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Braquicefalia,acondroplasia e nanismo. Tecla SAP por favor...

“Feliz aquele que transfere o que sabe e aprende o que ensina” Cora Coralina

 Muitas raças são frutos da fixação de discretas, ou nem tão discretas,  mutações através de intensa seleção artificial.
Cada raça é definida por um conjunto de características especificas
  • Tamanho; 
  • Comportamento; 
  • Comprimento, textura e coloração da pelagem;
  • Forma do corpo, crânio e face. 
  • Algumas peculiaridades fenotípicas e mesmo mutações genéticas são compartilhadas por diferentes raças. (1).


Frenchies são apaixonantes ao primeiro olhar. Sua graça irresistível tem explicação: eles lembram os bebês humanos: cabeça grande, olhinhos enormes e alertas, bochechas fofas, baixinhos e parrudinhos. O conjunto de características se deve à sobreposição de duas condições geneticamente herdadas:

Note que sutura coronal é uma das últimas a consolidar em um cão não braquicefálico . Crânio de chiuaua                                  
  • Braquicefalia: essa característica confere a famosa “cara chata”. O crânio se mostra encurtado longitudinalmente. Isso é devido à ossificação precoce da sutura coronal às demais linhas de ossificação do crânio que irá permitir o crescimento lateral conferindo a forma larga e curta. Raças como Boxer, Bulldog Campeiro, Old English Bulldog etc são exemplos de braquicefálicos não acondroplásicos.
  • Acondroplasia: forma mais freqüente do nanismo. Sua principal característica é a desproporcionalidade da cabeça e membros em relação ao tronco. 
  • Existem cerca de 100 diferentes tipos de nanismo. A acondroplasia é a forma mais comum dessa rara manifestação. Estudos histológicos mostram indiscutível semelhança entre os tecidos ósseos de raças caninas acondroplásicas e humanos também afetados. As características físicas são muito semelhantes entre os acometidos das duas espécies. Por essa razão cães com a compleição física do Bulldog Francês, Bulldog Inglês, Shih Tzu, Pequinês são classificados como acondroplásicos. Contudo as bases genéticas do nanismo canino não estão completamente elucidadas como acontece na raça humana.
·        Em raças caninas as seleções de cruzamentos fixaram a condição que é geneticamente transmitida por herança autossômica recessiva. Ela determina desenvolvimento anormal das cartilagens ósseas resultando em tronco e membros encurtados.


Crescimento ósseo e acondroplasia

O esqueleto é formado por dois tecidos: cartilagem e osso. Eles se originam de células específicas: - condrócitos que formam a cartilagem, um precursor do osso
- osteoblastos que formam o osso.
Durante o desenvolvimento embrionário esses dois tecidos se originam a partir das células do mesênquima. Os ossos longos são formados pela ossificação do tecido endoncondrial. As células do mesenquima se diferenciam em condrócitos, os quais proliferam tornando-se hipertróficos. A matriz em torno das células se calcifica, e o espaço entre elas é invadido por vasos sanguíneos. O advento da vascularização permite a chegada dos osteoblastos que produzirão tecido ósseo nessa matriz ou molde cartilaginoso. O processo é finalizado pela substituição da cartilagem por tecido ósseo.
Ao nascimento a substituição da cartilagem por osso ainda não se completou e há uma placa de cartilagem entre as epífises (cabeças dos ossos longos) e metáfises (porção medial dos ossos longos). Essa porção cartilaginosa é chamada placa de crescimento. Ela permite o crescimento longitudinal dos ossos longos (ossos das pernas e braços). Ao final da puberdade a placa de crescimento terá sido completamente substituída por osso, encerrando assim o crescimento em estatura do individuo. 
A placa de crescimento é formada por três camadas de condrócitos: 
  • Camada de repouso: logo abaixo da epífise óssea contém condrócitos em relativa quiescência. Essas células apresentam-se sozinhas ou aos pares e encontram-se dispersas em leito rico em matriz cartilaginosa. 
  • Zona proliferativa:  como os nome indica há novos condrócitos  surgindo constantemente. Eles são células achatadas e se mostram em colunas paralelas alinhadas ao longo do eixo ósseo. Conforme se proliferam alcançando as diáfises elas se diferenciam e com isso sua capacidade proliferativa cessa. 
  • Camada hipertrófica: Finalizado o processo de diferenciação os condrócitos tornam-se hipertróficos e arredondados, repletos de vesículas capazes de secretar matriz que será depositada no meio extracelular. Essas vesículas servirão como sítios de mineralização. Ao final da diferenciação os condrócitos morrem deixando lacunas que serão invadidas por vasos sanguíneos. A vascularização permite a chegada de céulas do estroma, condroclastos  e osteroblastos. 
Dois terços da matriz cartilaginosa mineralizada será reabsorvido pelos condroclastos; o outro terço servirá como molde para a deposição de matriz óssea pelos osteoblastos.
Na acondroplasia, circunstância geneticamente determinada, ocorre alteração na diferenciação e proliferação dos condrócitos. Em consequencia haverá alterações nos componentes extracelulares da matriz das placas de crescimento que compromete o desenvolvimento dos ossos longos.

Assim como no homem, o nanismo em cães também pode ter como causa, dentre outras o: 
  • Hipopituitarismo: insuficiência da glândula pituitária ou hipófise.
  • Hipotireoidismo (nanismo desproporcional): insuficiência da glândula tireóide.
Em humanos o “teste do pezinho” faz o rastreamento de uma série de erros inatos do metabolismo a partir de uma semana de vida e detecta inclusive as deficiências hormonais aqui citadas. 
É possível detectar e tratar o hipotireoidismo congênito em cães com poucos dias de vida.  O diagnóstico em recém nascidos baseia-se nos sinais clínicos e pode ser feito por profissional bem preparado. 
Infelizmente a maioria dos filhotes afetados morrerá sem diagnóstico ou tratamento.


Algumas condições associadas à acondroplasia


Assim como no homem, cães de raças acondroplásicas  requerem cuidados especiais com sua saúde.
É uma condição geneticamente determinada que afeta o crescimento, mas não o intelecto ou a expectativa de vida.








Note a semelhança entre o cão e o humano acondroplásico. Há uma lordose, curvatura lombar anormal da coluna vertebral.
  • Malformações vertebrais e articulares, que podem levar a perda transitória ou permanente dos de movimentos dos membros posteriores . Nesse aspecto os cães levam franca vantagem por serem quadrúpedes. Podem ocorrer hérnias ou desgaste de discos intervertebrais, geralmente na idade adulta.
  • Convulsões.
  • Devido às alterações da face podem sofrer de problemas respiratórios. No frenchie o stop acentuado traduz a deformidade facial típica da acondroplasia (2),  mais marcante em relação a outros braquicefálicos.
  • As deformidades faciais podem se estender ao ouvido, nariz e garganta. Num ouvido normal a tuba auditiva é reta. Em indivíduos acondroplásicos ela pode apresentar-se curva, facilitando o acúmulo de umidade e, consequentemente, as otites de repetição. Não é incomum o animal perder a audição com o passar dos anos. É importante o cuidado constante com os ouvidos.
  • Faltas dentárias ou complicações ortodônticas devido à mandíbula e maxilar pequenos.
  • Protusão da língua;
  • Apnéia do sono de maior incidência no Bulldog Inglês. Acredita-se ser a responsável pela morte sem causa aparente de rescém nascidos acondroplásicos  (10);
  • Artroses especialmente se estiverem com sobrepeso ou obesos. É importante manter uma alimentação balanceada e exercícios para que vivam mais e melhor;
  • Possibilidade de displasia coxofemoral. Esta dificilmente será limitante para um frenchie por seu pequeno tamanho e musculatura bem desenvolvida.
  • Distrofia torácica como o Pectus carinatum (peito de pombo).
  • Os filhotes tendem a ser "molinhos" por mais tempo que raças não acondroplásicas. Em alguns pode haver um retardo no fortalecimento do tônus muscular compromentendo o inicio da deambulação.
  • Prolápso vaginal, mesmo em nulíparas. 
  • Devido à estreita pélvis e a grande cabeça dos bebes os partos se dão por cesariana na maioria das vezes (4), (5);
  • Pela compleição física, pequenos e entroncados, a dose dos medicamentos anestésicos deve ser individualizada. É importante a verificação de seu peso antes administrar qualquer remédio.
  • Incidência aumentada de leiomioma, tumor benigno de útero. A fêmea geralmente não apresenta corrimento, aumento de mamas ou outros sinais significativos. 
 Dada as peculiaridades da condição os cuidados e condutas médicas devem ser singulares podendo não seguir as linhas gerais da prática veterinária.


    Acondroplasia X Anestesia

    Na acondroplasia o espaço ocupado pela medula espinhal é reduzido, ocorre estenose na coluna vertebral.
    Em pessoas com nanismo as anestesias regionais (peridural e raquianestesia) não são recomendadas e sua utilização se faz com muito critério e ressalvas, a despeito de todos os recursos de que dispõe a medicina humana (5), (6), (7). Essa opção pode ser perigosa devido ao pequeno espaço subaracnóide e risco de lesão nervosa.
    Entubá-los pode ser difícil, tudo neles é pequeno. Sua região cervical  é curta e vulnerável a luxações (instabilidade atlantoaxial) com trauma raquimedular. Há necessidade de muita cautela no manuseio evitando movimentos bruscos e hiperextensão do pescoço.

    Maiores considerações anestésicas

    Avaliação pré-anestésica de vias aéreas e estabilidade do pescoço
    • Manutenção de uma posição neutra durante a manipulação do pescoço
    • A necessidade do uso de tubo endotraqueal pequeno (pelo difícil acesso às vias aéreas) pode dificultar a ventilação.
    • A documentação cuidadosa de déficits neurológicos pré-operatórios
    • Estenose espinhal e desalinhamento vertebral podem complicar
    uma abordagem regional
    • Problemas de ventilação são comuns no pós-operatório
    • Não há contra-indicações para o uso de medicamentos específicos, mas o profissional deve ser extremamente criterioso na escolha avaliando tempo de metabolização e efeitos na ventilação.
    • Técnica meticulosa e atenção aos detalhes.





    O nanismo ou acondroplasia não é uma doença. No entanto predispõe o individuo ao risco de alguns problemas de saúde.
    Com cuidados adequados esses indivíduos terão vidas normais, ativas e tão longas quanto às de qualquer um.
    Algumas circunstâncias, consideradas próprias dos frenchies, ocorrem com relativa freqüência em raças ditas anãs. Não é segredo que alguns frenchies podem deixar de caminhar, perder a continência fecal e urinária de forma transitória ou permanente por um acidente ou falta de precaução e cuidados.
    Alguns perdem a vida devido à falta de conhecimento por parte de proprietários, criadores e veterinários.

    "Prá nunca perder
    Esse riso largo
    E essa simpatia
    Estampada no rosto...
    Cuide-se bem!
    Perigos há por toda a parte
    E é bem delicado viver
    De uma forma ou de outra
    É uma arte, como tudo..."
    -Guilherme Arantes

    Bulldogues Ingleses sorridentes

    Considerações:
    Antes de optar por um cão de raça pura considere suas características físicas, temperamento, necessidade de exercícios e aspectos ligados a saúde e cuidados. Um animal é e será sempre totalmente dependente. O convívio prazeroso entre vocês se condiciona a sua disposição em atender à demanda do cão.
    Você sabia que um cão bem tratado pode ultrapassar 15 anos de vida? Adotar é um compromisso de longo prazo, pense nisso!
    Sirley Vieira Velho
    www.skonbull.com
    Direitos Reservados
    Seja gentil, seja coerente e correto, cite a fonte original sempre! :)


     Agradecimentos
    Nosso muito obrigado ao amigo Rodrigo Pessoa que gentilmente nos cedeu as fotos de seus lindos Bulldogues Inglêses. Com pesar pela perda recente do pequeno Barão...


          Referências
    1. Danika Bannacsh et all - Localization of Canine Brachycephaly Using An Across Breed Mapping Approach - Plosone www.plosone.org - March 2010
    2. Simón Martínez., Raúl Fajardo, Jesús Valdés et all- Histopathologic study of long-bone growth plates confirms the basset hound as an osteochondrysplastic breed- The Canadian Journal of Veterinary Research- Frebruary 27, 2006.
    3. S. A. Bingel,R. D. Sande, Chondrodysplasia in the Norwegian Elkhound.American Journal of Pathology, Vol 107, 219-229, Copyright © 1982 by American Society for Investigative Pathology
    4. Ghumman S. et all- Pregancy in an achondroplastic dwarf: a case report. J Indian Med Assoc. 2005 Oct;103(10):536, 538
    5. Huang J, Babins N.- Anesthesia for cesarean delivery in an achondroplastic dwarf: a case report- AANA J. 2008 Dec;76(6):435-6
    6. T.Tsubokawa et all- Propofol pharmacokicinetics in a dwarfism patient- Acta Anaesthesiol Scand 2003; 47: 488490
    7. Carla Aparecida Batista LorigadosI; Franklin de Almeida StermanII; Ana Carolina B. Fonseca PintoII- Estudo clínico-radiográfico da subluxação atlantoaxial congênita em cães- Braz. J. Vet. Res. Anim. Sci. vol.41 no.6 São Paulo Nov./Dec. 2004
    8.  Michel ShaerSinais - Clínicos: Pequenos Animais- Editora Artes Médicas Veterinásria-2009
    9. Richard W. Nelson, C. Gulhermo Couto et all- Medicina Interna de Pequenos Animais- Elsevier Editora- 4ª Edição 2010
    10. Little People www.littepeople.org 
    11. French Bulldog Z  www.frenchbulldogz.org
    12.  Pollinger JP et all- Selective sweep mapping of genes with large phenotypic effects.Department of Ecology and Evolutionary Biology, University of California, Los Angeles, California 90095-1606, USA. Genome Res. 2005 Dec;15(12):1809-19.
    13.  Meyers-Wallen VN - Ethics and genetic selection in purebred dogs.James A. Baker Institute for Animal Health, College of Veterinary Medicine, Cornell University, Ithaca, NY 14853, USA.Reprod Domest Anim. 2003 Feb;38(1):73-6. 


    Bulldog Francês em: Segredos do Padrão

    "Quero ter um Bulldog Francês. É meu sonho, mas gostaria de um filhote de valor mais em conta. Não me importo com o padrão."

    Afinal de contas o que é esse tal "Padrão Oficial da Raça"? 

    Cães de raça pura foram selecionados pela beleza e funcionalidade. Cães do grupo  9, como nossos queridos frenchies, são considerados não esportivos, são cães de companhia.
    Sim, mas onde está a funcionalidade?
    Apesar de não serem cães de trabalho eles possuem funcionalidade - SIM. Animais de companhia devem ser sociáveis, carinhosos, calmos, agradáveis, ter pelagem suave, face encantadora, olhar meigo, talhe compatível com o espaço doméstico  etc.

    "Então é disso que eu preciso. Embrulha um frenchie para viagem!"

    Será mesmo?

    BULDOGUE FRANCÊS

    O que chamam Padrão
    Confira na íntegra acessando o link abaixo.
    http://www.cbkc.com.br/padroes/pdf/grupo9/buldoguefr.pdf

    O padrão é formalizado no momento em que a raça é reconhecida por uma organização oficial de cinofilia. No Brasil estamos filiados a FCI (Fédération Cynologique Internationale). Existem outras entidades com padrões próprios que divergem muito pouco entre si.
    Leva muito tempo para que uma raça seja construída. Só em 1898 foi redigido o perfil oficial dos primeiros Bulldogues Franceses. Fixando algumas características e eliminando as indesejáveis chegou-se ao padrão atual, revisado pela última vez em 1998. Foram anos de árduo sacrifício. Criadores devem ter tido muito trabalho e os pobres cães com características preteridas foram descartados, sacrificados ou mesmo viraram ração, quem sabe? Em todos esses anos as mais variadas características devem ter sido observadas. Alguns traços foram relacionados a faltas graves, defeitos ou doenças, incompatibilidades com o meio ambiente etc. Os gostos pessoais de cada criador também devem ter sido relevantes na escolha da compleição física. A associação desses fatores e gostos particulares contribuiu para a formação do Padrão da Raça.
    Esse padrão foi sendo modificado de tempos em tempos para se adequar às características que as linhagens foram tomando ao longo desses cruzamentos tanto criteriosos como desastrados.

    Lembrei de uma velha citação alemã: "Male den Teufel nicht an die Wand, er kommt von selber" (Não pinte o diabo na parede, ele vem por si só). Talvez seja melhor não deixar tão explícito o que é ruim.

    Nas faltas graves e desqualificantes ao Padrão do Bulldog Francês algumas condições não tão explicitas podem ser enumeradas:

    FALTAS GRAVES
    - incisivos à mostra com a boca fechada; 
    http://www.frenchbulldogrescue.org/htdocs/available/bristolrose.html


    O Bulldog Francês é prognata. O padrão não descreve a intensidade do prognatismo. A mordida deve ser em tesoura invertida e os incisivos inferiores deverão apresentar-se diante dos superiores, mesmo que discretamente. Havendo prognatismo excessivo o cisalhamento oferecido pelos dentes torna-se ineficaz. Fêmeas durante o parto poderão eviscerar o filhote, expondo suas entranhas, ao tentarem cortar o cordão umbilical. É bom lembrar que cerca de 20% das fêmeas de BF são capazes de ter parto vaginal. O prognatismo excessivo é prejudicial ao cão podendo dificultar até mesmo o ato de comer.

    - língua à mostra com a boca fechada; 

    A macroglossia em BFs é alerta para um dos maiores males da raça que é o palato mole alongado, um dos principais componentes da síndrome braquicefálica. A necessidade de abrir espaço para ventilação pode exigir um esforço extra da musculatura sublingual tornando o posicionamento da língua mais anterior dificultando até a mesmo a mastigação. As dificuldades de ventilação que o palato mole alongado causa não são exclusivas dos cães de focinho curto, podendo ocorrer inclusive no Beagle.
    O hipotireoidismo, de considerável incidência entre os frenchies, também pode causar macroglossia.
    A torção de mandíbula também pode levar à exposição da língua com a boca fechada.
    Vale lembrar que em cães muito idosos pode ocorrer a exposição permanente da língua, mas sem nenhuma relação com as causas apontadas acima.

    - andadura com movimentos rígidos nos anteriores (cão batendo tambor);
    O hipotireoidismo, de considerável prevalência na raça, tem como um dos sinais a rigidez muscular que dificulta o controle fino dos movimentos. Essa circunstância confere um andar “durinho”, como se as pernas fossem de pau. É muito fácil reconhecer um frenchie com hipotireoidismo congênito. 

    - despigmentação na cabeça, exceto no caso previsto no padrão dos fulvos tigrados com manchas brancas médias e dos fulvos com manchas limitadas ou predominantes;
    A falta de pigmentação na trufa e pálpebras pode estar intimamente ligada à sensibilidade cutânea que favorece queimaduras solares e tumores de pele.

    - peso excessivo ou insuficiente.

    http://www.frenchbulldogrescue.org/htdocs/foster/sadiebug.html

    Peso insuficiente. Um BF adulto deve ter no mínimo 8 quilos, o que já significa um frenchie bem pequeno. Fatores nutricionais e hormonais podem estar associados a um desenvolvimento ponderal reduzido: ingestão calórico-protéica inadequada ou insuficiente, doenças intestinais disabsortivas, hipotireoidismo dentre outras causas.
    Clique (Frenchie Bulldog Mini Ashley.) e veja como os maus tratos e o desdém limitam o crescimento de um cão. Essa bulldoguinha foi resgatada e sua história e video foram lançados no YouTube.

    Fique atento ao buscar um filhote pequeno, ele pode ter ficado assim por privação de comida e cuidados.
    Peso excessivo.Frenchies pesando mais de 14 quilos podem ser considerados obesos ou mesmo grandes demais para uma raça que gosta e precisa de colo. Esses cães podem estar mais sujeitos ao trauma raquimedular bem como sofrerem de artrose em conseqüência da sobrecarga.


    DESQUALIFICAÇÕES
    - olhos de cores diferentes;
    http://www.flickr.com/photos/canineddogpictures/3385454927/in/set-72157615817010149/
    Pode ser uma característica geneticamente determinada e que muitas vezes se faz acompanhar por surdez.
    A heterocromia da íris também pode ser herdada como uma característica autossômica dominante simples, isto é, não associada a outras características fenotípicas. Esta é uma das características preocupantes em outras raças onde a seleção dos melhores exemplares se baseou predominantemente na ausência de surdez. É o que ocorre nos cães de pelagem azul merle como o Pastor de Shetland, Dachshund etc.

    - trufa de outra cor que não a preta
    Especialmente penalizada em cães de coloração mais escura, uma trufa clara denota diluição de cores. O cão pode carrear consigo o gene da diluição, embora ele próprio não apresente este fenótipo. A trufa clara está presente nos BFs chocolate e blue, por exemplo.
    Os BFs de cor creme (diluição do fulvo aceita pelo padrão da raça) também tendem a apresentar trufa um pouco mais clara, no entanto a palidez só ocorre no caso da pele estar muito bem hidratada. Em cães de pelagem clara quando a trufinha resseca a cor costuma estar entre o chumbo e o negro.

    - lábios leporinos


    Andy Mathis Art Co.: Bella- The interesting Case of the Week

    Na grande maioria dos casos ocorre como defeito congênito multifatorial e pode ou não acometer também o palato.
    São descritos como fatores envolvidos os componentes do cigarro inalados pelas fêmeas prenhes (fumantes passivas), alguns medicamentos e deficiência vitamínica, principalmente, no período mais precoce da gestação.
    A formação crânio facial é um evento complexo na embriogênese que envolve interação celular, migração e proliferação. Partes das células envolvidas no fechamento do crânio migram da crista neural do embrião. Essa intima ligação com o fechamento do tubo neural leva a pensar numa possível falha também nesse evento como a espinha bífida, por exemplo.
    Gera facilidade de broncoaspiração e pneumonias. É também penalizado pela falta estética.



    - incisivos inferiores em articulação atrás dos superiores;
    O micrognatismo é transmissível geneticamente nos seres humanos e pode estar associado a outras síndromes graves.

    - exemplares com os caninos à mostra com a boca fechada;

    Motivos estéticos? Além da carinha de morcego dentinhos de vampiro deixariam os pobres BFs com aspecto assustador.

    - orelhas não portadas empinadas;
    Fenotípo que pode sugerir a presença de genes conferidos por exemplares não puros inadvertidamente incluídos na linha de sangue.

    - mutilação das orelhas, da cauda ou dos ergôs;
    Segue a mesma justificativa aplicada às orelhas não eretas, pecando aqui a tentativa explícita de farsa.
    Nenhum tipo de mutilação vem sendo permitido em nenhuma raça, felizmente.


    - ergôs nos posteriores;
    Denomina-se ergô o quinto dedo nas patas traseiras. Embora possa ser considerado um órgão vestigial, alguns canídeos não os possuem como é o caso do lobo. O exemplo aguçou a curiosidade de pesquisadores que chegaram às alarmantes bases moleculares envolvidas nesse “inocente dedinho extra”.
    Assim como no homem a polidactilia é herdada genéticamente e mostra-se acompanhada de outros achados em mais de 50% dos casos.
    No São Bernardo a polidactilia é associada à agenesia de palato, vértebra torácica extra e costela supranumerária, ausência congênita de pavilhão auricular (anotia) e língua bífida.

    Em algumas raças de cães montanhezes acredita-se que o ergo simples ou duplo poderia auxiliar em escaladas. Nessas mesmas raças é alta a taxa de mortalidade precoce bem como prevalência de doenças articulares. Em algumas raças também se associa a polidactilia à gastrite e a linfangiecstasia.

    - pelagem preta e castanho, cinza rato ou marrom;




    A pelagem black and tan é característica de algumas raças, dentre elas o Pincher. Esse tipo de marcação também pode ser alcançado propositalmente pela seleção de cruzamentos.






    http://www.forum.rogerlebouledogue.com/le-type-bouledogue-bleu-vt1128-945.html
    A pelagem cinza rato ou azul é a expressão do gene diluído do preto (dd). A diluição do preto (azul ou cinza) traz conseqüências diversas em outras raças. Algumas tem essa cor em seu padrão, como é o caso do Weimaraner ou a cor isabela nos Greyhounds. Essa condição favorece de modo especial às doenças de pele tais como alergias, alopecia de flanco dentre outras. A Alopecia de flanco ocorre por displasia dos foliculos pilosos azuis e inicia-se entre os 6 meses até os dois anos de idade. Possivelmente essa correlação tenha levado à penalização da cor azul entre os frenchies.

    Link original não localizado





    A pelagem marrom ou fígado, também é indesejada uma vez que os exemplares nesta coloração apresentam olhos claros (tendendo ao amarelo), nariz, contorno dos olhos, lábios e orelhas pink, vermelhos ou marrons ao invés de pretos.


      - anurismo-
    Ausência de cauda (anurismo) é um defeito genético que geralmente associa-se a outros defeitos como atresia anorretal e múltiplas alterações vertebrais. Mesmo em raças que apresentam o anurismo em seu padrão já pode se observar a seleção dos cães com pequenas caudas pelos criadores.


    Tais apontamentos não são todos os possíveis e estão sujeitos a modificações. Esse texto foi elaborado a partir do estudo, observação e troca de experiências com outros criadores. Nosso objetivo, como o de todo criador conciencioso, é fortalecer a raça pela promoção de acasalamentos não tão díspares.
    Infelizmente  no Brasil a liberdade de informar as características de cada linhagem torna a pesquisa e avaliação do pedigree extensiva a poucas gerações.

    Sirley V Velho
    www.skonbull.com

    Referências:
    1-CBKC Padrão da raça Bulldo Francês. www.cbkc.com.br/padroes/pdf/grupo9/buldoguefr.pdf
    2- Marjo K. Hyto¨ Nen*, Anai¨S Grall*, BenoiˆT He´ Dan, et al. - Ancestral T-Box Mutation Is Present In
    Many, but Not All, Short-Tailed Dog
    Breeds. Journal of Heredity 2009:100(2):236–240
    doi:10.1093/jhered/esn085
    3-M. Welle, U. Philipp, S. Ru¨ Fenacht, et al. - Genotype Melanin Phenotype
    Correlation In Dilute Dogs. Journal Of Heredity 2009:100(Supplement 1):S75–S79
    Doi:10.1093/Jhered/Esp010.
    4- Sheila M. Schmutz, Tom G. Berryere, And Dayna L. Dreger.  - Mitf And White Spotting In Dogs:
    A Population Study. Journal of Heredity 2009:100(Supplement 1):S66–S74
    doi:10.1093/jhered/esp029
    5-Kiyun Park, a Joohyun Kang,a Sangjin Park,a Jihong Ha,et al.  - Linkage of the locus for canine dewclaw to chromosome 16. Genomics 83 (2004) 216–224, www.elsevier.com/locate/ygeno
    6-Louise Wilkins-Haug,  - Prenatal diagnosis of orofacial clefts. Last literature review version 18.2: Maio 2010, http://www.uptodate.com/home/store.do
    7- Priscila Guimarães  Otto,- Genética Básica Para Veterinária.  4ª Edição Roca, 2006.

    Direitos reservados

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