Quem tem medo de zoonose? Primeira Parte

Tanguy ama seu pet


Entre cães e gatos

Os animais representam importante papel em nossas vidas. Mais do que simples pets eles ocupam espaço em nossas famílias e em nossos corações. São entes mais do que queridos, nós os mimamos e os tratamos como bebes. Eles melhoram a saúde física, mental e emocional das pessoas. Reduzem o estresse, aumentam os níveis do bom colesterol, reduzem a pressão arterial, reforçam a imunidade, curam depressão dentre outros benefícios. No entanto para que o convívio permaneça salutar para animal e dono devemos estar atentos aos cuidados indispensáveis.


 Zoonose, que bicho é esse?
Sabe-se que temos muito mais semelhanças com os animais do que diferenças. São essas semelhanças que nos aproximam tanto de nossos bichinhos de estimação. Essas mesmas semelhanças podem fazer com que patógenos de animais sejam capazes de agredir também o homem e vice-versa.
As zoonoses resultam de uma complexa interação entre patógeno, hospedeiro e ambiente. Podem ser transmitidas por animais domésticos, silvestres ou parasitas desses animais.
Novas técnicas de biologia molecular vem sendo criadas e são de grande auxilio no diagnóstico dessas doenças.
Então zoonoses nada mais são do que doenças dos animais que podem ser transmissíveis ao homem.


A despeito dos inúmeros pontos positivos dos pets as zoonoses podem representar riscos especialmente para pessoas imunocomprometidas:

- esplenectomizados (quem sofreu a remoção cirúrgica do baço, um importante órgão no sistema imunológico)(2);
- doentes com Aids. Para os que desejam um bichinho de estimação é aconselhável cães com mais de 6 meses de idade ou gatos com mais de um ano. Precauções extras devem ser tomadas ao optar por animais oriundos de abrigos, pet shops, feiras de animais ou de criadores que ofereçam  muitas "facilidades". Os cuidados sanitários podem não ser muito padronizados nesses locais e isso os expõe  a maiores riscos.
Atualmente é de entendimento geral que os pets oferecem mais benefícios do que riscos ao portador do vírus HIV(2), contudo é desencorajada a aquisição de répteis, ferrets e outros animais exóticos.
- pessoas que estejam utilizando medicamentos imunossupressores: transplantados, em uso de quimioterapia para câncer, atrite reumatóide, lupus e outras doenças do colágeno. Esses doentes deveriam evitar o contato com animais, seus dejetos ou mesmo seu ambiente(2). Travesseiros de penas não deveriam ser usados(4).


Saiba como reduzir e eliminar riscos adotando precauções muito simples.

A  chave no combate às zoonoses está na saúde de seu pet e nos cuidados que você dispensa a ele. 
 
- Visitas regulares ao veterinário para exame cuidadoso de seu animalzinho;

- Escolha de vacinas de boa qualidade e em estabelecimentos confiáveis. A temperatura de armazenamento das vacinas é fundamental. Certifique-se de que é feito controle de temperatura das geladeiras. Algumas clínicas ficam fechadas à noite ou durante o fim de semana. É preciso que haja dispositivos que registrem a variação da temperatura das geladeiras onde as vacinas são armazenadas. Assim se houver queda de energia a ponto de comprometer sua eficácia deverão ser desprezadas. Você acredita que sua clínica favorita adotaria essa postura?
Há sensores eletrônicos (temperature and humidity data loggers), amplamente disponíveis no mercado, menores que um pendrive, que registram toda e qualquer oscilação de temperatura dentro de caixas de transporte de vacina ou hemocomponentes. Até o presente momento eles são que há de mais seguro, preciso e, ao menos por enquanto, "imunes" a adulteração de registros. Servem como controle de qualidade de empresas que realmente se responsabilizam pelo produto que fornecem.

- Controle sistemático de parasitas externos e internos dos animais (carrapatos, pulgas, piolhos, ácaros e verminoses) bem como o controle dessas pragas no ambiente.


- Controle de parasitas internos das pessoas que convivem diretamente com os animais. SIM, dos humanos, é isso mesmo! Faça exame parasitológico de fezes, pois você também poderá infectar seu cão. Para quem ainda não digeriu o fato lá vai : somos todos animais!

- Alimentação adequada. Se você oferece alimentação natural crua a seu cão ou gato esteja atento quanto à procedência das carnes que utiliza bem como aos cuidados no preparo.


Selecione os alimentos. Não compre cão por lebre.
- Combate sistemático a moscas, mosquitos, baratas e roedores.

- Lave as mãos depois de brincar com seu animal ou limpar suas caquinhas.

- Cães e gatos são muito fofos, mas procure não beijá-los. Evite também as lambidas, especialmente, nas  crianças. 


- Crianças e animais são naturalmente atraídos. O contato entre eles é extremamente benéfico para a saúde e desenvolvimento psicomotor. Crianças muitos pequenas costumam brincar de morder e levam tudo à boca. Evite que elas lambam ou mordam seu cão.


- Se você tem crianças e deseja adotar um cão é aconselhavél um exemplar já adulto. Eles não brincam de morder e arranham menos que os filhotes. São mais adequados ao convívio com crianças e  menos vulneráveis a brincadeiras "infantís" que possam feri-los ou mesmo mata-los. Nunca permita que crianças brinquem com  filhotes sem a supervisão de um adulto. Animais não são briquedos, a vida é frágil!

-Tenha cuidado ao selecionar seu pet. 


Zoonoses mais comumente associadas aos cães
 
Elas podem ser causadas por bactérias ou parasitas e apresentam diferentes formas de transmissão:
1- Transmissão Através da Saliva Fluidos ou Aerosois  contaminação por mordida, ou mesmo saliva sobre uma lesão já existente na pele,  mocosas ou vias aereas;
1.1 Virais
- Raiva, doença cusada por vírus e transmitida através da saliva (geralmente pela mordida), somente animais contaminados são transmissores. A maioria dos mamíferos é sucetível a ela, sendo equinos e bovinos os mais vulneráveis devido aos ataques por morcegos hematófagos. Não existe portador são. Não existe cura. O reservatório na natureza é o morcego.
É bom lembrar:
*morcegos insetívoros e frugívoros não transmitem a raiva. Esses animais controlam pragas e promovem a polinização.
1.2 Bacterianas
1.2.1- Pasteurella spp (P. canis e P. dogmatis) coco bacilo gram negativo que tanto pode ser um comensal ou patógeno na cavidade oral dos cães. Pode causar artrite séptica e osteomielite.  Outras espécies são apontadas por causarem infecções no homem e com maior prevalencia. 

1.2.2- Capnocytophaga canimorsus e C. cynodegmi, bactérias que fazem parte flora oral de cães e gatos saudáveis e são transmitidas pela mordida ou arranhadura desses animais. O C. canimorsus pode causar sepsis e meningite fulminante especialmente em pacientes esplenectomizados e etilistas.O  C. cynodegmi pode causar uma infecção menos severa, geralmente restrita a pele e tecidos moles. 
1.2.3- Brucella: transmissão por aerosois. A Brucella canis tem distribuição mundial, mas não costuma infectar o homem, sendo incomum notificações de infecções humanas por ela.  Os raros casos estão ligados a contato com placenta.
A brucelose humana está geralmente associada à B.melitensis, B. suis e B. abortus. 
1.2.4- Bordetella bronchiseptica -  Causa a tosse dos canis em cães, coriza em coelhos e rinite afrófica em leitões. A contaminação se dá por aerosois. Cães que habitam portos podem carregar pequenos números dessa bactéria em sua orafaringe.
Embora a infecção seja rara em humanos ela tem sido reportada em individuos imunocomprometidos.
                                                                                 
2-Transmissão Fecal no simples ato levar a mão suja à boca ou pelo consumo de hortaliças contaminadas você poderá ingerir, bactérias,  cistos ou ovos presentes nas fezes de animais contaminados;
2.1 Bacteriana
- Samonella spp sendo o sorotipo Typhimurium um dos mais reportados. Pode causar gastroenterites severas ou ser assintomática. Sua importancia decorre justamente dos portadores sãos, assintomáticos.

- Campylobacter spp: a infecção pode ser transmitida por cães adultos e filhotes e merece atenção  de criadores, especilamente porque humanos também podem transmiti-la aos cães. Essa infecção resulta em  sepsis e morte em filhotinhos rescem nascidos.
2.2 Por Protozoários
 
- Giardia spp ( G. lamblia, G. duodenalis ou G. intestinalis)
É um protozoário flagelado que parasita o sistema gastrointestinal causando diarréias. A forma contaminante é o cisto, forma bastante resistente que é eliminada junto com as fezes do animal. Os portadores, tanto animais quanto humanos, podem ser também assintomáticos. Merece especial atenção dos criadores pois essa infecção é capaz de dizimar ninhadas inteiras de cães ou gatos. 

2.3 Por parasitas intestinais 
2.3.1 Toxocara canis
 É um nemathelminto (verme redondo, lembrando espagueti) e causa a larva migrans viceral e a larva migrans ocular no homem. Os vermes adultos habitam o intestino delgado de cães não desverminados e ali liberam seus ovos. A contaminação do homem se dá pela ingestão dos ovos através das mãos contaminadas com dejetos do animal, solo contaminado ou vegetais crus não higienizados. É possível encontrar ovos do parasita nos pelos da região perianal dos animais infectados(8).
A infestação severa de filhotes pode leva-los a morte e requer tratamento especial a base de vermifugos e óleo mineral. A toxocaríase produz eosinofilia maciça tanto no cão quanto no homem.

2.3.2 Ancilostoma caninum e Ancilostoma braziliensis
Esses pequenos parasitas medem cerca de 10mm e habitam o intestino delgado de cães e gatos. São os agentes etiológicos da larva migrans cutânea, o "bicho geográfico". O ovos são eliminados nas fezes e em 24 a 48 horas eclodirão as larvas que se movimentam ativamente permanecendo no solo. Elas rompem a barreira cutânea intacta do homem e também do cão e cavam túneis sob a pele formando lesões serpinginosas e pruriticas.

2.3.3 Echinococus granulosos
Cães e outros mamíferos carnívoros sãos os hospedeiros definitivos desse pequeno verme achatado, cestódeo. Os vermes adultos habitam o intestino delgado desses animais e ali liberam seus ovos.
Na fase larvária os hospedeiros são ovinos, suinos, bovinos e muitos outros mamíferos, inclusive o homem. Os ovos ingeridos liberam o embrião hexacanto que alcança a corrente sanguínea. O embrião irá atingir um órgão: fígado, pulmão, rins ou cérebro e ali a larva irá assumir forma cistica e fixa formando o cisto hidático. A hidatidose assume importância e consequencias de acordo com sua localização.
 Os hospedeiros definitivos se infectam ao ingerirem carnes cruas contendo o cisto hidático.

2.3.4 Dipylidium caninum
Cestódeo frequente em cães e gatos de todas as partes do mundo, raramente é encontrado no homem. Uma tenia longa que mede entre 25 a 35com de comprimento sendo que alguns autores chegam a afirmar que possa atingir até 70cm. Tem como característica principal o fato de os proglotes grávidos eliminados com as fezes apresentarem movimento ativo, diferentemente de outras tenias.
Os hospedeiros intermediários são a pulga do cão (Ctenocephalides canis) e do gato (Ctenocephalides felis) e ocasionalmente a Pulex irritans (ataca mais o homem e ocasionalmente o cão) e o malófago, "piolho" do cão (Trichodectes canis). O homem se infesta circunstancialmente ao ingerir o inseto que abriga a forma larvária do verme.
A dipilidose humana é relativamente rara, sendo em geral observada em crianças. As infestações humanas costumam ser por pequeno número de parasitas e assintomáticas.

3- Transmissão através da água contaminada com urina de animais;

3.1 Leptospirose. Doenca transmitida por uma bactéria espiroqueta tanto pode ser assintomática como provocar reações exacerbadas que podem levar  a morte. Por ser tema extenso e de importancia será abordado posteriormente.


Algumas zoonoses conhecidas:


•Antrax
•Febre Amarela
•Doença de Lyme
•Leishmaniose
•Criptococose
•Toxoplasmose
•Anaplamose
•Babesiose
•Erlichiose
•Tifo
•Tuberculose
•Tétano
•Sporotricose
•Yersiniose
•Fasciolase
•Cisticercose
•Balantidíase
•Influenza
•Malária
•Hanseníase
•Peste
•Dermatofitoses
•Richetsioses
•Nocardiose
•Pscitacose
•Ornitose
•Doença de Chagas
•Listeriose
•Hantavirus
•H1N1
•Gripe aviária
•Dirofilariose
•Miiase
•Esquistossomose
•Encefalite de St. Louis


É bom saber:
Embora cães estejam relacionadados a algumas zoonoses os riscos de infectarem seus donos são pequenos e podem ser ainda mais reduzidos se adotarmos as simples precauções acima descritas.

Falaremos de algumas zoonoses ligadas a cães e gatos e suas principais manifestações em postagens subsequentes.


Antes de optar por um cão de raça pura considere suas características físicas, temperamento, necessidade de exercícios e aspectos ligados a saúde e cuidados. Um animal é e será sempre totalmente dependente. O convívio prazeiroso entre vocês se condiciona a sua disposição em atender à demanda do cão.


Você sabia que um cão bem tratado pode ultrapassar 15 anos de vida?


Adotar é um compromisso de longo prazo, pense nisso!

Sirley Vieira Velho
http://www.skonbull.com/

Direitos Reservados

Seja gentil, seja coerente e correto, cite a fonte original sempre! :)
 
Referências
1- Ricardo Veronesi - Doenças Infecciosas e Parasitárias ; Ed Guanabara Koogan, Rio de Janeiro- RJ
2- Glasser CA - Animal-associated opportunistic infections among persons infected with the human immunodeficiency virus ; Angulo FJ; Rooney JAs;Program in AIDS Prevention Studies, University of California, San Francisco 94105.
4-Camille N Kotton- Zoonoses From Dogs; http://www.uptodate.com/home/store.do. Maio 2010
5-Gillian D. et all - Increase in seroprevalence of canine leptospirosis and its risks factors; Ontario, Canada 2008.
6 -Kaplan JE; Masur H; Holmes KK- Guidelines for preventing opportunistic infections among HIV-infected persons--2002. Recommendations of the U.S. Public Health Service and the Infectious Diseases Society of America.
7- Centers for Disease Control and Prevention USA http://www.cdc.gov/healthypets/health_prof.htm#petscription
8- Amaral HL et all- Presença de ovos de Toxocara canis sobre pelo de cães: Um fator de risco para a larva migrans visceral. Universidade Federal de Pelotas, Capão do Leão, Rio Grande do Sul.

Imagens próprias e protegidas por direitos autorais.

Otite externa - Quem tem cão tem medo

 Nem tão simples assim...

 O termo otite externa designa a inflamação do canal externo do ouvido. Infecções, alergias ou doenças de pele podem ser a causa. É de ocorrência comum e estima-se que afete  entre 15 a 20% (1) da população canina e entre 6 a 7%(1) dos felinos. Em climas úmidos cerca de 50% (1) dos cães podem sofrer com doenças do ouvido.
Uma das maiores dificuldades no tratamento é a determinação do agente causal.


Anatomia do ouvido do cão
Hill's Pet Nutrition, from the Atlas of Veterinary Clinical Anatomy
O ouvido do cão
Para entender a patogênese da otite externa é preciso que tenhamos noção básica da anatomia da orelha.
O ouvido do cão é um cone com abertura superior. Apresenta dobras e reentrâncias - as cirunvoluções que funcionam amplificando e conduzindo a onda sonora para sua porção inferior, o ouvido médio, responsável pela captação do sinal sonoro. 

O ouvido externo compreende o pavilhão auditivo (orelha) e o canal auditivo externo ou meato acústico. Ele termina na membrana timpânica. O pavilhão auditivo é constituído por tecido cartilaginoso recoberto por epitélio pilificado.
O canal auditivo é recoberto por  pele fina, folículos pilosos, glândulas sebáceas e ceruminosas. O cerúmem, ácido, é composto pela associação das secreções sebaceas, ceruminosas e epitélio descamado.
O canal auditivo apresenta uma porção cartilaginosa que ocupa cerca de dois terços dele e uma porção medial ossea que ocupa o outro terço. Essa porção ossea é recoberta por pele fina e delicada desprovida de tecido subcutâneo. Nessa área a derme está em íntimo contato com o periósteo (membrana de rica inervação que reveste o osso). Por essa razão a mínima inflamação ou toque nessa região provoca muita dor.
O ouvido médio inicia-se no tímpano e consiste de um espaço aéreo, a cavidade timpânica, que se localiza dentro do osso temporal. Ali se encontram três osssículos articulados entre si cujos nomes remetem a suas formas: bigorna, estribo e martelo. Eles estão suspensos no ouvido médio através de ligamentos. O ouvido médio comunica-se com a faringe através da tuba auditiva ( antiga trompa de Eustáquio). Dessa forma a pressão do ar em ambos os lados do tímpano pode se manter igual. Quando há variação de pressão entre o ouvido externo e médio a audição fica prejudicada até que o equilibrio se reestabeleça.
O ouvido interno, chamado labirinto, é formado por escavações no osso temporal, revestidas por membrana e preenchidas por líquido. Ele se limita e faz comunicação com o ouvido médio pelas janelas oval e a redonda. O labirinto apresenta uma parte anterior, a cóclea ou caracol - relacionada com a audição, e uma parte posterior - relacionada com o equilíbrio e constituída pelo vestíbulo e pelos canais semicirculares.



Fatores predisponentes ou perpetuantes?


- Condições anatômicas ligadas a características próprias da raça que "ocluem" os ouvidos como por exemplo as grandes orelhas pesadas e pendentes do Basset Hound, Bloodhound etc ou a tendência a produção excessiva de cerumem como Labradores, Cockers e Springer.
Curta o verão, mas cuide do ouvido.
- Umidade causada por entrada de água seja no banho, natação ou mesmo em dias chuvosos. A umidade excessiva pode comprometer a barreira protetora formada pelo cerumem.
- Limpeza excessiva ou o ato de coçar remove não só o cerumem como também promove abrasão do delicado epitélio do canal auditivo, permitindo que microorganismos alcancem o tecido profundo.
- Corpo estranho no conduto auditivo como: pelos, insetos, pequenos objetos, fragmentos de comida etc. O uso de cotonetes pode ferir o conduto auditivo e perfurar tímpanos. Fiapos de algodão ou pedaços de lenços de papel podem se soltar dentro do ouvido. Esses resíduos ao se decomporem podem promover irritação e infecção.
- Dermatites atópicas, dermatites seborréias, hipersensibilidade alimentar etc, podem causar prurido (o ato de coçar compromete a integridade da pele abrindo porta de entrada para os agentes infecciosos) e aumentar a produção de cerumem que favorece o desenvolvimento de flora patogênica (agressiva).
-Desordens relacionadas à queratinização como a seborréia canina primária. A adenite sebácea (causa ressecamento,descamação e inflamação do ouvido) embora seja rara em cães é de grande incidência no Poodle Standard, Akita e Samoieda (8);
- Doenças auto imunes ou imunomediadas como a celulite juvenil;
- Limpeza insuficiente das orelhas;
- Neoplasias dentre outras.

 Sinais de alerta:
- sacudir a cabeça;
- coçar as orelhas;
- presença de secreção anormal ou de odor fétido;
- dor à palpação ou ao puxar a orelha;
- vermelhidão do pavilhão auditivo e canal externo do ouvido;
- perda da audição.

Otites são, normalmente,  geradas por condições multifatoriais.
Um exame cuidadoso e a análise de uma doença de base pode ser fundamental especialmente em otites de repetição.
Diante de queixa em relação ao ouvido é aconselhável observar a pele do corpo do animal procurando por:
-sinais de atopia:  não raro alergias levam a otites;
-alopécia simétrica que é um indicativo de possível hipotireoidismo. A disfunção tireoideana pode levar a otites de repetição.


Os Vilões:
 
Os agentes principais são bactérias, fungos e parasitas (ácaros). A associação de mais de um agente é comum.
1 - Bactérias:
Habitualmente o processo inicial é uma infecção bacteriana causando alterações locais que facilitam o desenvolvimento dos outros patógenos. As bactérias com maior prevalência são Staphylococcus spp., Streptococcus spp., Pseudomonas spp., Proteus spp., e Escherichia coli (3).

Otite externa por Pseudomonas spp
Forma rara e severa de otite externa bacteriana. Costuma acometer filhotes (cujo sistema imunológico está em desenvolvimento), animais idosos ou imunossuprimidos.No homem é chamada otite externa necrotizante ou maligna devido a alta taxa de mortalidade associada à doença.
A Pseudomonas aeruginosa é uma bactéria agressiva, resistente a maioria dos tratamentos usados em otites externas comuns e capaz de crescer até mesmo em água destilada.
A infecção pode ultrapassar a pele atingindo tecidos moles, cartilagem e osso temporal e da base do crânio.e
Os principais sinais são intensa otorréia e dor, edema eritema e franca necrose da pela do canal do ouvido pode ser evidenciada.
O tratamento sistêmico e agressivo pode evitar a necessidade de cirurgia.


2- Malassezia spp:
É um fungo aeróbio (vive em presença de oxigênio) do tipo dermatófito que causa micoses superficiais.
É considerada parte da flora normal da pele e ouvido do cão e do homem. Na pele do homem  a Malassezia furfur é agente causador da ptiriasis versicolor ou "pano". Condições favoráveis podem fazer com que se multiplique de forma descontrolada. As micoses causadas pela Malassezia spp não devem  ser consideradas zoonoses (doença do animal transmitida ao homem), embora erroneamente alguns autores se refiram a elas como tais.
No ouvido do cão  predomina a Malassezia pachydermatis. Essa levedura produz uma lesão característica, a dermatite esfoliativa. É um processo descamativo e inflamatório capaz de provocar estenose do canal auditivo por espessamento da pele. A Malassezia afeta especificamente as glândulas ceruminosas provocando nelas reação inflamatória e ingurgitação e pode estar associada a otites externas e médias.
Otite externa por Malassezia

Algumas raças são mais sussetíveis ao agente como é o caso do Cocker Spaniel, Basset Hound, Dachshund, Setter Inglês, Poodle, Pastor de Shetland, Sheepdog, Shih Tzu, e muitos terriers incluindo o West Highland White, Australian, Jack Russell, Maltes e o Silky.


Diagnóstico: é baseado no aspecto da lesão, exame microscópico direto de raspado cutâneo ou mesmo cultura para fungos.
Como preparo para o exame recomenda-se que não seja utilizada nenhuma pomada, creme ou unguento sobre a lesão por ao menos 24 horas antes de colher o material.
- Após a limpeza da lesão com solução fisiológica ela deverá ser seca com gaze estéril.
- Utilizando-se lâmina estéril de bisturi  procede-se um raspado superficial da lesão (não poderá haver sangramento).
- Receber o material colhido em lâmina de microscópio procedendo sua clarificação com potassa 10% (KOH) por 5 minutos. Não há necessidade de corar o  material.
- Cobrir com lamínula e ler ao microscópio em objetiva de 40.
Raspado cutâneo corado pelo GRAM. Pode-se evidenciar céluas epiteliais, micélio filamentoso e esporos em gemulação.

Tratamento:
Aceitar o fato de que a Malassezia faz parte da flora normal do ouvido e pele de cães é a melhor forma de conduzir um tratamento adequado. Dessa maneira a abordagem terapêutica deve se concentrar em criar condições desfavoráveis ao crescimento excessivo do fungo bem como controlar a resposta inflamatória.
O tratamento se baseia antifungicos e antinflamatórios em soluções ototópicas bem como a cuidadosa limpeza  do ouvido com soluções acidificantes e secantes.
Infecções recorrentes por Malassezia continuam representando um grande desafio aos veterinários. Mais do que optar por um produto A ou B é preciso encontrar o caminho que mantenha o cão livre do incômodo por  maior período de tempo.

* Otites recorrentes por Malassezia spp (especialmente as que acometam ambas as orelhas) podem estar associadas à atopia ou a reações adversas alimentares.
As reações adversas alimentares normalmente se manisfestam por dermatites pruriginossas acompanhadas ou não de sinais gastrointestinais e são normalmente indiferenciáveis da atopia. As manifestações cutâneas costumam acometer as patas, face, axilas, regiões perineal, inguinal e glutea e também as orelhas.
Um quarto dos  cães com reações adversas alimentares apresentam somente manifestação na orelhas (8).

3- Otodectes cynotis-  
http://commons.wikimedia.org/wiki/File:Otodectes_cynotis.jpg
Um aracnídeo branco, transparente e móvel que se desenvolve por completo em cerca de 3 semanas. Os ovos passam por um estagio larval  e dois estágios de ninfa até se tornarem adultos.
Assim se desenvolve o agente da "sarna do ouvido".
Os ovos são depositados sobre substrato e após 4 dias de incubação eclodirão as larvas. Elas caminharão ativamente por 3 a 10 dias quando então se transformarão em protoninfas (já com 8 pernas assim como seus primos as aranhas e os carrapatos) e mais tarde em deutoninfas. O macho irá se aderir a uma deutoninfa e se ela for fêmea ele a fecundará. As ninfas as quais os machos não se aderirem não depositarão ovos. Os ovos do Otodectes cynotis podem viver por 2 meses.
A transmissão ocorre de forma direta e indireta.O ácaro pode sobreviver no ambiente por 8 a 12 semanas.
Pulgas também podem transmitir o Otodectes ou seus ovos que se aderem a elas.
Visíveis a olho nu esses pequenos comensais se movimentam dentro do ouvido dos animais afetados causando desde intenso prurido e desconforto até otites severas.
http://petcare.blogcu.com/kulak-uyuzu-otodectes-cynotis/1154778
O parasitismo pelo  Otodectes cynotis caracteriza-se  por secreção abundante, serosa de cor escura lembrando pó de café.
É possível visualizar os pequeninos pontos brancos se movendo sobre a secreção marrom escuro, quase negra. Eles se alimentam de restos de pele morta , mas ocasionalmente podem também picar a pele para se alimentarem de linfa. De alta prevalência entre cães e gatos, estima-se que seja o responsável por 10% (4)das otites dos cães e cerca de 50% (4) das otites nos gatos. O contagio se dá pelo contato direto entre animais sadios e "doentes" e também pela pulga.
Esses ácaros se localizam não somente no ouvido como também no corpo do animal, principalmente pescoço, dorso e cauda.

O diagnóstico se faz pelo aspecto singular da secreção ou com auxilio de otoscopio. Pode-se também proceder ao exame direto de swab da secreção.
Espalha-se o material preso ao swab sobre lâmina fazendo-se um "esfregaço" fino e procede-se ao exame direto em microscópio com objetiva de 10.

O tratamento
A parte principal do tratamento é a limpeza sistemática  dos ouvidos.
O uso soluções otológicas de uso tópico e de  formulações sistêmicas como as do tipo "spots-on" (Revolution, Advocate  etc) podem ser uma boa escolha como coadjuvantes pelo fato do ácaro se alojar também fora do ouvido.
Todos os tratamentos utilizados para sarna em cães e gatos são igualmente eficazes contra a sarna de ouvido. Fipronil, ivermectina, permetrina, selamectina e outras combinações todos eles tem se mostrado efetivos no combate ao  Otodectes cynotis tanto em cães como em gatos.

4- Demodex canis

 O Demodex canis é um ácaro saprofita que habita harmônicamente a pele da maioria dos cães, estando ausente somente na pele dos cães do ártico. É um oportunista que pode se multiplicar de forma descontrolada e causar piodermites (assunto ainda polêmico e controverso) e também otites externas. 
A otite causada pelo Demodex  pode ou não estar associada à demodicose cutânea.
Embora a identificação e tratamento da demodicose sejam conhecidos pela maioria dos veterinários, a otite por demodex pode ser de difícil diagnóstico quando ocorre isoladamente, sem lesões pelo corpo do animal.

5- Otite alérgica



                                                                       Otite alérgica crônica

Nestes casos não é raro haver cronicidade e suas complicações. Essas ótites evoluem de externas a médias caso a doença de base não seja tratada. Em casos em que a causa da alergia não possa ser identificada tratamento tópico de manutenção bem como limpeza semanal cuidadosa podem ajudar evitar infecções recorrentes e cronicidade.


O tratamento da otite externa

Será determinado pela característica, agente e intensidade da infecção.
O exame do tímpano, identificando sua integridade ou perfuração, é fundamental  pois dita a conduta no tratamento.
Algumas vezes somente a limpeza do ouvido  pode ser  suficiente.
A  instilação de antibióticos, antifungicos e antinflamatórios de uso tópico podem ser utilizados em doses altas e com mínimos efeitos colaterais.
Pode ser necessário o uso de medicamentos sistêmicos em casos de oclusão do ouvido externo ou otite média. Também nos casos de oclusão pode estar indicada sedação ou anestesia do animal para limpeza ou desobstrução cirúrgica.


Sinais de cronicidade:
- Manter a cabeça pendendo para um dos lados. Essa postura pode torna-se permanente e tanto pode ser provocada pela dor constante quanto por sintomas vestibulares (perda de equilíbrio e zumbido podem fazer com que o cão vire a cabeça de lado na tentativa de reduzir os sintomas) relacionados a otite;
-Lesão erosiva da pele das orelhas, queixo ou mesmo pescoço. O ato de coçar constantemente a região pode provocar lesões infectadas na pele;
- Estenose do canal auditivo. Otites crônicas podem ocasionar edema, espessamento da pele, queratinização e até mesmo ossificação da entrada do ouvido ocluindo-a de forma parcial ou mesmo totalmente.
- Otites externas que persistam por dois meses ou mais são consideradas cronicas e normalmente se estendem até o ouvido médio.



É bom lembrar:
As orelhas sempre elevadas dos frenchies mantém seus ouvidos muito bem arejados. Contudo podem também funcionar como antenas parabólicas captando aquilo que está no ar, até mesmo corpos estranhos que se não forem retirados de imediato podem causar otite média.
Para manter a saúde dos ouvidos é indispensável a higienização e verificação semanal da orelhas evitando que um probleminha se transforme em sofrimento para o animal.
Cinco minutos semanais dedicados ao ouvido de seu cão podem significar um grande investimento na saúde dele.
Ao visitar o veterinário esteja atento quanto à importância de examinar os ouvidos.



Antes de optar por um cão de raça pura considere suas características físicas, temperamento, necessidade de exercícios e aspectos ligados a saúde e cuidados. Um animal é e será sempre totalmente dependente. O  convívio prazeroso entre vocês se condiciona a sua disposição em atender à demanda do cão.

Você sabia que um cão bem tratado pode ultrapassar 15  anos de vida?
Adotar é um compromisso de longo prazo, pense nisso!

Sirley Vieira Velho
Canil Skonbull


Seja gentil, seja coerente e correto, cite a fonte original sempre! :) 
 
Refrências
1- Louis N. Gotthelf -DIAGNOSIS AND TREATMENT OF OTITIS EXTERNA,. Proceeding of the LAVC;Latin American Veterinary Conference;Oct. 16-19, 2009 – Lima, Peru
2- Louis N. Gotthelf -HISTORY AND CLINICAL SIGNS OF OTITIS MEDIA,. Proceeding of the LAVC;Latin American Veterinary ConferenceOct. 16-19, 2009 – Lima, Peru
3- Hamed Zamankhan Malayeri & Shahram Jamshidi &Taghi Zahraei Salehi- Identification and antimicrobial susceptibility patterns of bacteria causing otitis externa in dogs- 5 June 2010
 Springer Science+Business Media B.V. 2010
4- Mueller-Ludwig-Maximilians- SARCOPTES, DEMODEX, AND OTODECTES: TREATMENT OPTIONS;Ralf S -University, Munich, Germany; The North American Veterinary Conference –
2007-Published in IVIS with the permission of the NAVC. Acessado em www.ivis.org em setembro 2010.
5- Douglas J. DeBoer; Recurrent Malassezia otitis in dogs- Reprinted in IVIS with the permission of SCIVAC Close; 65° CONGRESSO INTERNAZIONALE MULTISALA SCIVAC-RIMINI 28-30 MAGGIO 2010 Acessado em www.ivis.org em setembro de 2010.
6- Linda Medleau, Keith Hnilica -Small Animal Dermatology- Second Edition 2004
7-http://www.hillsvet.com
8 - Hand, Thatcher, Hemillard et all – Nutrición Clínica en Pequeños Animales- 4ª Edición- Hill´s Pet Nutrition- Santa Fé de Bogotá –Colombia 2000.
9- Laura A Goguen- External otitis; http://www.uptodate.com/home/store.do; Maio 2010

Bulldog Francês não é Pug

Igualmente fofos e dóceis, frenchies e pugs são raças distintas.
Não creio que muitas pessoas refiram-se a um pug como sendo um frenchie, já o contrário...Talvez isso se deva à popularidade que os pugs conquistaram no Brasil após sua estreia em uma novela global dos anos 80. Quem não lembra da encantadora pug Inês? A pequena socialite canina que teve direito a casamento cheio de pompa e tudo mais.

Algumas diferenças entre frenchies e pugs:

- As orelhas do frenchie são arredondadas e portadas eretas. Praticamente antenas, eles as viram em quase todas as direções.
     
 
             

- A cauda dos frenchies é naturalmente curta, quebrada ou em parafuso muitas vezes tão pequena que pode  ficar enterrada sobre a preguinha da região sacral.



- A coloração também difere: o frenchie é aceito em muitas cores ficando de fora o preto sólido, black and tan, fígado e o azul. As cores do pug são o abricot e o preto.
Frenchies não são muito comilões. São cães que comem devagar e as meninas tendem a ser mais glutonas que os machos. A alimentação dos pugs deve ser controlada pois tendem a comer rapido e em excesso.


Sophia e seu modelito cio-style


Bulldoguinhas não são capazes de "se limparem" durante o cio como acontece com fêmeas de quase todas as  raças. Seu corpo curto impede que alcancem a vulva. Por ocasião do estro elas podem se tornar retraídas se não forem higienizadas com freqüência.
São animais muito limpos que adoram o banho e a escovação. A secagem do pêlo é importante, pois o excesso de dobras na pele facilita encrencas.

 Importante Ponto Comum!
Assim como pugs, BFs podem ser facilmente vitimados pelo hiperaquecimento e a falta de esclarecimento e precaução tem levado muitos deles à morte. Temperatura ambiente superior a 26ºC é sinônimo de perigo para essas duas raças tão queridas.
Exercícios seguros são os passeios curtinhos sempre na hora mais fresca do dia.


Não são companheiros de longas caminhadas, mas são parceiríssimos para todas as horas de relax como aquele videozinho em uma tarde chuvosa, um dia de preguiça dormindo até mais tarde, ou simplesmente te contemplando enquanto vocêedita o blog ou prepara o jantar.
Amam colo, cama, sombra, ar condicionado, água fresca e  pedrinhas de gelo para refrescar os dias quentes. Sua demanda por contato humano é  grande, no entanto não são "chatos". Afetuosos te recepcionam quando você chega em casa  fazendo festinha e logo se contentam em ficar te observando. Costumam não ser muito ativos.

Frenchies podem não ser tão "portáteis" quanto os pugs. Alguns BFs podem chegar a 14 quilos enquanto o  Pug, de acordo com o padrão CBKC , não deveria ultrapassar 8,1 quilos.
São nossos preparadores físicos. Balançá-los no colo fortalece tríceps, peitoral e o baixa e levanta também trabalha coxa e glúteos.

O Frenchie nosso de cada dia

Latem pouco e quando o fazem geralmente é um latido rouco e nada estridente, mas sempre motivado.
São dóceis e adoráveis fungadores. Bons exemplares não devem roncar enquanto dormem, tão pouco quando acordados, mas todos tendem a fungar quando fazem manha, gracinha ou como forma de expressar satisfação quando ganham carinho.
Têm lábios grandes e frouxos cobrindo seus dentinhos. Quando apanham comida de nossa mão temos a impressão de que são desdentados pois os dentes nunca nos tocam..
Precisam de limpeza diária das dobras faciais e cuidado com os olhos. Um banho ao mês costuma ser o bastante, desde que sejam escovados com frequencia e que suas caminhas sejam trocadas ao menos duas vezes por semana.
BFs não tem “cheiro de cachorro”, nem mesmo quando estão molhados.

Isabeau
Não são cães bestalhões como alguns acreditam.. Bem humorados e cheios de espirituosidade, conviver com um frenchie é garantia de no mínimo uma boa gargalhada por dia.
Por vezes são um pouquinho teimosos. Sempre querem saber o que ganharão se seguirem as ordens...Renda-se aos seus inúmeros encantos e em poucos dias você o estará obedecendo cegamente e feliz da vida. Afinal ser tão irresistível e fofinho tem lá suas prerrogativas.

Mentes que brilham

Inteligentes eles aprendem comandos e truques com facilidade desde que se saiba como reconpensa-los.

Muito curiosos ficam entediados facilmente e por isso alguns " experts" os classificam como cães de baixa capacidade de aprendizado. Isso é uma inverdade, são muito espertos e de uma curiosidade que muito lembra a dos gatos. Têm facilidade para resolver vários  probleminhas, principalmente no que diz respeito a alcançar objetos que  desejam. Obstinados como eles só, operam verdadeiros milagres quando querem algo.
Ofereça um brinquedo a corda para um frenchie e se surpreenda ao ve-lo em poucos minutos puxando a cordinha  para ve-lo funcionar.

Outra característica marcante na raça é a expressividade. A rica musculatura facial  dos frenchies lhes possibilita mudanças de expressão que realmente impressionam.
Alguns deles possuem  habilidades vocais bem desenvolvidas e que parecem ser transmitidas de pai para filho.
Nanuk reclamando da vida.

Nossos cães têm personalidades distintas. Alguns um pouco mais brincalhões, outros mais dengosos, mas todos seguem o modelo sombra do dono e docilidade com qualquer pessoa de qualquer sexo ou idade, no entanto são visivelmente mais atraídos por crianças.
Aprendem a rotina da casa de forma assombrosa pois parece que sabem o que você está pensando.
A conecção que eles têm com as pessoas é um de seus maiores encantos.

Muito apegados ao dono, são animais sensíveis, dóceis, alegres, criativos e surpreendentes.
É impossível não se apaixonar por eles, mas antes de pensar em levar um frenchie para casa seria aconselhavél avaliar se você está preparado.

Antes de optar por um cão de raça pura considere suas características físicas, temperamento, necessidade de exercícios e aspectos ligados a saúde e cuidados. Ele é totalmente dependente. O  convívio prazeroso entre vocês se condiciona a sua disposição em atender à demanda do cão.

Você sabia que um cão bem tratado pode ultrapassar 15  anos de vida?
Adotar é um compromisso de longo prazo, pense nisso!

Sirley Vieira Velho
Canil Skonbull

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Prolápso da Glândula da Terceira Pálpebra - Cherry Eyes

- Olhos de cereja


O prolápso da glândula da terceira pálpebra pode ocorrer com qualquer cão e de qualquer raça.


http://www.oftalmologianimal.com.br
Um belo dia seu bulldoguinho filhote, geralmente com menos de 6 meses de vida aparece com uma cerejinha no canto interno do olho.
O prolápso da glândula da terceira pálpebra ocorre geralmente por flacidez dos tecidos e pode melhorar a medida que o cão amadurece. Agentes irritantes como pólem ou materiais de limpeza ou mesmo o cão na tentativa de coçar o olhinho, fazer esforço ou se estressar, podem precipitar a saída da glândula.

Reposicionando a glândula em seu lugar.

Se isso acontecer devolva-a no lugar imediatamente: com seu dedo polegar eleve a pálpebra inferior envolvendo a glândula e então faça leve pressão para baixo até sentir o osso onde fica a órbita ocular. Mantenha assim por alguns segundos. Ao remover o dedo você observará que a bolinha desapareceu.
Faça isso sempre que notar a saída da glândula, ainda pequena, antes que ela edemacie e fique irritada não cabendo mais no seu espaço. Esse cuidado pode fazer-se necessário por semanas. Mantenha o uso dos colírios e pomadas que o veterinário receitou.

O vídeo mostra como é simples realizar o reposicionamento da glândula. Confira:


Uma vez edemaciada e irritada torna-se impossível mante-la em seu leito, podendo ser necessária cirurgia. 




Caso necessite operação procure um veterinário especialista em oftalmologia. A intervenção deve poupar a glândula, pois ela é responsável por grande parte da produção lacrimal, e não deixar cicatrizes. A escassez de lágrimas trazida pela retirada da glândula da terceira pálpebra pode comprometer a lubrificação do olho e trazer sérias complicações.

Essa condição pode ser de ocorrência bilateral

O prolapso da glândula da terceira pápebra é relativamente freqüente e todo cinófilo deveria conhecê-lo para iniciar imediatamente os cuidados evitando a cronicidade e cirurgia. É recomendável orientar aos que levam esses cães para casa da possibilidade da ocorrência bem como ensinar a maneira mais fácil de contornar o problema.
A condição pode surgir por diferentes razões e o pronto atendimento do cão, que deverá ser feito pelo próprio dono, poderá determinar a evolução da lesão. Se agir em tempo e da maneira correta há mais de 98% de chance de que tudo não passe de um susto.

A adoção simples procedimento acima descrito poderá salvar seu cão de uma cirurgia.

Sirley Vieira Velho
www.skonbull.com

Este texto é original. Algumas copias e adaptações encontram-se na net.

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O Dia Em Que Meu Frenchie Virou Shar Pei - Angioedema

O Angioedema

Você acabou de brincar com seu cão e ele foi dar aquela corridinha pelo quintal. Minutos depois  volta até você e então “é pânico geral”. Seu doguito se transformou, seu rosto está inchado como balão, os olhinhos enterrados na face, ele completamente encaroçado, se esforçando para deglutir a saliva e parecendo engasgado. Tudo isso ocorreu quase que instantaneamente e você mal pode acreditar.
Pegue seu cão, as chaves do carro e não esqueça do cartão de credito. A rota será o consultório veterinário mais próximo.
Antes e Depois. Contato com lagartas de jardim.

A pele é o maior órgão do corpo e também o principal órgão onde as reações alérgicas costumam se manifestar.
Uma das reações alérgicas de grande impacto visual, tanto por sua localização quanto pela exuberância dos sinais, é o angioedema. Geralmente tem inicio em poucos minutos até duas horas após a exposição ao alergeno.
Ocorre como a manifestação alérgica de maior incidência perdendo somente para as reações respiratórias. Essas últimas de difícil diagnóstico entre braquicefálicos devido às peculiaridades de seu sistema respiratório.
É uma circunstância autolimitada, um edema localizado de pele ou mucosa. A exposição vascular aos mediadores da resposta inflamatória causa dilatação e aumento da permeabilidade de capilares e vênulas. Há perda da integridade vascular (parede vascular) com extravasamento e perda de liquido para o interstício (espaço entre as células). Pode ocorrer de forma isolada ou acompanhada por urticária (pápulas elevadas e pruriginosas na pele) ou outros componentes da reação anafilática, como dificuldade para respirar (edema da mucosa nas vias respiratórias que impede a passagem do ar) ou mesmo choque (pela paralisia do tônus vasomotor gerando queda da pressão arterial).
O angiodema envolve geralmente lábios, boca, faringe, laringe, tecidos da subglote. Pode envolver também o intestino delgado, causar vômitos e diarréias.
Mais de 50% dos episódios de angioedema são acompanhados por urticária. A reação urticariforme pode tornar-se crônica permanecendo por dias ou até mesmo semanas.
Urticaria após contato com lagarta de jardim

Diante da sucessitibilidade dos Bfs aos alergenos nos limitaremos ao angioedema alérgico somente visto que há outro tipo hereditário descrito em humanos.

As Possíveis Causas

Ele pode ocorrer como reação a:
- alimentos;
Reação adversa alimentar é um termo geral que define uma reação nociva ao organismo provocada pela ingestão de um alimento. Essas reações podem ser imonologicamente mediadas, ou seja reações alérgicas ou podem ser reações não imunológicas.
A maioria das reações adversas alimentares, cerca de 65% delas, não são alérgicas. Elas podem ser provocadas por diversas condições, dentre elas o refluxo gastroesofágico, intolerância a lactose, deficiências enzimáticas, doenças metabólicas, como resultado de anormalidades anatômicas e neurológicas, toxinas, infecções gastrointestinais, dentre outras.
A urticária e o angioedema costumam ocorrer poucos minutos após a ingestão do alergeno alimentar.A reação alérgica alimentar costuma se dar em resposta a uma proteína ou seus epítopos. Daí a preocupação  com os alimentos transgênicos que não foram testados e retestados ao longo dos milhares de anos de nossa existência comum.

- drogas como antibióticos, opióides (morfina algumas vezes utilizada em cirurgias), meios de contraste radiológicos. Alguns antiinflamatórios como ibuprofeno e celoxib também são apontados por reações em cães.


- picadas de insetos como abelhas, vespas, marimbondos, escorpiões, contato com taturanas dentre outros;

- picadas de cobra;



- látex; encontrado em produtos domésticos ou em resina de plantas que o contém como figueiras e jaqueiras  por exemplo.

- plantas urticantes;


- resposta a trauma;

- resposta a forte estress emocional;

- exercício físico; geralmente após contato com o alergeno, especialmente os alergenos alimentares.

- a lista não para de crescer.

A maioria das reações alérgicas ficarão sem o diagnóstico do agente causal.
Podem ser  de díficil elucidação através de testes cutâneos ou IgE rast, visto que parte das reações alérgicas não são IgE dependentes.

Precauções:

Evite iniciar novas medicações à noite. Prefira fazê-lo durante o dia e mantenha o cão junto de você por algumas horas após ter  sido medicado ou vacinado.


Algumas plantas de jardim costumam ser sazonalmente atacadas por lagartas. Procure identificar estas plantas eliminando-as.


Evite cultivar plantas conhecidas por sua toxicidade, como comigo-ninguém-pode, antúrios, espirradeira etc.


Evite exercitar seu cão após uma refeição, medicação ou vacinação. Vale aqui o conselho que nossas mães e avós sempre nos deram: nunca corram, brinquem ou nadem após comer; dá "congestão". 


Prefira comedouros e bedouros em aço inoxidável ao invés de bacias de plástico baratas (multirreciclados).


A temperatura da água do banho deverá ser morna ou fria. Evite esfregar o cão em demasia, bem como, shampoos que prometem "realçar" a cor da pelagem ou clareadores de pelagem de marcas pouco conhecidas. Após o banho com cosméticos mantenha seu cão por perto.


Se seu cão já apresentou um episódio de urticária e angioedema há grande chance que ocorra novamente
Há grande risco de que as manifestações alérgicas se tornem mais severas caso haja novos contatos com o mesmo alergeno.


Sirley Vieira Velho
Canil Skonbull

Direitos reservados

Seja delicado, seja coerente e correto, cite a fonte original sempre.


Referências

1- Ring J; Belloni B; Behrendt H. Looking ahead in dermatology: skin and allergy, Actas Dermosifiliogr;100 Suppl 2:32-9, 2009 Dec. 
2 -Administration of 5% human serum albumin in critically ill small animal patients with hypoalbuminemia: 418 dogs and 1.70 cats (1994-2008),Viganó F, Perissinotto L, Bosco VR. 
3-Clinical manifestations of food allergy: An overview, Wesley Burks- Maio 2010 www.uptodate.com 
4- An overview of angioedema: Pathogenesis and causes,  Clifton O Bighan. Maio 2010 www.uptodate.com

Bulldog Francês em: Segredos do Padrão

"Quero ter um Bulldog Francês. É meu sonho, mas gostaria de um filhote de valor mais em conta. Não me importo com o padrão."

Afinal de contas o que é esse tal "Padrão Oficial da Raça"? 

Cães de raça pura foram selecionados pela beleza e funcionalidade. Cães do grupo  9, como nossos queridos frenchies, são considerados não esportivos, são cães de companhia.
Sim, mas onde está a funcionalidade?
Apesar de não serem cães de trabalho eles possuem funcionalidade - SIM. Animais de companhia devem ser sociáveis, carinhosos, calmos, agradáveis, ter pelagem suave, face encantadora, olhar meigo, talhe compatível com o espaço doméstico  etc.

"Então é disso que eu preciso. Embrulha um frenchie para viagem!"

Será mesmo?

BULDOGUE FRANCÊS

O que chamam Padrão
Confira na íntegra acessando o link abaixo.
http://www.cbkc.com.br/padroes/pdf/grupo9/buldoguefr.pdf

O padrão é formalizado no momento em que a raça é reconhecida por uma organização oficial de cinofilia. No Brasil estamos filiados a FCI (Fédération Cynologique Internationale). Existem outras entidades com padrões próprios que divergem muito pouco entre si.
Leva muito tempo para que uma raça seja construída. Só em 1898 foi redigido o perfil oficial dos primeiros Bulldogues Franceses. Fixando algumas características e eliminando as indesejáveis chegou-se ao padrão atual, revisado pela última vez em 1998. Foram anos de árduo sacrifício. Criadores devem ter tido muito trabalho e os pobres cães com características preteridas foram descartados, sacrificados ou mesmo viraram ração, quem sabe? Em todos esses anos as mais variadas características devem ter sido observadas. Alguns traços foram relacionados a faltas graves, defeitos ou doenças, incompatibilidades com o meio ambiente etc. Os gostos pessoais de cada criador também devem ter sido relevantes na escolha da compleição física. A associação desses fatores e gostos particulares contribuiu para a formação do Padrão da Raça.
Esse padrão foi sendo modificado de tempos em tempos para se adequar às características que as linhagens foram tomando ao longo desses cruzamentos tanto criteriosos como desastrados.

Lembrei de uma velha citação alemã: "Male den Teufel nicht an die Wand, er kommt von selber" (Não pinte o diabo na parede, ele vem por si só). Talvez seja melhor não deixar tão explícito o que é ruim.

Nas faltas graves e desqualificantes ao Padrão do Bulldog Francês algumas condições não tão explicitas podem ser enumeradas:

FALTAS GRAVES
- incisivos à mostra com a boca fechada; 
http://www.frenchbulldogrescue.org/htdocs/available/bristolrose.html


O Bulldog Francês é prognata. O padrão não descreve a intensidade do prognatismo. A mordida deve ser em tesoura invertida e os incisivos inferiores deverão apresentar-se diante dos superiores, mesmo que discretamente. Havendo prognatismo excessivo o cisalhamento oferecido pelos dentes torna-se ineficaz. Fêmeas durante o parto poderão eviscerar o filhote, expondo suas entranhas, ao tentarem cortar o cordão umbilical. É bom lembrar que cerca de 20% das fêmeas de BF são capazes de ter parto vaginal. O prognatismo excessivo é prejudicial ao cão podendo dificultar até mesmo o ato de comer.

- língua à mostra com a boca fechada; 

A macroglossia em BFs é alerta para um dos maiores males da raça que é o palato mole alongado, um dos principais componentes da síndrome braquicefálica. A necessidade de abrir espaço para ventilação pode exigir um esforço extra da musculatura sublingual tornando o posicionamento da língua mais anterior dificultando até a mesmo a mastigação. As dificuldades de ventilação que o palato mole alongado causa não são exclusivas dos cães de focinho curto, podendo ocorrer inclusive no Beagle.
O hipotireoidismo, de considerável incidência entre os frenchies, também pode causar macroglossia.
A torção de mandíbula também pode levar à exposição da língua com a boca fechada.
Vale lembrar que em cães muito idosos pode ocorrer a exposição permanente da língua, mas sem nenhuma relação com as causas apontadas acima.

- andadura com movimentos rígidos nos anteriores (cão batendo tambor);
O hipotireoidismo, de considerável prevalência na raça, tem como um dos sinais a rigidez muscular que dificulta o controle fino dos movimentos. Essa circunstância confere um andar “durinho”, como se as pernas fossem de pau. É muito fácil reconhecer um frenchie com hipotireoidismo congênito. 

- despigmentação na cabeça, exceto no caso previsto no padrão dos fulvos tigrados com manchas brancas médias e dos fulvos com manchas limitadas ou predominantes;
A falta de pigmentação na trufa e pálpebras pode estar intimamente ligada à sensibilidade cutânea que favorece queimaduras solares e tumores de pele.

- peso excessivo ou insuficiente.

http://www.frenchbulldogrescue.org/htdocs/foster/sadiebug.html

Peso insuficiente. Um BF adulto deve ter no mínimo 8 quilos, o que já significa um frenchie bem pequeno. Fatores nutricionais e hormonais podem estar associados a um desenvolvimento ponderal reduzido: ingestão calórico-protéica inadequada ou insuficiente, doenças intestinais disabsortivas, hipotireoidismo dentre outras causas.
Clique (Frenchie Bulldog Mini Ashley.) e veja como os maus tratos e o desdém limitam o crescimento de um cão. Essa bulldoguinha foi resgatada e sua história e video foram lançados no YouTube.

Fique atento ao buscar um filhote pequeno, ele pode ter ficado assim por privação de comida e cuidados.
Peso excessivo.Frenchies pesando mais de 14 quilos podem ser considerados obesos ou mesmo grandes demais para uma raça que gosta e precisa de colo. Esses cães podem estar mais sujeitos ao trauma raquimedular bem como sofrerem de artrose em conseqüência da sobrecarga.


DESQUALIFICAÇÕES
- olhos de cores diferentes;
http://www.flickr.com/photos/canineddogpictures/3385454927/in/set-72157615817010149/
Pode ser uma característica geneticamente determinada e que muitas vezes se faz acompanhar por surdez.
A heterocromia da íris também pode ser herdada como uma característica autossômica dominante simples, isto é, não associada a outras características fenotípicas. Esta é uma das características preocupantes em outras raças onde a seleção dos melhores exemplares se baseou predominantemente na ausência de surdez. É o que ocorre nos cães de pelagem azul merle como o Pastor de Shetland, Dachshund etc.

- trufa de outra cor que não a preta
Especialmente penalizada em cães de coloração mais escura, uma trufa clara denota diluição de cores. O cão pode carrear consigo o gene da diluição, embora ele próprio não apresente este fenótipo. A trufa clara está presente nos BFs chocolate e blue, por exemplo.
Os BFs de cor creme (diluição do fulvo aceita pelo padrão da raça) também tendem a apresentar trufa um pouco mais clara, no entanto a palidez só ocorre no caso da pele estar muito bem hidratada. Em cães de pelagem clara quando a trufinha resseca a cor costuma estar entre o chumbo e o negro.

- lábios leporinos


Andy Mathis Art Co.: Bella- The interesting Case of the Week

Na grande maioria dos casos ocorre como defeito congênito multifatorial e pode ou não acometer também o palato.
São descritos como fatores envolvidos os componentes do cigarro inalados pelas fêmeas prenhes (fumantes passivas), alguns medicamentos e deficiência vitamínica, principalmente, no período mais precoce da gestação.
A formação crânio facial é um evento complexo na embriogênese que envolve interação celular, migração e proliferação. Partes das células envolvidas no fechamento do crânio migram da crista neural do embrião. Essa intima ligação com o fechamento do tubo neural leva a pensar numa possível falha também nesse evento como a espinha bífida, por exemplo.
Gera facilidade de broncoaspiração e pneumonias. É também penalizado pela falta estética.



- incisivos inferiores em articulação atrás dos superiores;
O micrognatismo é transmissível geneticamente nos seres humanos e pode estar associado a outras síndromes graves.

- exemplares com os caninos à mostra com a boca fechada;

Motivos estéticos? Além da carinha de morcego dentinhos de vampiro deixariam os pobres BFs com aspecto assustador.

- orelhas não portadas empinadas;
Fenotípo que pode sugerir a presença de genes conferidos por exemplares não puros inadvertidamente incluídos na linha de sangue.

- mutilação das orelhas, da cauda ou dos ergôs;
Segue a mesma justificativa aplicada às orelhas não eretas, pecando aqui a tentativa explícita de farsa.
Nenhum tipo de mutilação vem sendo permitido em nenhuma raça, felizmente.


- ergôs nos posteriores;
Denomina-se ergô o quinto dedo nas patas traseiras. Embora possa ser considerado um órgão vestigial, alguns canídeos não os possuem como é o caso do lobo. O exemplo aguçou a curiosidade de pesquisadores que chegaram às alarmantes bases moleculares envolvidas nesse “inocente dedinho extra”.
Assim como no homem a polidactilia é herdada genéticamente e mostra-se acompanhada de outros achados em mais de 50% dos casos.
No São Bernardo a polidactilia é associada à agenesia de palato, vértebra torácica extra e costela supranumerária, ausência congênita de pavilhão auricular (anotia) e língua bífida.

Em algumas raças de cães montanhezes acredita-se que o ergo simples ou duplo poderia auxiliar em escaladas. Nessas mesmas raças é alta a taxa de mortalidade precoce bem como prevalência de doenças articulares. Em algumas raças também se associa a polidactilia à gastrite e a linfangiecstasia.

- pelagem preta e castanho, cinza rato ou marrom;




A pelagem black and tan é característica de algumas raças, dentre elas o Pincher. Esse tipo de marcação também pode ser alcançado propositalmente pela seleção de cruzamentos.






http://www.forum.rogerlebouledogue.com/le-type-bouledogue-bleu-vt1128-945.html
A pelagem cinza rato ou azul é a expressão do gene diluído do preto (dd). A diluição do preto (azul ou cinza) traz conseqüências diversas em outras raças. Algumas tem essa cor em seu padrão, como é o caso do Weimaraner ou a cor isabela nos Greyhounds. Essa condição favorece de modo especial às doenças de pele tais como alergias, alopecia de flanco dentre outras. A Alopecia de flanco ocorre por displasia dos foliculos pilosos azuis e inicia-se entre os 6 meses até os dois anos de idade. Possivelmente essa correlação tenha levado à penalização da cor azul entre os frenchies.

Link original não localizado





A pelagem marrom ou fígado, também é indesejada uma vez que os exemplares nesta coloração apresentam olhos claros (tendendo ao amarelo), nariz, contorno dos olhos, lábios e orelhas pink, vermelhos ou marrons ao invés de pretos.


  - anurismo-
Ausência de cauda (anurismo) é um defeito genético que geralmente associa-se a outros defeitos como atresia anorretal e múltiplas alterações vertebrais. Mesmo em raças que apresentam o anurismo em seu padrão já pode se observar a seleção dos cães com pequenas caudas pelos criadores.


Tais apontamentos não são todos os possíveis e estão sujeitos a modificações. Esse texto foi elaborado a partir do estudo, observação e troca de experiências com outros criadores. Nosso objetivo, como o de todo criador conciencioso, é fortalecer a raça pela promoção de acasalamentos não tão díspares.
Infelizmente  no Brasil a liberdade de informar as características de cada linhagem torna a pesquisa e avaliação do pedigree extensiva a poucas gerações.

Sirley V Velho
www.skonbull.com

Referências:
1-CBKC Padrão da raça Bulldo Francês. www.cbkc.com.br/padroes/pdf/grupo9/buldoguefr.pdf
2- Marjo K. Hyto¨ Nen*, Anai¨S Grall*, BenoiˆT He´ Dan, et al. - Ancestral T-Box Mutation Is Present In
Many, but Not All, Short-Tailed Dog
Breeds. Journal of Heredity 2009:100(2):236–240
doi:10.1093/jhered/esn085
3-M. Welle, U. Philipp, S. Ru¨ Fenacht, et al. - Genotype Melanin Phenotype
Correlation In Dilute Dogs. Journal Of Heredity 2009:100(Supplement 1):S75–S79
Doi:10.1093/Jhered/Esp010.
4- Sheila M. Schmutz, Tom G. Berryere, And Dayna L. Dreger.  - Mitf And White Spotting In Dogs:
A Population Study. Journal of Heredity 2009:100(Supplement 1):S66–S74
doi:10.1093/jhered/esp029
5-Kiyun Park, a Joohyun Kang,a Sangjin Park,a Jihong Ha,et al.  - Linkage of the locus for canine dewclaw to chromosome 16. Genomics 83 (2004) 216–224, www.elsevier.com/locate/ygeno
6-Louise Wilkins-Haug,  - Prenatal diagnosis of orofacial clefts. Last literature review version 18.2: Maio 2010, http://www.uptodate.com/home/store.do
7- Priscila Guimarães  Otto,- Genética Básica Para Veterinária.  4ª Edição Roca, 2006.

Direitos reservados

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Criptorquidismo

Blitz! Documentos!

Chama-se criptorquidismo a ausência de um ou dos dois testículos no escroto e/ou a impossibilidade localiza-los quando palpamos a bolsa testicular. A maior parte dos casos é unilateral sendo o lado esquerdo o de maior incidência.
O criptorquidismo é a anomalia mais comum em cães de raça pura, atingindo entre 1 a 11%  dos cães e podendo chegar a 14% em algumas raças. Traz consequências para a saúde  determinando infertilidade, risco de torção e aumentando o risco de neoplasias testiculares. Acredita-se que fatores epigênicos e ambientais possam estar ligados ao criptorquidismo.
Os testículos podem estar ausentes por agenesia ou comprometimento vascular  intra-uterino (como por exemplo, na isquemia por torção). A ausência congênita de testículos denomina-se anorquia. Quando ectopicos tendem a permanecer em algum  ponto no  trajeto entre o abdômen e o escroto. Os locais mais comuns de encontrá-los, quando não estiverem no escroto, são a virilha, região supra púbica, antero lateral à coxa ou intrabdominal (menos comum).

Infertilidade ou diminuição da fertilidade

A redução da fertilidade está especialmente ligada à localização intrabdominal e intracanicular (considerando-se que não haja síndrome genética envolvida), possivelmente relacionada ao comprometimento da espermiogênese pela temperatura. Na bolsa testicular a temperatura mantém-se em torno de 2ºC inferior à temperatura corpórea para eficiente promoção da espermiogênese.

Os riscos à saúde

Testículos que não “desceram” aumentam em 13 vezes as chances de desenvolverem tumores em relação a testículos que se encontram na bolsa testicular e a localização com maior chance de desenvolver câncer é a intrabdominal.
Testículos que não desceram tem grande risco de torção.
A migração dos testículos para a bolsa  inicia-se em torno do quinto dia após o nascimento e está intimamente ligada à produção de testosterona pelas células de Leidig. A mãe não possui hormônios masculinos para ajudar no processo e todo o trajeto de descida é promovido por conta do organismo do recém nascido. Normalmente entre o 10º e o 42º dias de vida já podem ser palpados. A pressão abdominal está relacionada à migração dos testículos, então o desenvolvimento muscular do filhote deve ser estimulado para promover a correta migração. Não confinar o filhote mantendo-o em contato com a mãe e os irmãos garante exercício na medida certa.

Cadê o grãozinho que estava aqui?

Os testículos também podem ser retráteis, ou seja, apresentam-se dentro da bolsa testicular e num exame posterior simplesmente nota-se que “sumiram”. Normalmente retraem para a cápsula  ou virilha, no entanto já foi registrado caso de retração para o abdômen. Então testículos que “sobem e descem” devem ser acompanhados constantemente por palpação até que o cão atinja os 6 meses de vida, quando deverão permanecer aprisionados no escroto pela cápsula. Testículos retráteis não podem ser considerados testículos normais que deixaram de descer, atualmente eles não se encaixam mais nesse conceito.

Diagnóstico 

Faz-se pela palpação e ou por US. Os testículos não apresentam opacidade suficiente para serem visualizados por RX.

As causas

A razão pela qual os testículos deixam de chegar ao seu destino podem ser  várias e a patogênese  é uma incógnita. Muito especula-se sobre herança genética ligada ao criptorquidismo, no entanto as bases moleculares envolvidas ainda são obscuras e carecem de pesquisas para iniciarem sua elucidação. Causas mecânicas, hormonais e ambientais estão associadas a não decida dos testículos. As síndromes genéticas são também apontadas como responsáveis pela criptorquidia como as síndromes que determinam genitália ambígua, hermafroditismo, redução da musculatura da parede abdominal, hipospadia (uretra desembocando antes da ponta do pênis) etc.

O tratamento hormonal para promover a descida dos testículos deve ser precoce e acompanhado pelo especialista em reprodução canina. Promover a “descida” dos testículos por medicação somente deverá se dar como forma de facilitar a exorquidia ( retirada cirúrgica dos testículos) fazendo com que migrem para local de mais fácil acesso. Os testículos ectópicos  deverão ser removidos a fim de preservar a saúde do cão.O reposicionamento cirúrgico tem como risco principal o desenvolvimento de câncer pelo testículo reposicionado, sendo mais seguro optar-se pela castração do animal. A maior incidência dos tumores de testículos se dá em cães com criptorquidia com idades entre 4 e 10 anos.

É bom saber
Um testículo que permaneceu fora da bolsa testicular até o inicio da adolescencia  ou vida adulta estará sujeito a elevado risco de neoplasias.
Neoplasias de células germinativas costumam ser extremamente invasivas e agressivas. Mesmo no homem a opção pela conservação de um testículo ectópico costuma ser desaconselhada.

Sirley V Velho
www.skonbull.com

Referências
1-Ed.J. Gubbels a,d,∗, Janneke Scholtena, Luc Janssb,c, Jan Rothuizend. Relationship of cryptorchidism with sex ratios and litter sizes in 12 dog breeds. 2009 journal homepage: www.elsevier.com/locate/anireprosci
2- X. Zhao, Z.-Q. Du & M.F. Rothschild. An association study of 20 candidate genes with cryptorchidismin Siberian Husky dogs. J. Anim. Breed. Genet. ISSN 0931-2668ª 2010
3- G. Dolf, C. Gaillard, C. Schelling, A. Hofer and E. Leighton,Cryptorchidism and sex ratio are associated in dogs and pigs. http://jas.fass.org/cgi/content/full/86/10/2480
4- Christopher S Cooper, Undescendent testes ( cryptorchidism) in children and adolescents .
http://www.uptodate.com/patients/contenttopic.do?topicKey=~g.C4a2uVisw_iKC

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