Zona proliferativa:  como os nome indica há novos condrócitos  surgindo constantemente. Eles são células achatadas e se mostram em colunas paralelas alinhadas ao longo do eixo ósseo. Conforme se proliferam alcançando as diáfises elas se diferenciam e com isso sua capacidade proliferativa cessa. 
  • Camada hipertrófica: Finalizado o processo de diferenciação os condrócitos tornam-se hipertróficos e arredondados, repletos de vesículas capazes de secretar matriz que será depositada no meio extracelular. Essas vesículas servirão como sítios de mineralização. Ao final da diferenciação os condrócitos morrem deixando lacunas que serão invadidas por vasos sanguíneos. A vascularização permite a chegada de céulas do estroma, condroclastos  e osteroblastos. 
Dois terços da matriz cartilaginosa mineralizada será reabsorvido pelos condroclastos; o outro terço servirá como molde para a deposição de matriz óssea pelos osteoblastos.
Na acondroplasia, circunstância geneticamente determinada, ocorre alteração na diferenciação e proliferação dos condrócitos. Em consequencia haverá alterações nos componentes extracelulares da matriz das placas de crescimento que compromete o desenvolvimento dos ossos longos.

Assim como no homem, o nanismo em cães também pode ter como causa, dentre outras o: 
  • Hipopituitarismo: insuficiência da glândula pituitária ou hipófise.
  • Hipotireoidismo (nanismo desproporcional): insuficiência da glândula tireóide.
Em humanos o “teste do pezinho” faz o rastreamento de uma série de erros inatos do metabolismo a partir de uma semana de vida e detecta inclusive as deficiências hormonais aqui citadas. 
É possível detectar e tratar o hipotireoidismo congênito em cães com poucos dias de vida.  O diagnóstico em recém nascidos baseia-se nos sinais clínicos e pode ser feito por profissional bem preparado. 
Infelizmente a maioria dos filhotes afetados morrerá sem diagnóstico ou tratamento.


Algumas condições associadas à acondroplasia


Assim como no homem, cães de raças acondroplásicas  requerem cuidados especiais com sua saúde.
É uma condição geneticamente determinada que afeta o crescimento, mas não o intelecto ou a expectativa de vida.








Note a semelhança entre o cão e o humano acondroplásico. Há uma lordose, curvatura lombar anormal da coluna vertebral.
  • Malformações vertebrais e articulares, que podem levar a perda transitória ou permanente dos de movimentos dos membros posteriores . Nesse aspecto os cães levam franca vantagem por serem quadrúpedes. Podem ocorrer hérnias ou desgaste de discos intervertebrais, geralmente na idade adulta.
  • Convulsões.
  • Devido às alterações da face podem sofrer de problemas respiratórios. No frenchie o stop acentuado traduz a deformidade facial típica da acondroplasia (2),  mais marcante em relação a outros braquicefálicos.
  • As deformidades faciais podem se estender ao ouvido, nariz e garganta. Num ouvido normal a tuba auditiva é reta. Em indivíduos acondroplásicos ela pode apresentar-se curva, facilitando o acúmulo de umidade e, consequentemente, as otites de repetição. Não é incomum o animal perder a audição com o passar dos anos. É importante o cuidado constante com os ouvidos.
  • Faltas dentárias ou complicações ortodônticas devido à mandíbula e maxilar pequenos.
  • Protusão da língua;
  • Apnéia do sono de maior incidência no Bulldog Inglês. Acredita-se ser a responsável pela morte sem causa aparente de rescém nascidos acondroplásicos  (10);
  • Artroses especialmente se estiverem com sobrepeso ou obesos. É importante manter uma alimentação balanceada e exercícios para que vivam mais e melhor;
  • Possibilidade de displasia coxofemoral. Esta dificilmente será limitante para um frenchie por seu pequeno tamanho e musculatura bem desenvolvida.
  • Distrofia torácica como o Pectus carinatum (peito de pombo).
  • Os filhotes tendem a ser "molinhos" por mais tempo que raças não acondroplásicas. Em alguns pode haver um retardo no fortalecimento do tônus muscular compromentendo o inicio da deambulação.
  • Prolápso vaginal, mesmo em nulíparas. 
  • Devido à estreita pélvis e a grande cabeça dos bebes os partos se dão por cesariana na maioria das vezes (4), (5);
  • Pela compleição física, pequenos e entroncados, a dose dos medicamentos anestésicos deve ser individualizada. É importante a verificação de seu peso antes administrar qualquer remédio.
  • Incidência aumentada de leiomioma, tumor benigno de útero. A fêmea geralmente não apresenta corrimento, aumento de mamas ou outros sinais significativos. 
 Dada as peculiaridades da condição os cuidados e condutas médicas devem ser singulares podendo não seguir as linhas gerais da prática veterinária.


    Acondroplasia X Anestesia

    Na acondroplasia o espaço ocupado pela medula espinhal é reduzido, ocorre estenose na coluna vertebral.
    Em pessoas com nanismo as anestesias regionais (peridural e raquianestesia) não são recomendadas e sua utilização se faz com muito critério e ressalvas, a despeito de todos os recursos de que dispõe a medicina humana (5), (6), (7). Essa opção pode ser perigosa devido ao pequeno espaço subaracnóide e risco de lesão nervosa.
    Entubá-los pode ser difícil, tudo neles é pequeno. Sua região cervical  é curta e vulnerável a luxações (instabilidade atlantoaxial) com trauma raquimedular. Há necessidade de muita cautela no manuseio evitando movimentos bruscos e hiperextensão do pescoço.

    Maiores considerações anestésicas

    Avaliação pré-anestésica de vias aéreas e estabilidade do pescoço
    • Manutenção de uma posição neutra durante a manipulação do pescoço
    • A necessidade do uso de tubo endotraqueal pequeno (pelo difícil acesso às vias aéreas) pode dificultar a ventilação.
    • A documentação cuidadosa de déficits neurológicos pré-operatórios
    • Estenose espinhal e desalinhamento vertebral podem complicar
    uma abordagem regional
    • Problemas de ventilação são comuns no pós-operatório
    • Não há contra-indicações para o uso de medicamentos específicos, mas o profissional deve ser extremamente criterioso na escolha avaliando tempo de metabolização e efeitos na ventilação.
    • Técnica meticulosa e atenção aos detalhes.





    O nanismo ou acondroplasia não é uma doença. No entanto predispõe o individuo ao risco de alguns problemas de saúde.
    Com cuidados adequados esses indivíduos terão vidas normais, ativas e tão longas quanto às de qualquer um.
    Algumas circunstâncias, consideradas próprias dos frenchies, ocorrem com relativa freqüência em raças ditas anãs. Não é segredo que alguns frenchies podem deixar de caminhar, perder a continência fecal e urinária de forma transitória ou permanente por um acidente ou falta de precaução e cuidados.
    Alguns perdem a vida devido à falta de conhecimento por parte de proprietários, criadores e veterinários.

    "Prá nunca perder
    Esse riso largo
    E essa simpatia
    Estampada no rosto...
    Cuide-se bem!
    Perigos há por toda a parte
    E é bem delicado viver
    De uma forma ou de outra
    É uma arte, como tudo..."
    -Guilherme Arantes

    Bulldogues Ingleses sorridentes

    Considerações:
    Antes de optar por um cão de raça pura considere suas características físicas, temperamento, necessidade de exercícios e aspectos ligados a saúde e cuidados. Um animal é e será sempre totalmente dependente. O convívio prazeroso entre vocês se condiciona a sua disposição em atender à demanda do cão.
    Você sabia que um cão bem tratado pode ultrapassar 15 anos de vida? Adotar é um compromisso de longo prazo, pense nisso!
    Sirley Vieira Velho
    www.skonbull.com
    Direitos Reservados
    Seja gentil, seja coerente e correto, cite a fonte original sempre! :)


     Agradecimentos
    Nosso muito obrigado ao amigo Rodrigo Pessoa que gentilmente nos cedeu as fotos de seus lindos Bulldogues Inglêses. Com pesar pela perda recente do pequeno Barão...


          Referências
    1. Danika Bannacsh et all - Localization of Canine Brachycephaly Using An Across Breed Mapping Approach - Plosone www.plosone.org - March 2010
    2. Simón Martínez., Raúl Fajardo, Jesús Valdés et all- Histopathologic study of long-bone growth plates confirms the basset hound as an osteochondrysplastic breed- The Canadian Journal of Veterinary Research- Frebruary 27, 2006.
    3. S. A. Bingel,R. D. Sande, Chondrodysplasia in the Norwegian Elkhound.American Journal of Pathology, Vol 107, 219-229, Copyright © 1982 by American Society for Investigative Pathology
    4. Ghumman S. et all- Pregancy in an achondroplastic dwarf: a case report. J Indian Med Assoc. 2005 Oct;103(10):536, 538
    5. Huang J, Babins N.- Anesthesia for cesarean delivery in an achondroplastic dwarf: a case report- AANA J. 2008 Dec;76(6):435-6
    6. T.Tsubokawa et all- Propofol pharmacokicinetics in a dwarfism patient- Acta Anaesthesiol Scand 2003; 47: 488490
    7. Carla Aparecida Batista LorigadosI; Franklin de Almeida StermanII; Ana Carolina B. Fonseca PintoII- Estudo clínico-radiográfico da subluxação atlantoaxial congênita em cães- Braz. J. Vet. Res. Anim. Sci. vol.41 no.6 São Paulo Nov./Dec. 2004
    8.  Michel ShaerSinais - Clínicos: Pequenos Animais- Editora Artes Médicas Veterinásria-2009
    9. Richard W. Nelson, C. Gulhermo Couto et all- Medicina Interna de Pequenos Animais- Elsevier Editora- 4ª Edição 2010
    10. Little People www.littepeople.org 
    11. French Bulldog Z  www.frenchbulldogz.org
    12.  Pollinger JP et all- Selective sweep mapping of genes with large phenotypic effects.Department of Ecology and Evolutionary Biology, University of California, Los Angeles, California 90095-1606, USA. Genome Res. 2005 Dec;15(12):1809-19.
    13.  Meyers-Wallen VN - Ethics and genetic selection in purebred dogs.James A. Baker Institute for Animal Health, College of Veterinary Medicine, Cornell University, Ithaca, NY 14853, USA.Reprod Domest Anim. 2003 Feb;38(1):73-6. 


    Quem tem medo de zoonose? Primeira Parte

    Tanguy ama seu pet


    Entre cães e gatos

    Os animais representam importante papel em nossas vidas. Mais do que simples pets eles ocupam espaço em nossas famílias e em nossos corações. São entes mais do que queridos, nós os mimamos e os tratamos como bebes. Eles melhoram a saúde física, mental e emocional das pessoas. Reduzem o estresse, aumentam os níveis do bom colesterol, reduzem a pressão arterial, reforçam a imunidade, curam depressão dentre outros benefícios. No entanto para que o convívio permaneça salutar para animal e dono devemos estar atentos aos cuidados indispensáveis.


     Zoonose, que bicho é esse?
    Sabe-se que temos muito mais semelhanças com os animais do que diferenças. São essas semelhanças que nos aproximam tanto de nossos bichinhos de estimação. Essas mesmas semelhanças podem fazer com que patógenos de animais sejam capazes de agredir também o homem e vice-versa.
    As zoonoses resultam de uma complexa interação entre patógeno, hospedeiro e ambiente. Podem ser transmitidas por animais domésticos, silvestres ou parasitas desses animais.
    Novas técnicas de biologia molecular vem sendo criadas e são de grande auxilio no diagnóstico dessas doenças.
    Então zoonoses nada mais são do que doenças dos animais que podem ser transmissíveis ao homem.


    A despeito dos inúmeros pontos positivos dos pets as zoonoses podem representar riscos especialmente para pessoas imunocomprometidas:

    - esplenectomizados (quem sofreu a remoção cirúrgica do baço, um importante órgão no sistema imunológico)(2);
    - doentes com Aids. Para os que desejam um bichinho de estimação é aconselhável cães com mais de 6 meses de idade ou gatos com mais de um ano. Precauções extras devem ser tomadas ao optar por animais oriundos de abrigos, pet shops, feiras de animais ou de criadores que ofereçam  muitas "facilidades". Os cuidados sanitários podem não ser muito padronizados nesses locais e isso os expõe  a maiores riscos.
    Atualmente é de entendimento geral que os pets oferecem mais benefícios do que riscos ao portador do vírus HIV(2), contudo é desencorajada a aquisição de répteis, ferrets e outros animais exóticos.
    - pessoas que estejam utilizando medicamentos imunossupressores: transplantados, em uso de quimioterapia para câncer, atrite reumatóide, lupus e outras doenças do colágeno. Esses doentes deveriam evitar o contato com animais, seus dejetos ou mesmo seu ambiente(2). Travesseiros de penas não deveriam ser usados(4).


    Saiba como reduzir e eliminar riscos adotando precauções muito simples.

    A  chave no combate às zoonoses está na saúde de seu pet e nos cuidados que você dispensa a ele. 
     
    - Visitas regulares ao veterinário para exame cuidadoso de seu animalzinho;

    - Escolha de vacinas de boa qualidade e em estabelecimentos confiáveis. A temperatura de armazenamento das vacinas é fundamental. Certifique-se de que é feito controle de temperatura das geladeiras. Algumas clínicas ficam fechadas à noite ou durante o fim de semana. É preciso que haja dispositivos que registrem a variação da temperatura das geladeiras onde as vacinas são armazenadas. Assim se houver queda de energia a ponto de comprometer sua eficácia deverão ser desprezadas. Você acredita que sua clínica favorita adotaria essa postura?
    Há sensores eletrônicos (temperature and humidity data loggers), amplamente disponíveis no mercado, menores que um pendrive, que registram toda e qualquer oscilação de temperatura dentro de caixas de transporte de vacina ou hemocomponentes. Até o presente momento eles são que há de mais seguro, preciso e, ao menos por enquanto, "imunes" a adulteração de registros. Servem como controle de qualidade de empresas que realmente se responsabilizam pelo produto que fornecem.

    - Controle sistemático de parasitas externos e internos dos animais (carrapatos, pulgas, piolhos, ácaros e verminoses) bem como o controle dessas pragas no ambiente.


    - Controle de parasitas internos das pessoas que convivem diretamente com os animais. SIM, dos humanos, é isso mesmo! Faça exame parasitológico de fezes, pois você também poderá infectar seu cão. Para quem ainda não digeriu o fato lá vai : somos todos animais!

    - Alimentação adequada. Se você oferece alimentação natural crua a seu cão ou gato esteja atento quanto à procedência das carnes que utiliza bem como aos cuidados no preparo.


    Selecione os alimentos. Não compre cão por lebre.
    - Combate sistemático a moscas, mosquitos, baratas e roedores.

    - Lave as mãos depois de brincar com seu animal ou limpar suas caquinhas.

    - Cães e gatos são muito fofos, mas procure não beijá-los. Evite também as lambidas, especialmente, nas  crianças. 


    - Crianças e animais são naturalmente atraídos. O contato entre eles é extremamente benéfico para a saúde e desenvolvimento psicomotor. Crianças muitos pequenas costumam brincar de morder e levam tudo à boca. Evite que elas lambam ou mordam seu cão.


    - Se você tem crianças e deseja adotar um cão é aconselhavél um exemplar já adulto. Eles não brincam de morder e arranham menos que os filhotes. São mais adequados ao convívio com crianças e  menos vulneráveis a brincadeiras "infantís" que possam feri-los ou mesmo mata-los. Nunca permita que crianças brinquem com  filhotes sem a supervisão de um adulto. Animais não são briquedos, a vida é frágil!

    -Tenha cuidado ao selecionar seu pet. 


    Zoonoses mais comumente associadas aos cães
     
    Elas podem ser causadas por bactérias ou parasitas e apresentam diferentes formas de transmissão:
    1- Transmissão Através da Saliva Fluidos ou Aerosois  contaminação por mordida, ou mesmo saliva sobre uma lesão já existente na pele,  mocosas ou vias aereas;
    1.1 Virais
    - Raiva, doença cusada por vírus e transmitida através da saliva (geralmente pela mordida), somente animais contaminados são transmissores. A maioria dos mamíferos é sucetível a ela, sendo equinos e bovinos os mais vulneráveis devido aos ataques por morcegos hematófagos. Não existe portador são. Não existe cura. O reservatório na natureza é o morcego.
    É bom lembrar:
    *morcegos insetívoros e frugívoros não transmitem a raiva. Esses animais controlam pragas e promovem a polinização.
    1.2 Bacterianas
    1.2.1- Pasteurella spp (P. canis e P. dogmatis) coco bacilo gram negativo que tanto pode ser um comensal ou patógeno na cavidade oral dos cães. Pode causar artrite séptica e osteomielite.  Outras espécies são apontadas por causarem infecções no homem e com maior prevalencia. 

    1.2.2- Capnocytophaga canimorsus e C. cynodegmi, bactérias que fazem parte flora oral de cães e gatos saudáveis e são transmitidas pela mordida ou arranhadura desses animais. O C. canimorsus pode causar sepsis e meningite fulminante especialmente em pacientes esplenectomizados e etilistas.C. cynodegmi pode causar uma infecção menos severa, geralmente restrita a pele e tecidos moles. 
    1.2.3- Brucella: transmissão por aerosois. A Brucella canis tem distribuição mundial, mas não costuma infectar o homem, sendo incomum notificações de infecções humanas por ela.  Os raros casos estão ligados a contato com placenta.
    A brucelose humana está geralmente associada à B.melitensis, B. suis e B. abortus
    1.2.4- Bordetella bronchiseptica -  Causa a tosse dos canis em cães, coriza em coelhos e rinite afrófica em leitões. A contaminação se dá por aerosois. Cães que habitam portos podem carregar pequenos números dessa bactéria em sua orafaringe.
    Embora a infecção seja rara em humanos ela tem sido reportada em individuos imunocomprometidos.
                                                                                     
    2-Transmissão Fecal no simples ato levar a mão suja à boca ou pelo consumo de hortaliças contaminadas você poderá ingerir, bactérias,  cistos ou ovos presentes nas fezes de animais contaminados;
    2.1 Bacteriana
    - Samonella spp sendo o sorotipo Typhimurium um dos mais reportados. Pode causar gastroenterites severas ou ser assintomática. Sua importancia decorre justamente dos portadores sãos, assintomáticos.

    - Campylobacter spp: a infecção pode ser transmitida por cães adultos e filhotes e merece atenção  de criadores, especilamente porque humanos também podem transmiti-la aos cães. Essa infecção resulta em  sepsis e morte em filhotinhos rescem nascidos.
    2.2 Por Protozoários
     
    - Giardia spp ( G. lamblia, G. duodenalis ou G. intestinalis)
    É um protozoário flagelado que parasita o sistema gastrointestinal causando diarréias. A forma contaminante é o cisto, forma bastante resistente que é eliminada junto com as fezes do animal. Os portadores, tanto animais quanto humanos, podem ser também assintomáticos. Merece especial atenção dos criadores pois essa infecção é capaz de dizimar ninhadas inteiras de cães ou gatos. 

    2.3 Por parasitas intestinais 
    2.3.1 Toxocara canis
     É um nemathelminto (verme redondo, lembrando espagueti) e causa a larva migrans viceral e a larva migrans ocular no homem. Os vermes adultos habitam o intestino delgado de cães não desverminados e ali liberam seus ovos. A contaminação do homem se dá pela ingestão dos ovos através das mãos contaminadas com dejetos do animal, solo contaminado ou vegetais crus não higienizados. É possível encontrar ovos do parasita nos pelos da região perianal dos animais infectados(8).
    A infestação severa de filhotes pode leva-los a morte e requer tratamento especial a base de vermifugos e óleo mineral. A toxocaríase produz eosinofilia maciça tanto no cão quanto no homem.

    2.3.2 Ancilostoma caninum e Ancilostoma braziliensis
    Esses pequenos parasitas medem cerca de 10mm e habitam o intestino delgado de cães e gatos. São os agentes etiológicos da larva migrans cutânea, o "bicho geográfico". O ovos são eliminados nas fezes e em 24 a 48 horas eclodirão as larvas que se movimentam ativamente permanecendo no solo. Elas rompem a barreira cutânea intacta do homem e também do cão e cavam túneis sob a pele formando lesões serpinginosas e pruriticas.

    2.3.3 Echinococus granulosos
    Cães e outros mamíferos carnívoros sãos os hospedeiros definitivos desse pequeno verme achatado, cestódeo. Os vermes adultos habitam o intestino delgado desses animais e ali liberam seus ovos.
    Na fase larvária os hospedeiros são ovinos, suinos, bovinos e muitos outros mamíferos, inclusive o homem. Os ovos ingeridos liberam o embrião hexacanto que alcança a corrente sanguínea. O embrião irá atingir um órgão: fígado, pulmão, rins ou cérebro e ali a larva irá assumir forma cistica e fixa formando o cisto hidático. A hidatidose assume importância e consequencias de acordo com sua localização.
     Os hospedeiros definitivos se infectam ao ingerirem carnes cruas contendo o cisto hidático.

    2.3.4 Dipylidium caninum
    Cestódeo frequente em cães e gatos de todas as partes do mundo, raramente é encontrado no homem. Uma tenia longa que mede entre 25 a 35com de comprimento sendo que alguns autores chegam a afirmar que possa atingir até 70cm. Tem como característica principal o fato de os proglotes grávidos eliminados com as fezes apresentarem movimento ativo, diferentemente de outras tenias.
    Os hospedeiros intermediários são a pulga do cão (Ctenocephalides canis) e do gato (Ctenocephalides felis) e ocasionalmente a Pulex irritans (ataca mais o homem e ocasionalmente o cão) e o malófago, "piolho" do cão (Trichodectes canis). O homem se infesta circunstancialmente ao ingerir o inseto que abriga a forma larvária do verme.
    A dipilidose humana é relativamente rara, sendo em geral observada em crianças. As infestações humanas costumam ser por pequeno número de parasitas e assintomáticas.

    3- Transmissão através da água contaminada com urina de animais;

    3.1 Leptospirose. Doenca transmitida por uma bactéria espiroqueta tanto pode ser assintomática como provocar reações exacerbadas que podem levar  a morte. Por ser tema extenso e de importancia será abordado posteriormente.


    Algumas zoonoses conhecidas:


    •Antrax
    •Febre Amarela
    •Doença de Lyme
    •Leishmaniose
    •Criptococose
    •Toxoplasmose
    •Anaplamose
    •Babesiose
    •Erlichiose
    •Tifo
    •Tuberculose
    •Tétano
    •Sporotricose
    •Yersiniose
    •Fasciolase
    •Cisticercose
    •Balantidíase
    •Influenza
    •Malária
    •Hanseníase
    •Peste
    •Dermatofitoses
    •Richetsioses
    •Nocardiose
    •Pscitacose
    •Ornitose
    •Doença de Chagas
    •Listeriose
    •Hantavirus
    •H1N1
    •Gripe aviária
    •Dirofilariose
    •Miiase
    •Esquistossomose
    •Encefalite de St. Louis


    É bom saber:
    Embora cães estejam relacionadados a algumas zoonoses os riscos de infectarem seus donos são pequenos e podem ser ainda mais reduzidos se adotarmos as simples precauções acima descritas.

    Falaremos de algumas zoonoses ligadas a cães e gatos e suas principais manifestações em postagens subsequentes.


    Antes de optar por um cão de raça pura considere suas características físicas, temperamento, necessidade de exercícios e aspectos ligados a saúde e cuidados. Um animal é e será sempre totalmente dependente. O convívio prazeiroso entre vocês se condiciona a sua disposição em atender à demanda do cão.


    Você sabia que um cão bem tratado pode ultrapassar 15 anos de vida?


    Adotar é um compromisso de longo prazo, pense nisso!

    Sirley Vieira Velho
    http://www.skonbull.com/

    Direitos Reservados

    Seja gentil, seja coerente e correto, cite a fonte original sempre! :)
     
    Referências
    1- Ricardo Veronesi - Doenças Infecciosas e Parasitárias ; Ed Guanabara Koogan, Rio de Janeiro- RJ
    2- Glasser CA - Animal-associated opportunistic infections among persons infected with the human immunodeficiency virus ; Angulo FJ; Rooney JAs;Program in AIDS Prevention Studies, University of California, San Francisco 94105.
    4-Camille N Kotton- Zoonoses From Dogs; http://www.uptodate.com/home/store.do. Maio 2010
    5-Gillian D. et all - Increase in seroprevalence of canine leptospirosis and its risks factors; Ontario, Canada 2008.
    6 -Kaplan JE; Masur H; Holmes KK- Guidelines for preventing opportunistic infections among HIV-infected persons--2002. Recommendations of the U.S. Public Health Service and the Infectious Diseases Society of America.
    7- Centers for Disease Control and Prevention USA http://www.cdc.gov/healthypets/health_prof.htm#petscription
    8- Amaral HL et all- Presença de ovos de Toxocara canis sobre pelo de cães: Um fator de risco para a larva migrans visceral. Universidade Federal de Pelotas, Capão do Leão, Rio Grande do Sul.

    Imagens próprias e protegidas por direitos autorais.

    Frenchie Bulldog, nem sempre querer é poder. Ele pode ser perfeito para você, mas será que você é adequado a ele?

    Somos buldogues franceses lindos, queridos, amigos, brincalhões, chicletinhos de nossos humanos, curiosos, carinhosos e chegadíssimos num colinho. Amamos a vida, as pessoas e os outros animais. Acreditamos na bondade, no amor, na aceitação do próximo do jeito que ele é. Sempre oferecemos a outra face porque temos certeza de que se nos machucaram só pode ter sido sem querer.


    Entender as peculiaridades da raça é algo para poucos. Por essa razão temos número de ninhadas extremamente reduzido. O Bulldog Francês definitivamente não é pra qualquer um, ou melhor, são poucas as pessoas adequadas a ele.
    Skonbull Luka

    O candidato a proprietário precisa:

    - Amar cães;
    - Não se importar com pêlos pela casa;
    - Ter em mente que está adquirindo um animal de companhia e que quem precisa de companhia é o animal;
    - Ter uma conta bancária adequada às necessidades de um animal exigênte. Ele precisa de excelênte alimentação, excelênte veterinário (por vezes até mais de dois diferentes e ao mesmo tempo);
    - Ter tempo disponível para correr com seu BF ao vet a qualquer hora e lugar. Eles são frágeis e uma simples picada de abelha pode mata-los.
    - Ter paciência para treina-los. Eles são muito inteligentes mas também bastante voluntariosos, ou seja, precisam de dono por perto SEMPRE.
    - Não se importar com móveis roídos. O BF pode conservar o hábito de roer por mais tempo que a maioria das raças, são adoráveis cão-pins.
    - Entender sua sensibilidade extrema ao calor e ser capaz de socorre-lo em face ao hiperaquecimento.
    - Entender que o BF, apesar de pequeno, é um cão que não se enxerga e por vezes pode desafiar cães bem maiores que ele.
    - Entender que trata-se de um cão extremamente inteligente e sensível e que necessita de um ambiente calmo e amoroso para poder viver mais e melhor.
    - Entender que o banho do cão deve ser dado preferencialmente em casa e pelo proprietário. Esse é um momento de intimidade e a hora em que o cão é "examinado" minuciosamente. É durante o banho que observamos de perto cada dobrinha e cada detalhe do cão. É nessa hora que podemos perceber alterações que durante os afagos do dia-a-dia não podemos notar.
    - Entender que não existe vet perfeito e buscar o conhecimento da raça por conta própria. Ler artigos técnicos, perguntar a veterinários e criadores, ter sede de informação. Compreender que essa é uma grande forma de você demonstrar o quanto ama seu cão.
    - Ter disponibilidade para os cuidados diários de que o BF necessita.
    - Lembrar-se de que assim como você, o BF também necessita ter sua higiene feita logo pela manhã ao acordar. Você não deixa para lavar o rosto só após o almoço, então por que seu cão deveria esperar até à noite pra ter suas pregas faciais limpas?

    E então? Ainda se habilita?

    Antes de optar por um cão de raça pura considere suas características físicas, temperamento, necessidade de exercícios e aspectos ligados a saúde e cuidados. Um animal é e será sempre totalmente dependente. O  convívio prazeiroso entre vocês se condiciona a sua disposição em atender à demanda do cão.

    Você sabia que um cão bem tratado pode ultrapassar 15  anos de vida?
    Adotar é um compromisso de longo prazo, pense nisso!

    Sirley Vieira Velho
    Canil Skonbull

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